Do Irã ao seu bolso: o que a guerra no Oriente Médio muda no Brasil

O petróleo Brent registrou altas entre 7% e 13% nas aberturas de mercado após os ataques. A grande incógnita para os analistas reside na duração do conflito e na integridade logística das rotas de escoamento.
Rogério Ceron, secretário do Tesouro Nacional, foi enfático nesta segunda-feira (2): "A escalada da guerra no Oriente Médio pode afetar a economia brasileira, caso o preço do petróleo ultrapasse os US$ 100". Ele ponderou, entretanto, que no patamar atual — entre US$ 75 e US$ 85 — o risco inflacionário imediato ainda é contido pela valorização recente do real.
Sara Paixão, analista de macroeconomia da InvestSmart XP, reforça a centralidade do gargalo logístico. "Esse evento tem diversas implicações na economia global", afirma. Para ela, o Estreito de Ormuz é o nó crítico da crise: qualquer interrupção no fluxo que passa por ali tem "impactos imediatos no abastecimento e na formação de preços" em escala mundial.
Verônica Cardoso, diretora da LCA Consultoria e especialista em comércio exterior, reforça essa leitura. Para ela, a preocupação central reside na "possível restrição de oferta de petróleo", cujo impacto real dependerá de o conflito se tornar ou não prolongado.
"Embora, até o momento, não existam bloqueios ou bombardeios diretos nesta via logística crucial, a mera expectativa de uma restrição na oferta já desencadeou movimentações preventivas nas bolsas e no mercado de câmbio", avalia.
O centro das preocupações, de fato, é o Estreito de Ormuz, o corredor marítimo entre os Emirados Árabes Unidos e o Irã, por onde transitam entre 20% e 35% do fluxo global de petróleo e gás natural liquefeito. O chamado "prêmio de Ormuz" — o risco embutido nas cotações do petróleo pela possibilidade de bloqueio do estreito — tornou-se o principal termômetro da crise.
"Qualquer ameaça ou interrupção neste ponto eleva o prêmio de risco da commodity (produto de base)", alerta Cleiton Souza, sócio-fundador da Private Investimentos.
Em um cenário de bloqueio prolongado, analistas do Banco Safra e da Suno Research projetam que o barril poderia atingir entre US$ 100 e US$ 120.
Lucas Sigu, sócio-fundador da Ciano Investimentos, aponta um risco pouco discutido. "Praticamente todos os setores dependem do petróleo de uma maneira indireta", diz. Ele cita logística e transporte como canais de transmissão do choque energético para o restante da cadeia produtiva.
Roberto Simioni, economista-chefe da Blue3 Investimentos, destaca que a ação americana introduz uma "volatilidade institucional significativa". Segundo ele, "se a interrupção de 20% no fluxo pelo Estreito de Ormuz persistir por mais de um mês, podemos ter desdobramentos mais graves", incluindo a ruptura de cadeias globais de valor.
Gazeta do Povo

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