Notas e Apartes nº 1.677
Maestro – O que vemos no Brasil de hoje é similar ao que aconteceu no famoso Baile da Ilha Fiscal, uma suntuosa festa de gala realizada no Rio de Janeiro em 9 de novembro de 1889. O maestro que rege a Orquestra Brasil nada entende de música. E tampouco de qualquer outro assunto. Gaba-se de nunca ter estudado. Ou de ter lido algum livro. Exceto alguns que disse que leu durante os 580 dias em que fez estágio em Curitiba.
Galinha – A preocupação maior do maestro é se locupletar da coisa pública, juntamente com a primeira-galinha da República. Aquela que, em vez de botar ovos de ouro, os come feitos uma espécie de geleia real. A boa vida e o lazer são os objetivos principais do casal deslumbrado, juntamente com os asseclas e baba-ovos que os rodeiam.
Baile – Enquanto isso, o baile segue. A orquestra está completamente desafinada, eis que, assim como o maestro, seus integrantes nada entendem de música. Faz anos que a banda atravessa o samba na avenida, enquanto o maestro a rege fazendo de conta que a batuta é o dedo perdido em tempos idos em circunstâncias um tanto nebulosas.
Povo – O povo foi convidado com o único objetivo de pagar a conta da gastança oficial. A cobrança é feita pelos sanguessugas da República que, em troca, recebem uma fatia do butim. O povo tem o direito de degustar as migalhas do banquete real, regado a bons vinhos e uísque Maccalan, importado da Inglaterra, e com picanha farta, da qual o povo sente apenas o cheiro. Este é o Brasil atual.
Arma - Mas o povo tem uma arma silenciosa e poderosa, que pode usar no dia 4 de outubro. É hora de trocar o maestro e a banda e varrer do mapa os asseclas que se locupletam da coisa pública. Além de eleger um novo maestro, o eleitor também poderá escolher um grupo de cidadãos honrados para auxiliarem o novo chefe da nação a reconstruir o Brasil, que está à beira do caos devido à incompetência e à corrupção desenfreada. Avante! É hora de varrer essa turma do mapa político do país.
Vaias – Lula e Janja não se dão bem em ambientes não controlados. Foi o que aconteceu na chamada Boca Maldita, em Curitiba, no sábado. Moradores de apartamentos vizinhos vaiaram Janja. “Que foi? Para, coisa chata! Liga não, gente, liga não, vamos seguir aqui. Deixa lá eles falarem do ódio deles, porque aqui é só amor”, disse. Quando são questionados em suas mentiras, eles reagem com o mesmo discurso surrado de sempre.
STF – Ontem, quem teve condições acompanhou a transmissão da sessão histórica do Supremo Tribunal Federal que decidiria sobre a abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes por crimes cometidos no cargo. Mas Moraes reagiu e requereu que o colega André Mendonça também seja investigado e que ambos os processos sejam analisados em conjunto. Para tanto, usou um relatório ilegal e apócrifo da “Pelúcia” Federal. Depois de 7 horas de sessão, sequer isso foi decidido. A sessão foi suspensa porque o ministro Flávio Dino pediu vista do processo quando a votação estava em 4x3 contra a análise conjunta dos dois procedimentos investigatórios.
Ataque – Sem argumentos para se defender no mérito, Moraes sabe que a melhor defesa é o ataque. Por isso acusou Mendonça de cometer supostas ilegalidades no cargo. Nem uma palavra sequer de Moraes sobre o contrato de R$ 131 milhões firmado por sua família com o banqueiro Daniel Vorcaro, em 2024. O adiamento da decisão importa em prejuízo eleitoral à candidatura de Lula, umbilicalmente ligado a Moraes e aos ministros que lhe dão suporte no Supremo. Como já escrevi, a composição atual do Supremo é a pior de seus 135 anos de história.
Impedimento – A sessão também serviu para comprovar o que já se sabia: o ministro Dias Tóffoli se declarou suspeito e não votou no julgamento devido ao seu envolvimento com o banqueiro Daniel Vorcaro. Mas a novidade foi a declaração de impedimento do ministro Kassio Nunes Marques, atual presidente do TSE, condição por ele invocada para se declarar impedido de votar. Nunes Marques mostrou que não tem a coragem necessária para atuar no Supremo e no TSE. Acovardou-se. Uma decepção. Mais uma vez.
Mendonça – Quem saiu fortalecido da sessão foi o ministro André Mendonça, o último nomeado por Bolsonaro. Mendonça é humilde e competente. Trabalha com discrição, longe dos holofotes. Ele está praticamente sozinho contra uma corja que tomou de assalto a Suprema Corte, locupletando-se em seus cargos.
Dino – Durante a sessão, o ministro Flávio Dino bateu na surrada tecla da soberania nacional ao reclamar que o governo de Donald Trump cogita impor sanções previstas na Lei Magnitsky contra ministros do Supremo que se contrapõem à punição a Alexandre de Moraes. Tudo indica que, por ora, pelo menos até a eleição, o governo Trump não deve sancionar ministros do STF.
Prejuízo eleitoral – Pesquisa Atlas/Bloomberg indica que se o STF poupar Moraes Lula perde a eleição. Diversas pesquisas eleitorais divulgadas nos últimos dias indicam queda de Lula e ascensão de Flávio Bolsonaro. Oposição vai apelar aos eleitores de Caiado, Zema, Cury e Renan Santos para o voto útil em favor de Flávio já no primeiro turno da eleição.
Críticas – Nos bastidores, o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) – um dos parlamentares mais nojentos que o Brasil já viu – critica a campanha eleitoral de Lula. Ele critica a demora de Lula em reagir à crise no STF. Lindbergh lembra que o PT ficou quase uma semana inteira apanhando nas redes sociais até Lula gravar um vídeo pedindo o fim do sigilo no caso Master.
Entrevista – Lula concedeu entrevista de 30 minutos no Jornal da Record, na noite de ontem. Tomei emprestado um estômago de avestruz e encarei a bronca por dever de ofício. Foi de embrulhar o estômago. Com a maior desfaçatez, Lula classificou o governo de Bolsonaro como a “Era da Mentira”. Logo quem falando! O maior mentiroso que o Brasil já viu nos seus 526 anos de História. Entre outras lorotas, Lula disse que foi o criador do Sistema Único de Saúde (SUS). O SUS foi criado pela Constituição de 1988, onde Lula foi apenas UM dos 513 deputados constituintes.
Fantasia – O brasileiro comum certamente gostaria de morar no país das maravilhas descrito por Lula na entrevista, custeado a peso de ouro com suado dinheiro dos pagadores de impostos.
Lulinha – Mais uma vez, Lula disse que o filho Lulinha – acusado de receber propina através do Careca do INSS – deve ser investigado como qualquer outra pessoa. É mais uma lorota. Até as pedras da capital federal sabem que Lulinha está sendo protegido pelo pai e pela PF, onde Lula substituiu delegados para que protejam o filho.
Donato Heinen


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