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Por Donato Heinen. Publicado em 13/02/2020 as 17:28:45

O dólar alto não é bom para todo mundo, como diz o ministro da Economia

Colocação ocorreu no mesmo discurso da declaração infeliz de Paulo Guedes sobre domésticas indo para a Disney


O ministro da Economia até tentou amenizar o impacto depois, mas a frase "Empregada doméstica estava indo para Disney, uma festa danada" já tinha ofuscado o restante da fala de Paulo Guedes nessa quarta-feira (12). Além da colocação completamente inadequada, o que costuma ocorrer quando ele está mais irritado com algo do governo, Guedes também disse que o dólar alto é bom para todo mundo. 

Não é. E não afeta só quem quer abraçar o Mickey uma vez por ano. Aliás, o câmbio só não está preocupando mais, inclusive o próprio governo federal, porque outros fatores deram uma segurada na alta da inflação. O preço da carne recuou e o receio de desaceleração global com o coronavírus fez o preço do petróleo cair, fazendo a Petrobras cortar preços nas refinarias brasileiras. 

 Nós consumimos muitos produtos importados, seja por não serem produzidos no mercado interno, seja por serem mais baratos lá fora. O impacto do dólar atinge preços de itens básicos, como o pão feito de trigo comprado do exterior. Outros produtos típicos dessa época do ano e que sentem o câmbio são os materiais escolares, já que até lápis é trazido de fora. 

Até mesmo dizer que é bom para o exportador é um pouco simplista. Muitas empresas que vendem para o exterior também importam, sejam insumos para produzir ou mesmo as máquinas usadas dentro das fábricas. Esse custo maior é repassado para o preço, também gerando inflação. Fazê-las comprar do mercado interno deve ser feito dando mais competitivade à produção nacional, mas não com o câmbio e sim, por exemplo, atacando a burocracia e a alta carga tributária, sem falar de outros gargalos, como infraestrutura. 

A exportação é boa e essencial para a economia, não há dúvida. Em especial, do Rio Grande do Sul. Recordes de embarques são comemorados. Mas também deve ser considerado seu impacto na inflação, já que o mercado interno passa a "competir" com os compradores externos, que estão com um dinheiro mais "poderoso".  E, mesmo com o dólar alto do ano passado, as exportações gaúchas caíram 12,5%.

Certamente, há quem se beneficie do dólar nas alturas, como quem exporta sem precisar importar e não precisa se preocupar com um eventual impacto da alta da inflação no seu cliente. Também é bom para quem aposta no turista estrangeiro, que vem com dólares e acha que o Brasil está barato. Mas aí os preços sobem, como mostra o verão do Nordeste e do Rio de Janeiro, e o brasileiro não consegue viajar tanto pelo país, como o ministro Paulo Guedes sugeriu no mesmo discurso.

Enfim, conduzir a economia é uma eterna busca pelo equilíbrio. Até mesmo o juro baixo, que é bom para o país, mas tem influência na manutenção do real desvalorizado por reduzir a entrada da moeda norte-americana no Brasil. Então, o câmbio alto não é bom para todo mundo, como diz o ministro. Guedes pode mandar mensagens para o Banco Central e os investidores de outra forma e sem criticar as viagens das empregadas domésticas para a Disney. 


Colunista Giane Guerra (giane.guerra@rdgaucha.com.br)

Colaborou Daniel Giussani (daniel.giussani@zerohora.com.br) 

Gaúcha ZH


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