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Por Donato Heinen. Publicado em 09/10/2018 as 10:57:36

Marcel van Hattem: "A onda de direita resulta da saturação das pessoas com o establishment"

Eleito deputado federal com 349,8 mil votos, político de 33 anos defende privatizações e redução de financiamentos públicos


Marcel van Hattem (ao centro, de punho erguido) vê nas privatizações um passo decisivo para a modernidade do país (Talles Kunzler / Divulgação)

campeão de votos para a Câmara Federal, no Rio Grande do Sul, é um jovem ideólogo de direita, Marcel Van Hattem (Novo). Ele prega, de forma assumida, as privatizações como mola-mestra da economia e redução dos financiamentos públicos em vários setores do país. Inclusive sua campanha, consagrada com 349,8 mil votos, não aceitou doações de dinheiro público, como os fundos partidário e eleitoral. Nessa entrevista, 24 horas após ser eleito, ele comenta sobre a onda direitista no país. 

O senhor credita esta vitória a quais fatores?

A um mandato bem feito, uma trajetória coerente com as ideias e a uma campanha que levou as pessoas a se engajarem e pedirem votos, mesmo sem nunca terem se envolvido em política. A maior parte dos meus apoiadores nunca foi cabo eleitoral de nenhum candidato. Não usamos dinheiro público - é um princípio do Partido Novo. Nada, nem fundo eleitoral, nem partidário, zero dinheiro público. Desde maio recebemos mais de mil doações de pessoas físicas, que se traduziram em votos. Eles se sentiram parte de um projeto.

Como foi a sua estratégia de campanha para chegar aos eleitores?

Quando saí do mandato na Assembleia Legislativa, troquei de partido (saiu do PP) e comecei a pré-campanha. Fizemos mineração no Facebook. Mandamos material de campanha para mais de 2 mil pessoas e aconselhamos que pedissem votos a seus familiares. Usamos forte as redes sociais. Tiveram um papel muito maior que o horário eleitoral. O Novo teve cinco segundos de horário eleitoral e eu, só quatro inserções. Já no Facebook tive 50 mil novas curtidas desde que comecei a campanha. No WhatsApp temos mais de 12 mil cadastrados. Recebiam toda hora nossos vídeos.

Quais  serão as suas prioridades na Câmara dos Deputados?

Como já disse, fiscalizar privilégios, zelar por privatizações, para reduzir o tamanho da máquina pública, pela desburocratização e na defesa das reformas necessárias ao país.

Apesar de ser assumidamente de direita, em meio à onda crescente da apoio ao Bolsonaro, o senhor optou por um caminho mais difícil, apoiou o João Amoêdo. Por que?

Optei pelo melhor candidato, que é o João Amoêdo. Ele é o único que rompe com a velha política, na teoria e na prática. Inclusive ao não usar dinheiro público e só deixar que se filiem pessoas com ficha limpa. Temos coerência. O Amoêdo nunca concorreu, mas demonstra liberalismo na sua vida pessoal. Já o Bolsonaro, apesar de estar agora com um discurso mais liberal, na prática muitas votações dele foram no sentido contrário ao que hoje ele diz defender. 

Na hipótese de Bolsonaro ser eleito presidente, o senhor será um deputado da base aliada?

Não é só no Brasil, é no mundo todo. É uma saturação das pessoas com o establishment. É com a política, com a burocracia, com a mídia. As pessoas desconfiam de tudo que vem encaixotado e pronto para uso. Elas se questionam mais.

Sim. Claro que num segundo turno, entre Bolsonaro e PT, de combate a privilégios e reformas necessárias no país, fico com ele.

O senhor era apoiador do MBL. Ele teve algum papel na sua eleição atual? Sabemos que o movimento está dividido, no país e no Rio Grande do Sul.

Nessas eleições fiz a campanha de forma independente. Enviaram um termo para eu assinar, como uma espécie de selo de compromisso com o MBL. Não gosto de burocracias, não assinei, preferiram outras candidaturas. Apoiaram a Paula Cassol, do PP. Mas estou certo que muita gente ligada ao MBL votou em mim. É um movimento que foi muito importante em organizar protestos e denunciar abusos da esquerda.

A que o senhor atribui essa onda de voto em candidatos de direita? O que aconteceu no Brasil?

Não é só no Brasil, é no mundo todo. É uma saturação das pessoas com o establishment. É com a política, com a burocracia, com a mídia. As pessoas desconfiam de tudo que vem encaixotado e pronto para uso. Elas se questionam mais. Vimos na Europa com o Brexit e com o Macron (na França), com o Trump nos Estados Unidos e, agora, no Brasil com a onda que varre a teoria e a prática da esquerda marxista. Corrupção não tem ideologia, ok, sabemos que existe em todos os países. Mas o marxismo necessita de corrupção para sobreviver, a Venezuela é exemplo disso. O povo não tolerou petistas indo a Curitiba para defender um criminoso condenado por corrupção. Eleitores viram que o compromisso era maior com ele que com o Estado de Direito. 


Gaúcha ZH


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