Mieth MadeirasBlumen Platz Center - Outubro de 2015
Por Donato Heinen. Publicado em 22/02/2020 as 18:49:23

De onde sai o dinheiro vivo da propina que circula em malas e cuecas?

Uma apuração alentada e exclusiva revela


Os milhões de reais desviados de órgão públicos e estatais saem do nosso bolso, já sabemos.

Mas de onde saem os milhões de reais em dinheiro vivo (sim, em espécie) que circulam por aí em malas e cuecas de corruptos e corruptores?

Talvez você já tenha se perguntado isso. O repórter Fabio Leite, da Crusoé, responde à sua questão, em uma apuração alentada e exclusiva: 

Separamos dois trechos para sua leitura.

O primeiro é a abertura da reportagem…

Na Rua 25 de Março, quem paga em cash ganha desconto. A máxima é um dos atrativos que levam diariamente milhares de consumidores ao mais famoso comércio popular do país, no centro histórico de São Paulo. Lá, eles encontram uma variada gama de produtos baratos, como brinquedos, roupas e eletrônicos, a maioria importada da China… Delações de doleiros, depoimentos de operadores e registros de transportes de valores obtidos por Crusoé mostram, em detalhes, como a 25 de Março funcionou como uma espécie de Casa da Moeda do mercado paralelo que abasteceu grandes esquemas de corrupção, como o da Odebrecht

… o segundo revela como funcionava o esquema — da coleta do dinheiro em espécie até o depósito nas mãos dos intermediários e, da mão deles, para o suborno de agentes públicos:

“Um empresário que confessou comandar uma rede de empresas de fachada que produziam notas frias para o consórcio de limpeza de rua de São Paulo contou em delação premiada que Jack [o doleiro chinês Lung Tien The] gerou cerca de 10 milhões de reais em espécie no comércio popular em apenas oito meses. O chinês indicava as contas das importadoras de produtos da China para realizar as transferências de dinheiro. Depois, revendia a mercadoria importada para os lojistas da 25 de Março e entregava o dinheiro em espécie que recebia como pagamento dos comerciantes no escritório de advocacia do pai do delator, cobrando uma comissão de até 2,5% pela operação. Era lá que os intermediários das empresas de lixo buscavam as quantias destinadas ao suborno. Em uma ponta, dinheiro desviado de contratos públicos pagava os fornecedores dos lojistas do centro e, na outra, as notas de reais entregues pelos consumidores interessados nos descontos financiavam políticos mancomunados com os desvios..”. 


O Antagonista


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