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Por Chuvinha Hartmann. Publicado em 30/06/2013

REQUIEM PARA UM GOVERNO, UM CONGRESSO E VÁRIOS PARTIDOS

Coluna semanal do coronel do Exército na reserva José Deomar "Chuvinha" Hartmann


Domingo passado, passeando com o controle remoto, estacionei na TV Bandeirantes para assistir o programa Canal Livre, cujo entrevistado era o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Com relação aos protestos até então havidos, ele foi cauteloso e durante todo o programa manteve a postura que se espera de quem já foi presidente da República. Quanto ao fato de ter sido iniciativa dos jovens a realização dos protestos posteriormente reforçados por outros segmentos, o ex-presidente sociólogo identificou a falta de representatividade das minorias no Congresso, refletido principalmente num número de parlamentares jovens, negros e mulheres. Fernando Gabeira, um dos entrevistadores, observou que os menos representados no Congresso eram os honestos. Eu acrescentaria como muito mal representados os pobres, vítimas sistemáticas de ilusões, enganos e mentiras.

Morreram o governo, o Congresso e os partidos políticos e essa gentalha finge não saber de nada, apesar do seu adiantado estado de putrefação. No mesmo programa, por exemplo, Fernando Gabeira também observou que a presidente Dilma e suas caravanas já consumiram R$ 800 milhões do orçamento com diárias em viagens, a maioria para cumprir uma agenda de campanha política para reeleição. Com a cara-de-pau que aprendeu a ter com o Lula, ela fez um pronunciamento, propondo cinco pactos. A exclusão da segurança pública e do sistema prisional dá a entender que nestas áreas não temos problemas maiores. Não sem antes anunciar que o seu governo não errou, que nunca antes neste país se fez tanto e toda a cantilena que o seu marketing lhe produz.

Que contradição é esta? Se o seu governo é tão certinho, por que pactos e não continuar no mesmo rumo? O mero anúncio para a formalização de pactos não é o reconhecimento implícito do fracasso governamental nessas áreas? Quem lhe falou que os protestos eram manifestações de apoio ao governo, estragadas por alguns hereges? Culpando a inoperância do Congresso na reforma política e outras vontades do governo, se ele era tão ruim, por que continuar a “cooptá-lo” com favores de toda a ordem, exceto os moralmente aceitáveis? Por que ressuscitar o lixo que com tanta empáfia e publicidade ela varreu da administração pública menos de dois anos atrás, sabendo que ele não era reciclável?

Há algo de podre não só no reino da Dinamarca, mas também no reino de Dilma. Os brasileiros sentiram o fedor aumentando em todos os setores e foram para a rua reivindicar ar puro! Pobre segurança pública, que não foi incluída no pacto proposto pela presidente. Sua exclusão faz a alegria dos bandidos infiltrados nos protestos, que devem estar se sentindo 100% atendidos. Certamente, no momento oportuno, Maria do Rosário apresentará um minucioso relatório sobre as ações truculentas dos policiais que desrespeitaram os direitos dos vândalos. Tarso Genro, um dia depois da primeira manifestação, já havia identificado os vândalos. Eles não eram ex-presidiários, fugitivos dos presídios, ou bandidos. Era, isso sim, o pessoal da direita. Os criminosos, pois, que aprendam a manejar suas armas com a mão esquerda!

A maior das vergonhas, no entanto está no Congresso. Nele, seguramente a concentração de criminosos é maior do que no Planalto, embora possa perder para os presídios. Se em uma semana, ao som dos protestos da rua, eles conseguiram aprovar sem discussão propostas tão importantes e essenciais, mais do que trabalho demonstra uma irresponsabilidade, pela importância dos assuntos votados. Como é que estão parados tantos projetos, alguns com mais de vinte anos? O ilegal acúmulo de votação de mais de três mil vetos presidenciais revelam que o nosso singular poder legislativo ocupa muito mais tempo descumprindo as leis do que elaborando-as. Oxalá as vozes das ruas também comecem a protestar para que esses meliantes cumpram cinco dias de expediente por semana em seu local de trabalho. Suas presenças nas bases, em plena época de internet e outros mecanismos midiáticos, é mera desculpa para uma permanente campanha pela próxima reeleição, às expensas do povo, com diárias polpudas e outras mordomias mais. E essa bazófia quer discutir financiamento público de campanha, que disfarçadamente corre solta durante todo o mandato. Quanta hipocrisia! Com um cenário destes, torna-se praticamente impossível uma renovação na Câmara.

Atrevo-me, finalmente, a fazer modestas sugestões que iriam mais de encontro às vozes das ruas, entre as quais salta aos olhos a extinção de ministérios meramente figurativos e a consequente redução drástica de 22 mil cargos comissionados para acomodar a companheirada (nos EUA não chegam a um mil). Fazer a varredura do lixo de forma definitiva e dar o exemplo no cumprimento das leis que os outros entes federados também devem cumprir (como a Lei de Licitações e a Lei de Responsabilidade Fiscal). Só o superfaturamento das obras do PAC e incluídas as obras da Copa, segundo renomados economistas e cientistas políticos, dariam para resolver definitivamente o degradante sistema prisional brasileiro e, as diárias gastas pela presidente e suas comitivas com fins meramente eleitorais, dariam para construir 20 hospitais padrão FIFA, de 150 leitos cada.

  

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