Dívidas das famílias explodem no país e Banco Central liga sinal de perigo
Fachada do prédio do Banco Central do Brasil | Foto: Arnaldo Jr/Shutterstock
Índice de endividamento chegou a 49,8% em março, patamar mais alto desde 2005, enquanto governo relança Desenrola Brasil
O comprometimento financeiro dos lares brasileiros alcançou níveis sem precedentes e segue em trajetória ascendente. Na quarta-feira, 3, o Banco Central (BC) divulgou dados que evidenciam a gravidade do cenário: em março, o índice de endividamento das famílias atingiu 49,8%, valor próximo do maior já registrado desde 2005. O comprometimento de renda, por sua vez, ficou em 29,3%.
Os cálculos levam em conta o saldo das dívidas no mês comparado à renda acumulada em 12 meses, no caso do endividamento. Já o comprometimento de renda é obtido pela relação entre o saldo de dívidas e a renda mensal disponível.
Dívidas mais caras pressionam o orçamento doméstico
Segundo o Comitê de Estabilidade Financeira do BC, o avanço do crédito com custos elevados tende a agravar ainda mais esse quadro. O órgão recomendou atenção redobrada ao setor, destacando que o peso das dívidas mais caras contribui de forma significativa para comprimir o orçamento das famílias no país.
A instituição também apontou que, do lado das famílias, o crescimento do crédito diminuiu nas modalidades de maior risco. Contudo, esse ritmo ainda permanece superior ao observado na carteira de menor risco.
Governo relança Desenrola Brasil de olho no superendividamento
Diante do agravamento da situação financeira dos brasileiros, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva decidiu relançar o Desenrola Brasil. O programa oferece descontos de até 90% na renegociação de dívidas, com juros limitados a 1,99% ao mês.
Em ano eleitoral, a nova fase do Desenrola Brasil funciona como aposta do governo para melhorar sua imagem junto à população. Há ainda a previsão de criação de uma linha de crédito voltada a consumidores adimplentes cuja renda esteja fortemente comprometida.
Crédito bancário perde fôlego com Selic a 14,5% ao ano
O Comitê de Estabilidade Financeira revelou que, desde março, o crédito bancário desacelerou em razão da taxa Selic elevada, atualmente em 14,5% ao ano. “Do lado das famílias, o crescimento do crédito arrefeceu nas modalidades de maior risco, mas segue superior ao da carteira de menor risco”, afirmou o órgão.
Em contrapartida, o financiamento por meio do mercado de capitais voltou a ganhar ritmo, registrando expansão superior à do setor bancário. “O aumento da relevância do mercado de capitais como fonte de financiamento para empresas ocorreu apesar das aberturas de spreads de debêntures incentivadas e dos resgates líquidos em fundos de crédito privado”, explicou o BC.
Cenário empresarial também desperta preocupação
O Banco Central informou que a oferta de crédito esfriou especialmente para micros, pequenas e médias empresas, sendo sustentada basicamente por programas de incentivo. No caso das grandes empresas, porém, foi observada uma reaceleração.
“A materialização de risco permaneceu elevada e em ascensão para todos os portes de empresas”, tratou o comitê, sinalizando que os riscos no sistema financeiro não se restringem ao universo das famílias, mas alcançam também o setor corporativo em diferentes escalas.
Contra Fatos

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