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Por Grande Santa Rosa Notícias. Publicado em 18/01/2021

Hino Rio-grandense de todos nós

Ivar Hartmann - promotor de Justiça aposentado


O “politicamente correto” é a moda. Qualquer coisa que qualquer pessoa entender esteja errado é denunciada. No exagero, um jogador de futebol uruguaio foi multado por estúpidos ingleses por ter usado a expressão “negrito”, de uso comum em sua terra, ao cumprimentar um colega. O Uruguai em peso se levantou contra e a própria Conmebol saiu em seu auxílio. Há pouco, alguns vereadores de Porto Alegre se recusaram a ficar em pé na execução do Hino Rio-grandense por que este teria uma estrofe racista. Me lembra um deputado brasileiro que queria tirar do nosso Hino o verso: deitado eternamente em berço esplêndido. Seria um ode à preguiça que prejudicava o Brasil.  No caso em tela um dos vereadores, para justificar seu ato, alegou um curso de mestrado em História que está fazendo. Então, eu alego dois livros publicados sobre a Guerra dos Farrapos. Mais de dez anos como professor de História do Brasil e do Rio Grande do Sul para fazer meu alegado.

O verso é: “povo que não tem virtude acaba por ser escravo”. Na época, o Brasil vivia sob o regime de escravidão negra. Então, segundo os vereadores, o verso quer dizer que os negros não tem virtudes. O autor da música é um negro, o maestro imperial Joaquim José de Medanha, preso na Batalha do Rio Pardo e criador do hino. Alceu Collares é um conhecido político gaúcho. É negro. Foi deputado, prefeito de Porto Alegre e governador do Estado. Cantou e levantou-se centenas de vezes durante sua vida pública quando tocado o Hino Rio-grandense. Nunca se sentiu ofendido pelo verso. Voltemos ao Medanha. A República Rio-grandense, a época em guerra com o Império do Brasil, era composta de brancos, negros e índios. O povo gaúcho, como até hoje, é composto pela miscigenação destas raças que, somados aos imigrantes mais recentes formou o que os cantadores chamam de raça gaúcha. E o hino é isso: um chamamento para os rio-grandense à guerra. Todos os rio-grandenses, independentes de cor, que, à época, eram explorados pelo Império. Qualquer outra ilação é para aparecer na mídia.

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