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Por Donato Heinen. Publicado em 29/07/2018

Notas e Apartes nº 1.261

Coluna publicada no jornal Gazeta Regional de 25-7-18


De Murmansk, Rússia

  Carro – A Luciana e eu iniciamos o percurso entre Moscou e Murmansk, de carro, na última quinta-feira. Foram mais de 2 mil km percorridos até domingo com um VW Polo seminovo, câmbio automático, alugado na capital russa, que estava com pouco mais de 4 mil km. É um carro econômico, chega a 18 km com um litro de gasolina na estrada, se mantida velocidade entre 90 e 100 km/h.

  Abandono – Durante a viagem, nos chamou atenção o grande número de casas e galpões abandonados e em ruínas, ou em fase de desmoronamento, que encontramos em diversas vilas e cidades às margens das rodovias. Em muitos casos, mesmo com a estrutura bastante comprometida, os imóveis continuam habitados. Nas outras regiões do país que eu tinha percorrido de ônibus e trem até agora, não havia encontrado nada similar.

Apartamentos – Outra situação que chama muito a atenção é que na maioria das cidades de tamanho médio da região praticamente não existem casas. Quase todas as habitações se localizam em apartamentos. Mesmo aqui em Murmansk, uma cidade com 300 mil habitantes.

  Murmansk – Em se tratando da milenar Rússia, Murmansk é muito jovem. Surgiu durante a Primeira Guerra Mundial, em 1915, com a construção de uma ferrovia em um local livre do gelo no Ártico Russo. Já em julho de 1916, o acampamento ferroviário recebeu status urbano, sendo que durante a Guerra Civil Russa, entre 1918 e 1920, Murmansk foi ocupada pelas potências ocidentais.

  População – Outro dado muito interessante sobre a cidade é a queda no número de moradores que Murmansk vem sofrendo ao longo das últimas décadas. O censo de 1989 acusou uma população de 468.039 habitantes. Esse número caiu para 336.137 pessoas em 2002 e 307.257 no censo de 2010. Já as estimativas em 2014 indicavam população de apenas 299.148 moradores. Mesmo assim, Murmansk continua sendo de longe a maior cidade dentro do Círculo Polar Ártico da Rússia.

  Florestas – O cultivo de florestas é uma das atividades econômicas da região. E as principais espécies vistas por aqui são idênticas àquelas que encontramos no Norte da Finlândia, cuja fronteira fica a cerca de 180 km a oeste de Murmansk. Já a Noruega, fica ainda mais próxima, a apenas 110 km. Isso porque, embora a Finlândia e a Suécia separem a Rússia da Noruega, um braço do território norueguês avança no rumo leste e chega até a fronteira com o extremo noroeste russo.

  Sol da meia noite – Muitos leitores já devem ter lido ou ouvido falar sobre o fenômeno do sol da meia noite, que ocorre em vários países cujo território de estende até o Círculo Polar Ártico. Murmansk fica nesse círculo. No período de 62 dias do ano – de 22 de maio a 22 de julho –, o “sol da meia noite” é visto em Murmansk e outras cidades da região. O “verão” é curto e apresenta temperaturas amenas, entre maio e setembro. Já durante o inverno, a temperatura média fica em torno de -14º. Entre 2 de dezembro e 10 de janeiro, ocorre a noite polar, um período de escuridão contínua durante o dia inteiro. Chove pouco, cerca de 500mm por ano.

  Frustração – Viajamos até Murmansk com o objetivo principal de ver o sol da meia noite, e justamente no domingo (22), último dia do fenômeno neste ano, choveu. Ficamos um pouco frustrados.  Mas na madrugada de ontem, com o céu claro, pudemos registrar belas imagens da claridade noturna no alto de um morro da cidade. É uma sensação estranha estar num local onde o dia inteiro permanece claro. Mas ainda mais estranho deve ser viver por aqui e ter 40 dias e 40 noites de escuridão durante o inverno.

    Donato Heinen

 
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