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Por Coluna da Alma. Publicado em 04/03/2013

Ah, não!

Coluna da ALMA - Gérson Lauermann

O sol se pôs diferente naquele dia. Os que o olhavam não chegavam a um consenso, se amarelo avermelhado, ou se vermelho amarelado.

Será que cor importa, se sabemos que um dia ele desaparecerá? Cientistas afirmam que daqui a 4,5 bilhões de anos, nosso astro rei fenecerá. Interessante preocupação, se sabemos que a água potável desaparecerá muito, mas muito antes disso.

Alheios a estas discussões todas, ou tolas, dois pequenos animais também miravam o por do sol. Imitando seus semelhantes do filme “Rei Leão” (que eles nem ideia faziam de quem seria), postavam-se nas patas traseiras e tentavam ampliar seu espaço, seu campo de visão.

Ao pé do morro, um pequeno menino, ainda ignorando a discussão acerca do por do sol e o fim dele, tampouco tinha preocupação com a água do nosso planeta. Olhava os pequenos roedores, tentando descobrir o que se passava por suas cabeças.

O pequeno turista já estava em seu terceiro dia de viagem, acompanhado de seus familiares. Empreendera seu primeiro passeio de mais de um dia. Se não bastasse isso, ainda visitara outros dois países, o que para ele não fazia muita diferença, exceto pela língua e expressões de seus habitantes.

Rios, piscinas, parques, animais, quase tudo era igual ao que ele já conhecia. Mas, queria conhecer mais e mais. Dividido, lembrava de sua casa. Seus brinquedos, seu banheiro, seu programa de TV favorito, seu quarto e, sua cama.

Como estariam seus dinossauros, seus cavalos, seus soldados. Desenhava mentalmente as batalhas que faria ao chegar em casa. Castelos de restos de madeira, alazões de plástico, soldados bravios. Até dinossauros participavam da batalha. Estranho. Mas, que importa, a batalha era dele!

No quarto dia, a saudade arrancou-lhe lágrimas dos amendoados olhos e não mais resistiu. Implorou para voltar à sua casa, aos seus animais, às suas batalhas, à sua cama.

Concluído o roteiro, voltava. Ele e seus familiares. Todos. Felizes. Cheios de novidades. Os primos certamente não acreditariam em tanta novidade que a irmã mais velha tinha a contar.

Ele, silente, bebia as distâncias, na ânsia de encurtá-las. O motor se apaga. A porta do carro se abre, ele salta e ganha a sala da casa. Olha rapidamente. Vê que está tudo no lugar.

Ruma para o quarto, onde se detém por um tempo. A saudade se foi, depois de um longo e demorado abraço à cama, com palavras de carinho que jamais iria revelar.

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