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Por Grande Santa Rosa Notícias. Publicado em 13/08/2019 as 11:12:48

Na separação, pais precisam preservar seus papéis

Especialista lembra que o casal se separa, mas os pais não


Quando um bebê nasce, fica em uma situação de dependência absoluta daqueles que estão responsáveis pelos seus cuidados - função normalmente exercida pelos pais. Nesse sentido, aquela vida que acabou de chegar precisa do amparo incondicional das figuras materna e paterna tanto para a sobrevivência física quanto para a psíquica, para que possa crescer, se desenvolver e construir a sua personalidade de uma forma saudável. Mas como manter essa relação de cuidado harmoniosa quando os pais estão separados? O fim do relacionamento é comum, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), um a cada três casamentos termina em divórcio no Brasil, exige cuidados para proteção das crianças.

A psicóloga e psicoterapeuta infantil Nadia Marques explica que o ponto mais importante a ser levado em consideração nestes casos é que os pais precisam separar seus problemas como casal da relação com a criança. “Quando acontece uma separação, muitas vezes o casal confunde o relacionamento conjugal com a função materna e paterna e a criança fica incluída numa questão que não é dela. Ela não pode ficar misturada nos sentimentos do pai e da mãe em relação ao seu parceiro, que muitas vezes são de ressentimento, mágoa e tristeza. Por isso é importante ajudarem um ao outro a preservar a relação materna e paterna”, esclarece. Ela também destaca que o restante da família e amigos que convivem com a criança também desempenham papel significativo no sentido de preservar o valor dos pais na vida dela. “É fundamental garantir que a função materna e paterna sejam preservadas pela importância que têm não só na infância, mas na adolescência e na vida adulta, que ambos são modelos importantes de identificação para a criança”, enfatiza.

Outro ponto trazido pela profissional é a necessidade do diálogo. “É essencial que os pais expliquem para o filho os motivos pelos quais o casal resolveu se separar e assegurem a ele que continuarão a serem seus pais, e que continuarão a cuidá-la, de uma outra maneira, numa outra organização familiar, mas que esses papéis fiquem separados dos de marido e mulher”, explica. E assim como um casal que mantém a relação intacta vai discordar em questões do manejo com seus filhos, isso também vai acontecer com o casal separado. “Pode ser um pouco mais difícil, no entanto, é possível que aconteça da melhor forma desde que o relacionamento de pai e mãe não fique misturado com o de marido e mulher. Esse é um ponto de partida para que cada casal possa encontrar dentro do seu funcionamento e da sua realidade esse ponto de equilíbrio”, completa.

Como preservar a figura do pai

Mas qual é o papel do pai na vida de uma criança? Nadia explica que os pais têm papéis complementares. “O pai ou quem exerce essa função tem uma importante participação no sentido de auxiliar a mãe e a criança a ‘se separarem’, ou seja, que existe outra realidade além daquela conhecida por ela num primeiro momento, dentro da barriga da mãe e sendo amamentado por ela. O pai vai trazer essa possibilidade de apontar para a criança que através dele ela pode conhecer outro tipo de relação”, esclarece. 

A separação traz um nova estrutura familiar, em que normalmente o convívio com o pai não é mais diário. Porém, a relação e participação dele na vida da criança deve ser mantida. Segundo Nadia, a mãe exerce um papel importante para que isso aconteça da melhor forma. “É determinante que ela auxilie a criança conversando sobre o que aconteceu, ajudando a diferenciar a relação dela com o namorado ou marido que não pôde mais ser mantida com a de pai, que precisa ser zelada”, esclarece. Ela acrescenta que é preciso explicar para a criança que irão ocorrer modificações na rotina, mas é preciso garantir que o pais e a criança vão continuar se encontrando. 

Nadia lembra que muitas vezes o casal se atrapalha porque inclui a criança nos seus problemas, que acaba ficando a serviço das desavenças deles, e muitas vezes acaba sendo usada como moeda de troca ou sendo uma maneira de um atingir o outro. “Enfatizo que o esforço maior é poder reconhecer no seu ex-parceiro, que não é ex-pai ou ex-mãe, as qualidades que eles têm para continuarem desempenhando as suas funções materna e paterna. Poder valorizar isso para a criança, e separar a raiva, mágoa, tristeza, indignação, daquilo que é da função de pai e mãe e poder resolver ou não essas outras questões numa outra esfera que não seja a da criança no seu lugar de filho”, finaliza. Não é fácil, mas necessário.

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