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Por Grande Santa Rosa Notícias. Publicado em 05/10/2018

O gajeiro do Novo Mundo

Por Ivar Hartmann


Filhos temporões, como no meu caso, com justiça são paparicados por pais e irmãos mais velhos. Que me davam livros e faziam-me ler sem descanso. Então, justifico porque não sei de que leitura aprendi a palavra gajeiro. Para nada serve, ninguém mais usa. Mas ela ficou gravada na minha mente. Coisas do nosso cérebro nos quais coabitam cerca de 60 bilhões de neurônios. Vocês, honestamente, acham que eles estão sempre alertas para nossos desejos? Sempre Alerta? Não são escoteiros! Então, ao assunto. Gajeiro era o pobre coitado que subia ao topo do mais alto dos mastros das velas de um navio de antigamente. Encarapitado em um pequeno cesto de vime, balançando para lá e para cá (imaginem o balanço!), ao frio e à chuva, para cuidar do horizonte. Navios, tempestades, aves, terras. Tudo que pudesse dar informações ao comandante lá embaixo. Nas viagens pelo Mediterrâneo ou pelo litoral atlântico da Europa e depois pelo Atlântico, sua grande missão era ter informações necessárias à viagem sem sobressaltos do navio. Missão importante. Uns versos falam do gajeiro de Colombo. Vocês lembram que Cristóvão saiu em busca deste Novo Mundo em três caravelas. Que a viagem demorava mais do que o previsto. Os alimentos e a água escasseavam e a tripulação estava pronta para um motim que é uma revolta dentro de um navio. Então Colombo dependia desesperadamente de uma boa notícia gritada pelo sujeito encarapitado lá em cima. E perguntava: “Gajeiro, gajeirinho, que vês no horizonte? Terras de Espanha, areias de Portugal?” e sempre a resposta: “Nem terras de Espanha, nem areias de Portugal. Vejo treze espadas nuas, para te matar!”

E assim por dias tenebrosos. A mesma pergunta. A mesma resposta. Nas caravelas que singravam estas águas da América a borrasca era iminente. Os marinheiros se desesperavam ante a cruel incerteza próxima. Seria o fim dos sonhos de tanta gente acariciados por tanto tempo. Fome, sede, navios a pique, cargas destroçadas, gente ao mar se afogando. Suas famílias seriam destruídas nesta desgraça, neste futuro que seria ainda pior que seu atual presente. Mulheres e filhas viveriam da prostituição. Pais e filhos, desempregados, correriam as ruas em busca de pão para sua fome. Funesto porvir. De repente, uma tarde, o gajeiro gritou: “Meu povo! Meu povo! Vejo terra no horizonte!” Como tantas vezes na América, na última hora, Deus provê.

Ivar4hartmann@gmail.com 

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