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Por Donato Heinen. Publicado em 10/10/2018 as 10:55:51

Quem saiu mais forte e quem se enfraqueceu no primeiro turno das eleições de 2018

Com alta taxa de renovação, políticos com vários mandatos ficaram de fora


O veredito das urnas é implacável. Consagra os eleitos e relega ao ocaso os desprovidos de prestígio popular. Não foi diferente no último domingo, quando os gaúchos escolheram dois senadores, 31 deputados federais e 55 deputados estaduais.  

No filtro estabelecido pelo eleitor, ficaram pelo caminho políticos tarimbados e com vários mandatos no currículo. A desaprovação do governo do presidente Michel Temer (MDB) não poupou seu vice-líder na Câmara, Darcísio Perondi (MDB), e seu ex-ministro do Trabalho Ronaldo Nogueira (PTB). Recordistas de mandato na Assembleia Legislativa, senadores atuais e do passado, parlamentares investigados na Lava-Jato e até mesmo quem aumentou a votação em relação a 2014 não conseguiu aval para um outro ciclo de quatro anos na arena parlamentar.

Por outro lado, as urnas também revelaram novos expoentes da política gaúcha. São jovens promessas e renomados veteranos que venceram desafios particulares para saltar de patamar no cenário estadual. Confira ao lado quem cresceu de tamanho após o escrutínio popular e quem viu esvair suas pretensões eleitorais. 


Os enfraquecidos

Adílson Troca (PSDB)

Com 30 anos de vida pública, Troca foi o primeiro vereador do PSDB no Estado, em 1988. Vice-prefeito de Rio Grande e deputado estadual por cinco mandatos, representa o setor pesqueiro na Assembleia Legislativa. Sua tentativa de reeleição acabou frustrada nos escassos 19 mil votos obtidos no domingo, sua segunda pior votação.


Ana Amélia Lemos (PP)

Principal nome do PP gaúcho, Ana Amélia já havia encolhido em 2014, quando não conseguiu passar para o segundo turno na disputa pelo governo do Estado. Agora, ficou sem mandato ao trocar uma reeleição quase certa pela vaga de vice de Geraldo Alckmin (PSDB). Apesar do futuro incerto, nega que vá trocar de partido.  


Beto Albuquerque (PSB) 

Líder maior do PSB no Estado, foi deputado federal por cinco mandatos. Em 2014, ascendeu nacionalmente ao ser vice na chapa de Marina Silva.Perdeu o comando do PSB-RS, mas manteve a influência ao neutralizar o colega de partido José Fortunati e disputar sozinho o Senado. Ficou em terceiro lugar e segue sem mandato.


Darcísio Perondi (MDB)

No sexto mandato de deputado federal, Perondi finalmente deixou o baixo clero. Estrategista do impeachment, foi elevado a vice-líder do governo na Câmara. Mas os eleitores não pouparam sua defesa intransigente de Michel Temer. Fez apenas 38 mil votos, menos da metade do último emedebista eleito, Osmar Terra. 

João Fischer, o Fixinha (PP)

Um dos mais antigos deputados estaduais em atividade, Fixinha está no sexto mandato consecutivo. Ex-sapateiro, atua como porta-voz do setor calçadista, mas a crise que abala a indústrianos vales do Sinos e do Paranhana acabou atingindo também sua votação. Com 29 mil votos, teve a segunda pior performance eleitoral da carreira.


José Fogaça (MDB)

Ex-prefeito de Porto Alegre e ex-senador, Fogaça é um dos mais renomados políticos gaúchos. Estava na suplência do MDB na Câmara, mas a liderança nas pesquisas ao Senado projetava um retorno triunfal. Acabou abatido pela onda que catapultou nomes ligados a Jair Bolsonaro (PSL), ficando num surpreendente quinto lugar.

José Fortunati (PSB)

Sucessor de Fogaça na prefeitura, Fortunati foi escolhido pela segunda vez ao cargo no primeiro turno em 2012 e sonhava com o Senado. Trocou o PDT pelo PSB com a promessa da candidatura, mas o partido lhe negou a vaga. Sem opção, concorreu a deputado federal, sem sucesso. E viu a mulher, Regina Becker, não ser reeleita deputada estadual.


José Otávio Germano (PP)

Mais encrencado político gaúcho na Lava-JatoJosé Otávio fez míseros 27 mil votos, um terço da votação anterior. Réu em duas ações penais no Supremo Tribunal Federal, perde o foro privilegiado após quatro mandatos consecutivos de deputado federal. Antes da campanha, envolveu-se em um escândalo por dívida com transsexuais. 

Marco Maia (PT)

Estrela ascendente do partido, Maia teve atuação destacada em CPIs, chegou ao comando da Câmara e ocupou mais de uma vez a Presidência interina da República. Tentava se eleger ao quinto mandato, mas fez apenas 48 mil votos, metade do último eleito do PT. Com três inquéritos na Lava-Jato, foi alvo de busca e apreensão em sua casa.

Pedro Ruas (PSOL)

Único deputado estadual do PSOL, Ruas ampliou a votação, mas não conseguiu se reeleger. Dos 32 mil votos em 2014, passou para 53 mil, porém acabou vencido pelo quociente eleitoral. Um dos mais ferrenhos opositores do governo Sartori, fica sem mandato a partir de fevereiro e deve tentar a Câmara de Vereadores em 2020.

Ronaldo Nogueira (PTB)

Pastor evangélico e até então deputado federal de pouco destaque, Nogueira foi promovido a ministro do Trabalho de Michel Temer. Na pasta, comandou a gestação e aprovação da reforma trabalhista. Deixou o cargo para voltar a Câmara e tentar a reeleição. Escondeu a reforma durante a campanha. Mesmo assim, não conseguiu ser escolhido pelas urnas.

Yeda Crusius (PSDB)

Ex-governadora, Yeda era suplente de deputada federal e assumiu o mandato após Nelson Marchezan ser escolhido prefeito de Porto Alegre. Em busca de reeleição, fez a segunda campanha mais cara do Estado, com R$ 2,09 milhões. Não adiantou. Yeda ficou em 14º na coligação, com 37 mil votos — pouco mais da metade dos 71 mil de 2014.

Os fortalecidos

Any Ortiz (PPS)

Mulher mais votada para a Assembleia Legislativa, Any saltou de 22 mil votos em 2014, quarta menor votação entre os eleitos, para 94 mil votos agora. A ascensão fez da ex-vereadora uma das surpresas do pleito e a credencia para voos maiores. Ela discute nesta quarta, em Brasília, eventual candidatura à prefeitura de Porto Alegre em 2020.

Fernanda Melchionna (PSOL)

Reconhecida pela combatividade, Fernanda Melchionna conquista a primeira cadeira de deputada federal do PSOL desde 2011. Vereadora em terceiro mandato, obteve 14 mil votos em 2014, a maior da cidade. Agora foram cem mil a mais — 114.302 votos. O desempenho faz dela uma das alternativas da esquerda para a prefeitura da Capital em 2020.  

Luciana Genro (PSOL)

Uma das principais vozes da esquerda gaúcha, Luciana volta à arena política quatro anos após concorrer à Presidência da República. Ex-deputada estadual e federal, liderou as pesquisas pela prefeitura de Porto Alegre em 2016, mas acabou em quinto lugar. Agora volta à Assembleia Legislativarespaldada por 73 mil votos.

Luis Carlos Heinze (PP)

Deputado federal no quinto mandato, Heinze foi o mais votado da bancada em 2014. Valeu-se da performance para concorrer ao Piratini, mas acabou atropelado pela aliança com Eduardo Leite (PSDB).Disputou o Senado a contragosto, estava em quinto lugar nas pesquisas e se tornou o mais votado. Em 2022, pretende tentar o Piratini.

Marcel Van Hattem (Novo)

Fenômeno eleitoral da direita, Van Hattem fez da Assembleia seu trampolim. Vereador em 2004 em Dois Irmãos, nunca mais havia sido eleito. Suplente em 2014, assumiu o mandato e atuou com independência em defesa do liberalismo. Migrou do PP para o Novo e foi o deputado federal mais votado do Estado, com 348 mil votos.

Onyx Lorenzoni (DEM)

Fiel aliado de Jair Bolsonaro (PSL), foi um dos coordenadores da campanha do presidenciável. Admitiu ter recebido caixa 2 na campanha de 2014, mas a proximidade com o militar evitou prejuízo eleitoral. Foi o segundo mais votado à Câmara, com 183 mil votos, e ajudou na eleição de dois deputados estaduais, algo inédito no DEM desde 2006.  

Gaúcha ZH


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