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Por Chuvinha Hartmann. Publicado em 28/07/2013

A IMPORTÂNCIA DO PAPA

Coluna semanal do coronel do Exército na reserva José Deomar 'Chuvinha' Hartmann


Uma cardiopatia aqui, uma trombose lá e um sobrepeso acolá é um conjunto de patologias que nos fazem retomar com maior frequência as inquietações metafísicas. Estas, por sua vez, fazem revigorar um sentimento de gratidão com os pais que nos legaram uma formação baseada nos valores cristãos, particularmente católicos. Confesso que a visita do papa Francisco me faz ratificar o que escrevi nas minhas colunas anteriores, quando tratei de assuntos da Igreja. Sinto-me gratificado pela época que até aqui vivi. Quando o papa Pio XII faleceu, eu ainda estava na primeira infância. Até hoje, sucederam-no 6 papas, cujas vidas, biografias e encíclicas procurei conhecer. Os diversos conclaves que elegeram sucessivamente meus seis papas contemporâneos só podem ter sido obra do Espírito Santo.

O cardeal Roncalli, que se transformou no papa João XXIII, convocou o Concílio Ecumênico Vaticano II, que abriu os espaços necessários para adequar a doutrina da Igreja aos tempos modernos, de avanços tecnológicos que estavam começando a se reproduzir numa velocidade impressionante. Paulo VI, que o sucedeu, chefiou a Igreja num dos momentos mais difíceis da história da humanidade, quando a Guerra Fria chegou ao seu auge e o mundo viveu o medo permanente de uma 3ª Guerra Mundial com armas atômicas de potencial destrutivo inimaginável. Além de diversas encíclicas que ajudaram a inibir atitudes mais belicosas por parte dos blocos bipolares que dominavam o mundo, teve que levar a cabo as reformas que o Concílio Vaticano II ainda não havia concluído por ocasião da morte de João XXIII. O conclave que o elegeu foi uma das grandes surpresas, como já havia sido a escolha de João XXIII. Eu estava começando minha vida seminarística, e a eleição do então cardeal Montini havia sido sequer cogitada. A eleição do seu substituto, cardeal Luciani como papa João Paulo I, também foi surpreendente, como foi surpreendente a sua morte repentina após curto pontificado de um mês. Não me incluo entre aqueles que fazem suposições sobre as circunstâncias de sua morte. Estatisticamente, com o pesar do fardo de suas responsabilidades enquanto papa, sua morte se enquadra nos limites de óbitos repentinos para pessoas de sua idade. A sua herança foi a alegria, o sorriso contagiante e a humildade extremada. Seu sucessor talvez tenha sido a maior surpresa do século XX: após mais de quatro séculos, foi eleito bispo de Roma um cardeal não italiano. O cardeal Karol Voytila, uma vez eleito, assumiu o pontificado como João Paulo II. É reconhecido como o principal responsável pela implosão do socialismo/comunismo e o consequente fim da Guerra Fria, já tendo a disposição um sofisticado sistema de deslocamentos aéreos, retomou as viagens apostólicas, sendo conhecido como o papa peregrino, no melhor estilo do apóstolo São Paulo, o maior divulgador da Igreja primitiva. Não sem razão, tanto João XXIII quanto João Paulo II já foram beatificados e os processos de canonização já são fatos noticiados, faltando marcar as datas. Já a eleição do cardeal Ratzinger, depois papa Bento XVI, não foi nenhuma surpresa. Destacou-se por sua notória formação teológica, sua alta qualificação intelectual e sua humildade e coragem sem precedentes ao anunciar sua renúncia, em face de seu fragilizado estado de saúde. Foi este gesto de desprendimento e amor à Igreja que possibilitou que tivéssemos o cardeal Bergóglio como papa Francisco, o primeiro papa latino-americano. Como brasileiros, fomos os mais beneficiados pela renúncia de Bento XVI, pois ela possibilitou-nos sermos os primeiros hóspedes de Francisco, que não podia causar melhor impressão do que está causando, em primeiros meses de pontificado.

Sobre a Jornada Mundial da Juventude deverei escrever um artigo após o seu término, que ocorre neste final de semana. Meu renascido orgulho católico pelos meus pastores-chefes contemporâneos que acima invoquei foi particularmente fortalecido por um jornalista da TV Globo News (salvo engano, Gerson Camaroti), que falou que todos os papas possuem um carisma institucional como chefes de Estado (Estado com status único, diga-se de passagem). Alguns ainda possuem um carisma pessoal. João XXIII, João Paulo II e Francisco revelaram ter um carisma pessoal elevadíssimo, que potencializado com o carisma institucional tornam-nos as pessoas mais influentes do mundo. Feliz de mim que tive a oportunidade de conviver e usufruir dos sempre atuais ensinamentos de tão providenciais e santos pastores.

Na última semana, junto com as valiosíssimas orientações do papa Francisco, duas frases ditas por jovens que foram entrevistados eu gravei, embora admita que já possa tê-las ouvido antes. O que importa, porém, é que pela boca dos jovens entrevistados eu as revivi: a) Deus sem mim continua sendo tudo; eu sem Deus continuo sendo nada. b) Deus não escolhe os mais capazes, mas capacita os escolhidos. Por derradeiro, como preito de gratidão aos meus pais, que acima invoquei, permito-me invocar Santo Agostinho, convertido pela insistência e perseverança de sua mãe, Santa Mônica. “- Da minha vida, bendigo até os meus pecados, pois só eles me possibilitaram experimentar o dulcíssimo sabor da infinita misericórdia divina.”.

  

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