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Por Chuvinha Hartmann. Publicado em 25/08/2013

CORRUPÇÃO E RELATIVISMO

Coluna semanal do coronel do Exército na reserva José Deomar Chuvinha Hartmann

1. Por acaso, durante o rotineiro chimarrão que antecede o almoço, passei os olhos na coluna de Alberto Aloísio Seibert, do jornal local Tribuna Livre do dia nove passado. Pessoa dócil, inteligente, equilibrada, ponderada, culta e muito amistosa, não há como concordar com a maioria de suas óbvias colocações, desde os tempos em que eu também era assinante do jornal. Infelizmente, nossos destinos não nos oportunizaram momentos que nos permitissem um convívio mais próximo e, consequentemente, um melhor conhecimento mútuo de nossas ideias e concepções. A despeito de todos os bons predicados do competente advogado Beto, permito-me discordar da sua visão sobre corrupção, esse câncer quer mantém em permanente metástase a política brasileira.

2. Lembro-me da primeira coluna que escrevi neste espaço. Nela manifestei que a leitura mais inteligente, profunda, objetiva e virtuosa que eu já fizera era a primeira homilia do Papa Bento VXI em seu pontificado, identificando e demonstrando que o relativismo era o maior problema social e moral da atualidade, discorrendo magistralmente sobre sua afirmação. Em síntese, identificou as três fontes da moralidade dos atos humanos: o objeto escolhido, o fim visado (intenção) e as circunstâncias da ação.

3. Os três tópicos sobre corrupção apresentados por Beto são a prova cabal da cultura relativista dos nossos tempos. Relativizando tudo, a tudo justificamos. Evidentemente que eu acredito que o Beto irá democraticamente aceitar o presente contraditório. Todo ato de corrupção é moralmente condenado. E a corrupção é um fenômeno mundial. O grande brasileiro é a impunidade, que talvez não tenha igual no mundo democrático. A institucionalização da corrupção pelos governos petistas possui dois pilares que lhe dão suporte: 1º) A compra de apoio parlamentar via mensalão e outros mecanismos criminosos permite uma maioria parlamentar sem precedentes, que permite ao Executivo atropelar toda a ordem moral estabelecida, transformando o Legislativo em mero fantoche para homologar os desvios éticos e morais do Executivo; 2º) O aparelhamento do Poder Judiciário para garantir a impunidade em face do cometimento de um desfile de ilícitos que envergonham o país.

4. A tendenciosa e promíscua atuação de Ricardo Lewandowski e Antônio Dias Toffoli no julgamento do mensalão, desafiando os fatos mais que comprovados sustentam a tese. Esse Dias Toffoli não passou em dois concursos públicos para exercer o cargo de juiz de carreira. Com as credenciais de ter sido assessor jurídico do PT na campanha do Lula, e depois de José Dirceu na Casa Civil, ele foi nomeado ministro pela sua condição de militante partidário, agora com poder de reformar as sentenças proferidas por juízes, cargo para o qual fora reprovado duas vezes.

5. Se os tucanos se corromperam na questão do metrô paulistano, que sejam julgados e exemplarmente condenados. Supostamente eles deixaram formar um cartel na licitação do metrô. A denúncia foi feita por Adilson Antônio Primo, ex-presidente da SIEMENS do Brasil, demitido pela matriz alemã por justa causa em 2011, após realizar auditoria que confirmou que ele havia desviado alta soma para uma conta particular em Luxemburgo. A SIEMENS possui algo em torno de 400 mil funcionários, e atua em todos os países do mundo, exceto a Coreia do Norte.

6. A formação de cartéis é algo comum em processos licitatórios. Às vezes eles se formam por incompetência dos licitantes, e às vezes com a conivência deles. Em grande parte de pequenos municípios, por exemplo, a aquisição de combustíveis e a licitação do transporte escolar é notoriamente cartelizada. Se os tucanos permitiram a cartelização, seja por conivência ou incompetência, deverão ser julgados e punidos de acordo com a gravidade de seus atos. Já o PT que tudo pode, decretou a dispensa de todos os processos licitatórios das obras do PAC e das que se direcionam para a realização dos grandes eventos: Copa das Confederações, Copa do Mundo e Olimpíadas. Já foi amplamente divulgado que todas, literalmente todas as obras para esses eventos, para a construção de estádios a obras de infraestrutura urbana, foram escandalosamente superfaturados, em percentuais tão elevados que nenhum cartel conseguiria superfaturar.

7. As investigações sobre o caso da SIEMENS já alcançaram, além de São Paulo, o Rio Grande do Sul, a Bahia, Minas Gerais e o Distrito Federal. Seu maior cliente é o governo federal. Que tudo seja rigorosamente apurado e punido. Não é por causa da inidoneidade do denunciante Adilson Antônio Primo que as denúncias podem ser desprezadas. Roberto Jefferson também denunciou o mensalão porque se sentiu prejudicado na divisão do roubo.

8. Por privilégio, recebo alguns informes cujas fontes preservo. De alguém muito próximo da ABIN, recebi a seguinte pérola: Uma agência de publicidade contratada pelo governo do Distrito Federal, teria “incentivado” Adilson Antônio Primo a fazer a denúncia contra os tucanos paulistas (coração do tucanato). Essa agência também seria especializada em confeccionar dossiês contra adversários políticos e a denúncia visaria minimizar e relativizar os efeitos da generalizada corrupção diariamente veiculada, envolvendo o governo federal, que teria o maior know how da formação de cartéis. Deve haver algo de verídico, pois as investigações também já chegaram ao Distrito Federal e governo federal. No caso, o tiro teria saído pela culatra.  

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