Manoel Dantas Loyola

Manoel Dantas Loyola, conhecido no cangaço pelo apelido de Candeeiro, entrou para a história como um dos raros sobreviventes do ataque que pôs fim ao reinado de Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião. Na madrugada de 28 de julho de 1938, na Grota de Angico, em Sergipe, o bando foi surpreendido por uma volante policial em um cerco fulminante que resultou na morte de Lampião, Maria Bonita e vários de seus cabras.
Durante o tiroteio, Candeeiro foi atingido no braço, ficando seriamente ferido. Em meio ao caos, aos estampidos e à visão dos companheiros tombando, ele conseguiu escapar pela mata fechada, carregando não apenas o ferimento físico, mas também o impacto psicológico daquele momento decisivo. Segundo relatos posteriores, ali mesmo, ferido e acreditando que dificilmente sobreviveria, Candeeiro fez uma promessa a si próprio: se conseguisse sair com vida daquele inferno, abandonaria de vez o cangaço e se entregaria às autoridades.
E assim fez. Após dias vagando e se recuperando como pôde, Candeeiro apresentou-se às autoridades em Jeremoabo, na Bahia, encerrando sua trajetória como cangaceiro. Julgado e condenado, cumpriu sua pena e, ao deixar a prisão, retornou à vida civil em Pernambuco, longe das armas, das perseguições e do sangue que marcaram sua juventude.
Candeeiro viveu longamente, tornando-se uma testemunha viva de um dos capítulos mais emblemáticos da história do sertão nordestino. Faleceu em 2013, aos 97 anos, sendo um dos últimos remanescentes diretos do grupo principal de Lampião. Sua história simboliza não apenas a brutalidade do fim do cangaço, mas também a possibilidade de ruptura com aquele mundo, marcada por dor, medo e uma promessa feita à beira da morte
Tesouros Reais


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