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Por Donato Heinen. Publicado em 20/02/2025 as 12:09:05

Empate com Lula fortalece Tarcísio como uma das cartas na manga da direita para 2026

O instituto Paraná Pesquisas ouviu mais de 2 mil pessoas em todo o país


Tarcísio de Freitas - .| Foto: Sergio Barzaghi/Governo de SP

Em meio às especulações sobre o nome de Tarcísio de Freitas (Republicanos) como principal sucessor de Jair Bolsonaro (PL) na disputa à presidência em 2026, uma pesquisa divulgada pela Paraná Pesquisas na terça-feira (18) apresentou indicadores importantes ao xadrez eleitoral.

Um dos pontos de destaque apontados pelo levantamento é a força política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) sobre o principal adversário da esquerda, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em comparação à força demonstrada até aqui por Tarcísio. A pesquisa mostra que, enquanto Bolsonaro fica à frente de Lula por 36% contra 33,8% no primeiro turno, no cenário estimulado, Tarcísio alcança 21,9% das intenções de voto contra 34,1% do candidato do PT.

“É um sinal para aqueles que já estão querendo tirar o Bolsonaro da jogada e colocar o Tarcísio de que não é uma coisa tão simples assim. A liderança do presidente Bolsonaro ainda é reconhecida a nível nacional e certamente será por muitos anos, independentemente da elegibilidade dele”, opina o deputado estadual Lucas Bove (PL).

“Os números mostram que Tarcísio tem uma projeção interessante, mas ainda falta alguma coisa para competir com Lula, que ainda é o grande líder da esquerda”, complementa o parlamentar.

No confronto direto, Tarcísio e Lula aparecem empatados tecnicamente

O levantamento do instituto Paraná Pesquisas também apontou que, em um eventual segundo turno à presidência da República em 2026, Tarcísio aparece tecnicamente empatado com Lula. Enquanto Tarcísio tem 40,8% da escolha do eleitorado, Lula soma 41,1%, diferença dentro da margem de erro de 2,2 pontos percentuais.

Em relação às pesquisas anteriores, o presidente Lula teve queda nas intenções de voto. Em janeiro de 2025, ele estava com 43,4%. Já Tarcísio de Freitas aparecia então com 40,6%, representando pouca variação em relação à última sondagem.

Esses números refletem o desempenho de ambos à frente, respectivamente, do governo federal e do governo paulista, principalmente no que se refere à economia e ao bolso do consumidor. De um lado, Tarcísio continua priorizando a agenda privatista, tendo encerrado o segundo ano de mandato com sete concessões à iniciativa privada, duas privatizações e R$ 300 bilhões em investimentos para o estado de São Paulo.

Essa política impacta em índices importantes para a percepção do eleitor, como a taxa de desocupação do estado. No ano passado, São Paulo teve uma taxa anual de desemprego de 6,2%, a menor da série histórica, que se iniciou em 2012. O número ficou abaixo da média nacional, de 6,6%, e da região Sudeste, de 6,4%.

Paralelamente, no âmbito federal, a desaprovação do governo Lula dispara diante da alta inflação e de decisões impopulares como a "taxa das blusinhas" e a nova regra de monitoramento das transações na modalidade Pix, posteriormente revogada pelo governo. "Talvez seja esse o motivo da crescente popularidade de Tarcísio, enquanto Lula, de certa forma, perdeu apoio especialmente entre aqueles que defendem mais medidas voltadas ao mercado e menos políticas estatistas, como as adotadas pelo governo petista", diz Leandro Consentino, cientista político e professor do Insper.

Na avaliação dele, era esperado de um presidente da República um desempenho bem melhor nas pesquisas do que o apresentado. "Temos aí um recado de que o seu governo está indo muito mal", complementa.

Gazeta do Povo


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