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Por Grande Santa Rosa Notícias. Publicado em 08/08/2018 as 12:27:35

“Eu tive uma história de sucesso na iniciativa privada”, disse o presidenciável Henrique Meirelles ao negar que é o candidato do governo Michel Temer

"Eu exerci o Ministério da Fazenda neste governo, como eu fui presidente do Banco Central no governo Lula", destacou. (Foto: Agência Brasil)


Na estratégia de se descolar do impopular governo de Michel Temer, o presidenciável Henrique Meirelles (MDB) disse na terça-feira (07) que não é o candidato do governo. “Eu sou um candidato da minha história. Eu tive uma história de sucesso na iniciativa privada”, afirmou a jornalistas na saída de uma conversa com o apresentador Luciano Huck sobre propostas de agenda digital para o setor público.

“Eu recebo o endosso de líderes do partido [MDB] no Brasil inteiro”, despistou, ao ser confrontado com a afirmação de que o presidente e seu colega de partido é o principal fiador da candidatura. “Aceito o apoio dele [Temer]. Eu aceito o apoio de todas as lideranças que queiram apoiar um projeto que é importante para o País. Inclusive, aceito o apoio de vocês, se vocês quiserem”, falou a repórteres.

“Eu não estou aqui selecionando quem pode ou não pode me apoiar, porque inclusive seria uma arrogância.” O candidato disse que a baixa popularidade do presidente “não interfere absolutamente nada” em sua campanha. O governo é considerado ruim ou péssimo por 82% dos brasileiros, segundo o Datafolha. “Isso é uma avaliação que não tem nada a ver com o meu trabalho”, disse o presidenciável.

Meirelles deu entrevista a Huck no GovTech, encontro realizado em São Paulo sobre o uso de tecnologias por governos. O comunicador e empresário foi um dos curadores da programação. Na conversa com o apresentador, Meirelles também procurou se distanciar do atual presidente da República. “Eu não sou o candidato do governo”, disse ele, corrigindo uma pergunta do apresentador sobre medidas da gestão Temer na área tecnológica. “Eu exerci o Ministério da Fazenda neste governo, como eu fui presidente do Banco Central no governo Lula [PT]”, destacou.

O candidato, que iniciou sua fala comparando tempos digitais e analógicos, aproveitou um exemplo para alfinetar dois adversários na corrida eleitoral. “Antigamente, o pregão da Bolsa de Valores era todo mundo gritando. Parecia Ciro [Gomes] e [Jair] Bolsonaro hoje em dia”, afirmou o ex-ministro sob risos da plateia.

Ciro e Bolsonaro não participaram do evento. Os principais candidatos foram convidados, segundo a organização. Compareceram, além de Meirelles, Geraldo Alckmin (PSDB), Guilherme Boulos (PSOL), João Amoêdo (Novo) e Marina Silva (Rede). O ex-ministro se disse favorável à transparência do governo, à privacidade de dados do cidadão e à criação de um sistema único de identificação digital. ​

Trajetória

Natural de Anápolis (GO) e formado em engenharia civil, o ex-ministro completará 73 anos em 31 de agosto. Antes de ingressar na política, ele fez carreira como executivo da área financeira, com atuação internacional. Ocupou o cargo de presidente do Bank of Boston no Brasil entre 1984 e 1996, quando foi escolhido para ser presidente mundial da companhia.

Em 2002, filiado ao PSDB, Meirelles se elegeu deputado federal por Goiás. Ele não exerceu o mandato para assumir a presidência do BC a convite do recém-eleito presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Meirelles comandou a instituição de 2003 a 2010, nos dois mandatos de Lula.

Fora do Banco Central, Meirelles atuou como presidente do Conselho da J&F, controladora da JBS/Friboi. Em maio de 2016, foi nomeado ministro da Fazenda por Temer, que assumiu a Presidência após o afastamento e posterior impeachment de Dilma Rousseff. Meirelles permaneceu no governo até abril deste ano.

O Sul


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