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Por Chuvinha Hartmann. Publicado em 11/08/2013

Coluna do Chuvinha

Coluna semanal do coronel do Exército na reserva José Deomar "Chuvinha" Hartmann

A CONSULTA E SUAS ESPERTEZAS

Fiz questão de votar na Consulta Popular para escolher as prioridades da nossa Região Fronteira Noroeste, a fim de instruir o Orçamento Estadual para 2014. Sempre participo, por acreditar no processo que vai se aperfeiçoando aos poucos. Qualquer dia desses haverá de sobrar um pouco mais de dinheiro para investimentos. O enxugamento e desaparelhamento da máquina administrativa, com redução de cargos comissionados e prevalência de critérios técnicos sobre os partidários para o preenchimento dos cargos imprescindíveis, a indústria de viagens e diárias, a corrupção sem precedentes, o ranço ideológico, a mentira deslavada são alguns dos fatores que reduzem de maneira significativa a capacidade de investimentos para atender às demandas escolhidas. A despeito da irresponsabilidade governamental para justificar ou ignorar “peremptoriamente” esses renovados problemas, acredito que as demandas escolhidas pelo menos sirvam de bússola para a elaboração do Orçamento-Geral do Estado.

A consulta para o ano que vem, no entanto, contém uma esperteza implícita: é a consulta sobre a Reforma Política. Observem a chamada para o inédito fato, que nada tem a ver com o orçamento: - “As recentes manifestações por melhorias que inundaram as ruas do Brasil levaram a Coordenação Estadual da Participação Popular e Cidadã – PPC, a propor uma CONSULTA SOBRE REFORMA POLÍTICA”. Sim senhores, com essa cara-de-pau. A mais simples análise sobre esse monstrengo logo faz sentir que ele foi incluído no processo como intencional tentativa de blindar a presidente Dilma, diante da crescente e merecida queda de sua popularidade.

Vou usar a metodologia jesuítica para embasar e explanar a minha convicção. (Um padre jesuíta, que assessorou as transmissões da TV GLOBO NEWS durante a JMJ observou que em todos os pronunciamentos públicos do papa Francisco, ele sempre selecionava três pontos essenciais no início, e que isso era parte da metodologia usada no magistério jesuítico). Assim, destaco os três pontos: a intenção, o conteúdo e a sintonia. Em primeiro lugar, ficou clara a intenção de blindar a presidente Dilma depois de seu desastrado, tardio e fantasioso pronunciamento após o início das manifestações de junho. A imagem patética da presidente foi uma mistura de soberba, empáfia e total alienação sobre a gravidade do momento. Em segundo lugar, o conteúdo das propostas apresentadas aos consultados foram todas tiradas do pronunciamento da presidente. Qualquer resposta escolhida iria de encontro ao que Dilma falou no mesmo pronunciamento, alvo de toda sorte de críticas de toda a imprensa livre. Não tenham dúvidas que daqui a alguns dias, as fontes do governo dirão que a população concorda com a presidente, escondendo que não havia alternativa na consulta para discordar. Em terceiro lugar, observem a sintonia havida com o chamamento do governo estadual para inserir a Reforma Política na consulta, o pronunciamento da presidente e o artigo escrito por Lula no Jornal The New York Times. Todos procuraram justificar que as manifestações aconteceram por causa dos avanços sociais havidos desde o descobrimento do Brasil em 2000. O povo estaria pedindo mais melhorias em todas as áreas (saúde, educação, transportes etc.) em reconhecimento a tantas melhorias já conquistadas desde 2000.

Os três pontos podem ser abordados pelo conjunto da obra. Com a avassaladora maioria que o PT construiu no Congresso Nacional, mercê a excelência de seus quadros mercantis, ele poderia ter feito a Reforma Política que bem entendesse, se fosse de suas prioridades. FHC até que tentou promovê-la, mas não dispunha de longe uma base parlamentar tão grande quanto Lula e Dilma tiveram. E a Reforma Política já é prioridade desde os primeiros anos da Constituição de 1988. A quem interessa (cui prodest?) postergar infinitamente a sua realização? Não havia momento mais inoportuno para apresentar o problema do que os dias de crescentes manifestações de insatisfação, porque o assunto precisa de muito debate e diálogo. O segundo pronunciamento da presidente conseguiu a façanha de ser mais desastrado do que o primeiro: feito na recepção ao papa, no Palácio das Laranjeiras, sede do governo do Rio de Janeiro, ela corrompeu toda a liturgia do momento se autoelogiando pelo excepcional governo que vinha fazendo, repetindo que o povo estava nas ruas para ratificar suas políticas públicas e pedindo mais melhorias, além de falar mais tempo do que o papa, que em ocasiões semelhantes sempre é o pronunciamento mais esperado. Além da soberba da Dilma e a humildade do papa, também contrastaram o solidéu do papa com o penteado de R$ 3.125 de Dilma. Com essas observações, julgo já ter apresentado razões suficientes para desmascarar mais essa esperteza oficial, na contumaz prática de esconder a real intenção de sua publicidade marqueteira, pecando contra a transparência, enganando o povo e tentando estancar a tendência de queda na popularidade da presidente, que é motivada pela corrupção sem precedentes e roubalheira generalizada em seu governo.

CURTAS: Faço questão de relembrar fatos, que ocorreram nos dias de protestos, alguns deles durante a própria presença do papa entre nós:

1) O presidente da Câmara Federal, enquanto o papa jantava seu prato peregrino, ofereceu um jantar aos companheiros de partido (PMDB) em sua residência, cujo cardápio era camarão graúdo, queijo especial não sei de onde, ao molho que nunca ouvi falar, regado a vinho que só os nobres conhecem. Os comensais eram perto de quarenta, e a conta que nós pagamos via Câmara, chegou a R$ 28 mil. O motivo invocado: discutir a postura da bancada do PMDB diante da queda da popularidade de Dilma.

2) Em meio às manifestações, o ministro da Fazenda anunciou um corte de R$ 10 milhões no orçamento do corrente ano. Desses valores, R$ 4,8 milhões se referiam ao corte de viagens e diárias. Pergunta que não quer calar: se para um período de meio ano o governo pode fazer um corte de R$ 4,8 milhões em viagens e diárias, quanto efetivamente ele gasta nisso em anos sem cortes? É mais ou menos do que ele gasta em saúde ou em educação?

3) Observação do jornalista Otávio Cabral, seção Holofote da edição de nº 2333 da Revista Veja: - “Se um adversário político tivesse escolhido acompanhantes de Dilma Roussef na primeira fila da missa de despedida do papa Francisco, no domingo passado, não teria feito melhor. Cristina Kirchner e Evo Morales, que dispensam comentários. Mas é a terceira companhia que menos deveria estar lá: Desiré Bouterse, presidente do Suriname, procurado pela Interpol por mais de uma década por tráfico internacional de drogas. Bouterse só consegue deixar seu país sem ser preso porque teve mandado de prisão suspenso graças à imunidade diplomática que ganhou por ser eleito, em 2010.” Observação minha: eles se merecem.

4) Comentário que ouvi sobre os voos turísticos da FAB e helicópteros públicos para transportar cadelinhas de estimação: -“No governo FHC, a corrupção engatinhava solta; no primeiro governo de Lula, ela andava solta; no segundo governo de Lula, ela corria solta; no governo de Dilma, ela voa solta; se essa turma continuar no poder, preparemo-nos para uma guerra nas estrelas.”.

  

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