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Por Chuvinha Hartmann. Publicado em 23/07/2013

DILMA E FRANCISCO

Coluna semanal do coronel do Exército na reserva José Deomar "Chuvinha" Hartmann

Esperei propositadamente as repercussões da chegada do papa Francisco para o artigo da semana. Já escrevi diversos artigos relacionados aos dois personagens que conferem o título à presente exposição. Conforta a minha consciência em poder verificar que a chegada do papa ratifica todos os juízos que emiti a respeito de ambos. Até a chegada do papa no Palácio das Laranjeiras, todo o cerimonial obedeceu a um protocolo entre dois chefes de Estado, exceto a quebra de protocolo de iniciativa do próprio pontífice no quesito de sua segurança pessoal nos deslocamentos terrestres. Já no Palácio das Laranjeiras, na recepção de Francisco, eu vi o representante de Cristo crucificado, ladeado pelos mesmos dois personagens do Cólgota. A serenidade do papa contrastava com a tensão dos outros dois: Dilma e Sérgio Cabral.

Depois de haverem tomado suas cadeiras, mais uma vez surgiu a fotografia totalmente discrepante entre os dois chefes de Estado: de um lado a simplicidade da careca de Francisco e do outro o penteado de R$ 3.125,00 da presidente Dilma. Mas, aparências a parte, a confirmação de tudo o que antes já escrevera, foi ratificada pelo pronunciamento de ambas as partes. Impressionante a cara de pau da nossa presidente, mentindo descaradamente para Sua Santidade. O ex-seminarista Gilberto Carvalho, que supostamente redigiu o discurso da presidente, poderia ter sido mais inteligente e cauteloso, e não deixar que o discurso presidencial assumisse, numa oportunidade tão incomum, a mesma arrogância, soberba e prepotência tão contumaz da mãe do PAC. Os assessores de Dilma deveriam tê-la advertido para o fato de o papa ser o mesmo que até três meses atrás mantinha uma complicada relação com a presidente Cristina Kirschner, enquanto arcebispo de Buenos Aires, quando ainda era Jorge Mário. E o alinhamento dos governos populistas de Dilma e Cristina é público e notório. Também se esqueceram de avisar Dilma que o papa não era eleitor, pois seu discurso era de palanque eleitoral e não de recepção a uma autoridade de tão grande importância no cenário mundial. Lá foi a Dilma dizer ao pontífice que o Brasil foi descoberto nos últimos dez anos, que as manifestações de rua eram sinal evidente da eficácia das administrações dos últimos dez anos, uma vez que os manifestantes apenas queriam mais justiça social, maior inclusão social, mais qualidade de vida e melhor atendimento de saúde, justamente no momento em que seu ministro da Saúde estava num auditório de Teresina, capital do Piauí, falando para uma plateia de médicos que ficaram de costas para o ministro. Mas, escondeu a presidente o fato de que a maior reivindicação dos manifestantes foi a imoral corrupção geral dos governos dos últimos dez anos. Na sua condição de confessor experiente, o papa deve ter perdoado a presidente pelas suas mentiras antes de assumir a palavra. Já o discurso do papa foi irretocável, de uma profundidade que nós não estamos acostumados, em se tratando do cumprimento protocolar de dois chefes de Estado. A discrepância foi tão grande que qualquer observador identificou entre os dois discursos uma espécie de duelo entre a verdade e a mentira, a sinceridade e o fingimento, a humildade e a soberba. Quando começaram os cumprimentos das autoridades brasileiras ao visitante pontífice, interrompi o acompanhamento pela televisão, fui para o banho, me precavi do frio que se preconizava, e quando retornei para continuar assistindo a cobertura, ainda não tinham passado todos os ministros da Dilma.

Mal deve ter chegado à casa do Sumaré, o papa talvez tenha assistido uma parte do noticiário, e apesar de sua boa vontade e espírito de caridade não devem tê-lo convencido de que as manifestações na frente do Palácio das Laranjeiras, com o pau correndo solto, tenham sido por causa do maravilhoso governo do Brasil nos últimos dez anos e também deve ter feito muito esforço assistindo as lamentáveis cenas de Teresina, para descobrir como se prestam tão excepcionais serviços de saúde sem médicos. Aliás, era o que faltava: substituir médicos por militantes do PT.

Dilma também lembrou em seu discurso a São Francisco de Assis, que inspirou o papa a escolher o nome de Francisco. Todas as informações disponíveis dão conta de que efetivamente o estilo franciscano foi uma opção de vida do papa enquanto ainda era padre recém-formado. A simples escolha do nome Francisco, adotado por uma personalidade de tanta influência mundial, possui uma força que por si já terá enormes repercussões nas consciências de governantes do mundo todo. Se os nossos governantes souberem interpretar sinais, a anunciada canonização de João Paulo II, aquele culpado pela derrocada do comunismo, guerrilheiros que queriam implantar o comunismo mundo afora jamais deveriam se vangloriar do seu passado. Quem sabe a nossa presidente sinta um mínimo de arrependimento e remorso pelo seu passado e vá depositar uma coroa de flores no túmulo de Mário Kozzell Filho. E, os próximos dias do papa em nosso meio deverão ser ricos em ensinamentos e exemplos para a juventude brasileira.

Francisco, o original, aquele de Assis, é reconhecido como o Santo Protetor dos Animais. Só falta o governador Sérgio Cabral, da mesma laia da Dilma, ter se inspirado nos dois Franciscos, para proteger tão bem a sua cadelinha Juquinha, levando-a a passear no helicóptero do governo do Estado.

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