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Por Chuvinha Hartmann. Publicado em 24/11/2013

Banalidades

Coluna do coronel do Exército na reserva José Deomar "Chuvinha" Hartmann


Recebi na semana passada a honrosa visita de dois alunos da Escola Leopoldo Ost, para falar sobre o regime militar que se instalou no Brasil em 1964: seus erros, seus acertos e uma avaliação geral, se positiva ou negativa. O trabalho que eles estão realizando me ensejou escrever um pouco mais sobre o assunto. Em primeiro lugar, tem que ser considerada a conjuntura mundial da época: o expansionismo comunista mundial, a recente Revolução Cubana como embrião latino-americano desse expansionismo, o surgimento das FARC na Colômbia, também patrocinado pelo Movimento Comunista Internacional (MCI), e a divisão mundial entre dois pólos distintos, liderados um pelos EUA e o outro pela União Soviética.

Antes de 1964 não havia qualquer planejamento estratégico do desenvolvimento nacional. A administração pública do Brasil começou a tomar outros rumos a partir de um planejamento de desenvolvimento e segurança, seguindo a mesma metodologia adotada pelos Estados Unidos, cujo centro de irradiação no Brasil foi a Escola Superior de Guerra, que começou a ser frequentada não só por militares, mas com crescente participação de autoridades políticas e empresariais.

Desde o império as Forças Armadas do Brasil sempre foram vistas e atuaram como poder moderador. O bloco comunista perseguia quaisquer manifestações religiosas, classificando as religiões como opróbio do povo, uma alienação das pessoas. A marcha da Família com Deus pela Liberdade, que reuniu mais de 100 mil pessoas em São Paulo, foi organizada pelo avanço do socialismo ateu em nossa periferia.

Com certeza não teria demorado tanto o período de exceção, não tivesse a oposição, com movimentos terroristas de toda ordem, todos de inspiração comunista, proposto a luta armada, tanto que o Ato Institucional de número 5 foi editado quando já haviam decorrido quatro anos da eclosão do movimento revolucionário de 31 de março. Hoje já é transcorrido quase meio século desde o início do regime militar. Em 1964, ainda não haviam decorrido 30 anos desde a Intentona Comunista de 1935, quando, na calada da noite, algumas dezenas de militares foram mortos enquanto dormiam, por células comunistas infiltradas nos quarteis. Houve uma precipitação em Pernambuco para iniciar essa Intentona, o que possibilitou que ela fosse abortada nos outras unidades da federação. Essa Intentona é muito pouco apresentada aos estudantes, mas ainda havia muitas cicatrizes no meio militar, pois alguns filhos das vítimas daquela Intentona continuavam na carreira, e todos os altos postos do Exército foram contemporâneos da Intentona.

Essa turma que pegou em armas e hoje está no poder, ou no presídio da Papuda, onde muitos mais deveriam estar e por mais tempo, assaltava bancos, sequestrava autoridades nacionais e estrangeiras, cometia atentados terroristas, num dos quais morreu o jovem Mário Kozel Filho, de 19 anos, quando sentinela no QG do então Segundo Exército, seguramente um jovem inocente, em ação atribuída ao movimento VARPALMARES, que era integrado pela hoje presidente Dilma. Por quais razões a Comissão da Verdade não procura apurar a morte desse jovem e de inúmeros outros que também tombaram na luta proposta por aqueles que hoje estão no poder? Sempre argumentei que não podemos avaliar o regime militar só pelo que ele realizou, mas considerar também aquilo que ele evitou.

Justificar sequestros, assaltos a banco e atos terroristas pela motivação política é muito simplista. Aqueles que não concordam com a implantação da ditadura promovida pela corrupção generalizada pelos dias de hoje, pela compra de parlamentares, aparelhamento partidário das instâncias jurídicas e de toda parede estatal, a ditadura das medidas provisórias e uma série de mecanismos que, a despeito da lei, geram essa sensação geral de insegurança e coopta antigos adversários, deveria ter hoje o mesmo tratamento que possuíram os criminosos da época: basta invocar motivação política para os seus crimes, pois não precisamos estar de acordo com essa politicalha que a Nova República implantou.

Em termos numéricos, os perseguidos, mortos e desaparecidos durante todo o regime militar, não podem ser comparados com o fuzilamento de centenas de milhares no paredón de Fidel Castro, nos milhões de perseguidos e mortos em todos os países que haviam optado pelo comunismo, pelas dezenas de milhões de mortos por fome intencionalmente provocada na Rússia, e nos campos de trabalhos forçados, que foram os embriões dos campos de concentração nazista na 2ª Guerra Mundial. Dentre os oposicionistas ao regime militar que não pegaram em armas, destacam-se políticos dignos que puderam exercer suas atividades com total liberdade, dentre os quais Pedro Simon, Franco Montoro, Ulisses Guimarães, Tancredo Neves e outros tantos. Em comum, certamente eles não teriam se deixado cooptar pelo governo que temos, que optou por Jader Barbalho, Fernando Collor, José Sarney, Renan Calheiros, Paulo Maluff e outros com as mesmas qualificações.

Quando falo que na avaliação do período tem que ser consideradas não só as realizações mas também aquilo que foi evitado, apresento o argumento definitivo de nos comparar a Cuba: aqui sempre foram eleitos centenas de deputados, prefeitos e vereadores de oposição. Já em Cuba e em todos os países comunistas, reinava o partido único. Qualquer voz de oposição era sumariamente ou fuzilada, ou enviada a campos de serviços forçados, ou quando tinha mais sorte conseguiam fugir. E tem gente falando em democracia, defendendo o regime cubano, onde os ditadores irmãos Castro estão instalados a mais de meio século.

É inimaginável que, durante o regime militar, Black Blocs mascarados tomassem as ruas, incendiando veículos e prédios públicos e particulares, quebrando tudo o que encontravam pela frente, sem a correspondente reação das autoridades. Durante este ano, o crime organizado matou algumas centenas de policiais militares só em São Paulo, só na capital paulista foram cometidos mais de 5 mil assassinatos. E nenhuma dessas famílias recebeu a vista de solidariedade de Maria do Rosário e outros órgãos que se dizem defender os direitos humanos. E, a propaganda oficial, além de um cortejo infindável de fatos que envergonham o país, apresenta uma situação virtual de segurança, felicidade e bem-estar plenos. 

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