Flávio Bolsonaro diz que manterá aumento real do salário mínimo em sabatina na Globo

O senador e candidato à Presidência da República pelo PL, Flávio Bolsonaro, disse que, se eleito, vai manter reajustes do salário mínimo acima da inflação e que não tentará reverter o fim da escala 6x1.
— Eu não vou fazer economia em cima de quem precisa. Das pessoas mais carentes desse Brasil. Aposentado, fique tranquilo. Não cai nessa fake news do PT dizendo que eu vou acabar com reajuste de aposentadoria. Pelo contrário — afirmou.
Durante entrevista, conduzida pela jornalista Renata Lo Prete, o candidato do PL também afirmou que, se eleito, não disputará reeleição e que "não está no radar" ter o pai Jair Bolsonaro em um cargo de eventual governo. Ele foi questionado também sobre os financiamento do filme Dark Horse e sobre a crise do Supremo Tribunal Federal (STF).
A entrevista foi acompanhada por panelaços em diversas cidades do país, como Porto Alegre, Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, Belo Horizonte e Salvador. Os atos foram convocados pelas redes sociais e impulsionados pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), que tem colaborado com a estratégia digital do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em Porto Alegre, os panelaços foram registrados nos bairros Santana, Cidade Baixa, Rio Branco, Menino Deus, Santa Cecília e Centro.
Fim da 6x1
Flávio — que muitas vezes citou que a proposta de emenda à Constituição (PEC) do fim da escala 6x1 era "oportunista" — mudou de opinião nesta semana, às vésperas da votação no Senado Federal.
Ele justificou a mudança de posicionamento dizendo que sempre defendeu que os trabalhadores estipulem a própria jornada de trabalho. E afirmou que não vai tentar reverter o fim da escala 6x1.
O coordenador da campanha de Flávio, Rogério Marinho (PL), é o autor de uma PEC que flexibiliza a jornada de trabalho e permite que patrões e empregados negociem as horas trabalhadas.
Dark Horse
Questionado sobre a diferença entre os R$ 134 milhões que pediu a Daniel Vorcaro para financiar o filme Dark Horse sobre seu pai, Jair Bolsonaro, e o custo de R$ 75 milhões da produção do longa, Flávio voltou a repetir que a produtora do longa "prestou contas de tudo":
— A produtora do filme aqui no Brasil prestou contas de tudo. Vamos separar as coisas: estou falando de um pedido de patrocínio privado, para um filme privado, sem absolutamente nenhuma contrapartida pelo fato de eu ser senador da República.
O candidato também buscou associar o escândalo do banco Master ao PT e citou um áudio de Daniel Vorcaro publicado pela revista Veja em que o banqueiro diz que também financiou um documentário sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Mandato único e familiares em eventual governo
Flávio disse que aceitaria abrir mão de um segundo mandato mesmo se o Congresso não aprovar sua proposta que acaba com a reeleição no Brasil:
— Eu estou aqui me comprometendo: eu só quero um mandato para consertar o nosso país de verdade.
O candidato do PL disse também que não apoiaria uma mudança na regra vigente, que proíbe que familiares do presidente até terceiro grau se candidatem.
A regra, como está hoje, impediria que Jair Bolsonaro ou irmãos de Flávio se candidatem em 2030 caso o candidato do PL não dispute uma eventual reeleição.
Flávio disse, ainda, que o pai dele, Jair Bolsonaro, não teria cargo garantido em eventual governo:
— (Jair Bolsonaro) Nunca sugeriu que gostaria de trabalhar no governo.
O candidato afirmou, ainda, que seu irmão, Eduardo Bolsonaro, deputado federal cassado, não ocupará cargo de chanceler em eventual governo.
Eduardo foi condenado a quatro anos e dois meses de prisão por coação no STF em processo sobre trama golpista.
Crise no Supremo
Flávio afirma que é necessário proteger a "instituição" Supremo Tribunal Federal.
— Não dá pra um juiz como Alexandre de Moraes continuar dando canetada, interferindo em um monte de coisa e perseguindo adversários políticos do atual governador. Os amigos do Lula se protegendo para que as investigações não avancem sobre eles. Eles já acabaram com a credibilidade do Judiciário. Essa reforma do Judiciário tem que resgatar essa credibilidade — disse.
O candidato foi então questionado se a régua vale também para o ministro Nunes Marques, indicado por Jair Bolsonaro. Mensagens revelam que ele participou de festas organizadas por Daniel Vorcaro e que o filho do ministro recebeu repasses do banqueiro através de uma firma de consultoria de uma empresa de consultoria ligada ao Master.
— Todo mundo tem de estar abaixo da lei. A lei tem de valer para todo mundo — disse Flávio.
Prisão de aliados
Flávio foi questionado sobre as prisões de seus aliados, como o deputado federal eleito, Márcio Canella, e ex-presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), Rodrigo Bacellar, e o ex-governador do Rio Cláudio Castro, que está inelegível.
O candidato diz que os casos o "surpreenderam":
— As pessoas têm o direito de se defenderem e provar sua inocência, que é o que eu espero que todos eles façam.
Zero Hora


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