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Por Grande Santa Rosa Notícias. Publicado em 17/04/2026 as 00:48:18

Submarinos, cabos e pressão no Atlântico Norte: Europa já está em guerra de baixa intensidade com a Rússia

Enquanto os Estados Unidos e os seus aliados concentram atenções no Médio Oriente, a rivalidade entre potências desloca-se para um cenário mais discreto, mas estratégico: o fundo do Atlântico Norte.


Enquanto os Estados Unidos e os seus aliados concentram atenções no Médio Oriente, a rivalidade entre potências desloca-se para um cenário mais discreto, mas estratégico: o fundo do Atlântico Norte. De acordo com o Governo britânico, a Rússia tem vindo a testar a resiliência das infraestruturas críticas que sustentam a economia ocidental, numa estratégia de desgaste que evita o confronto direto e aposta na acumulação de vantagem na sombra.

Londres revelou este mês que detetou uma operação secreta de submarinos russos que se prolongou durante cerca de um mês e envolveu “atividades nefastas” contra infraestruturas submarinas britânicas, incluindo oleodutos e cabos de telecomunicações.

Operação submarina russa exposta por Londres

Segundo o ministro da Defesa britânico, John Healey, Moscovo destacou um submarino da classe Akula como manobra de distração, enquanto duas unidades do programa GUGI — especializadas em operações em águas profundas — realizavam missões de vigilância direta sobre infraestruturas críticas.

O submarino Akula regressou posteriormente à Rússia, mas as outras duas unidades permaneceram na zona. Em resposta, o Reino Unido mobilizou a fragata HMS St Albans, o navio logístico RFA Tidespring e helicópteros Merlin, contando ainda com apoio de aliados como a Noruega.

Healey dirigiu uma mensagem inequívoca ao presidente russo, Vladimir Putin: “Digo-lhe isto: nós vemos-vos, vemos a vossa atividade sobre a nossa infraestrutura submarina. Devem saber que qualquer tentativa de a danificar não será tolerada e teria graves consequências 

O Governo britânico enquadra o episódio numa estratégia mais ampla de “guerra híbrida”, caracterizada por ações difíceis de atribuir formalmente, suficientemente agressivas para intimidar, mas abaixo do limiar de um conflito aberto.

Infraestruturas críticas vulneráveis

O Reino Unido depende de uma rede particularmente sensível: cerca de 60 cabos submarinos que transportam mais de 90% do tráfego diário de internet do país, além de um complexo sistema de gasodutos no Mar do Norte que asseguram o fornecimento energético, especialmente a partir da Noruega.

Alan Woodward, professor da Universidade de Surrey e especialista em navios soviéticos, explicou que Moscovo estará a cartografar cabos, tubagens e interligações elétricas. “Há uma grande quantidade de cabos de dados — sobretudo de internet — que atravessam o Mar do Norte entre os Estados Unidos, França e os países do Benelux”, afirmou ao The Telegraph. Existem também ligações com a Dinamarca e a Noruega, incluindo interconectores elétricos que importam gigawatts de eletricidade para o Reino Unido 

Além da cartografia, é provável que o submarino russo Losharik e outras plataformas do programa GUGI transportem equipamentos capazes de intercetar dados que circulam nos cabos submarinos. Durante a Guerra Fria, a Marinha norte-americana utilizou tecnologia semelhante para monitorizar comunicações entre bases navais russas, mantendo dispositivos de escuta submersos durante anos sem deteção.

Atlântico Norte e Ártico sob crescente tensão

Responsáveis europeus têm apontado o aumento da espionagem e das operações militares russas no Atlântico Norte como uma ameaça central à segurança do continente e da NATO. No ano passado, Donald Trump chegou a justificar o seu interesse na Gronelândia com o argumento de que os aliados europeus não estariam a fazer o suficiente para travar a atividade russa na região — embora especialistas recordem que os Estados Unidos já dispõem de ampla presença militar na ilha.

Desde 2024, o Governo trabalhista britânico reforçou a cooperação estratégica com a Noruega. Em setembro, Oslo acordou a compra de pelo menos cinco fragatas britânicas Tipo 26, num negócio avaliado em cerca de 11,7 mil milhões de euros. O Acordo de Lunna House, assinado em dezembro, prevê a criação de uma frota conjunta para rastrear submarinos no Atlântico Norte e intensifica a cooperação tecnológica, incluindo no domínio de torpedos.

O acordo permite ainda que os Royal Marines treinem durante todo o ano em território norueguês. Segundo Ed Arnold, analista do RUSI, esta preparação em clima frio é essencial, já que num eventual conflito com Moscovo “as tropas britânicas provavelmente teriam de combater em zonas que exigem experiência em guerra invernal”.

O chefe da defesa norueguesa alertou para o risco de a Rússia tentar ocupar uma parcela do território da Noruega para criar uma zona tampão em torno do seu arsenal nuclear na península de Kola 

Incidentes no Báltico e operações da NATO

Em 2024, cabos submarinos foram cortados em duas ocasiões no mar Báltico por navios petroleiros que arrastaram âncoras — um ligado à Rússia e outro à China — levando a NATO a lançar a operação Baltic Sentry. Este ano, a Aliança ativou também a missão Arctic Sentry para patrulhar o oceano Ártico. Taiwan registou incidentes semelhantes.

Moscovo e Pequim negaram qualquer envolvimento. Recorde-se que, em 2023, a própria Rússia foi alvo de sabotagem no gasoduto Nord Stream 2, num ataque atribuído a agentes ligados à Ucrânia.

No ano passado, o navio de espionagem russo Yantar foi detetado em águas britânicas e forçado a retirar-se, meses depois de ter sido observado junto de cabos submarinos. Segundo autoridades ocidentais, a embarcação tem percorrido o mundo ao longo da última década a mapear infraestruturas essenciais instaladas no fundo do mar.

Guerra híbrida alarga-se à superfície

Desde a invasão da Ucrânia, em 2022, Moscovo intensificou ações híbridas contra aliados europeus de Kiev, incluindo ciberataques e incursões de drones sobre aeroportos e instalações militares.

Recentemente, o Kremlin enviou a fragata Admiral Grigorovich para escoltar dois petroleiros da chamada “frota na sombra” através do Canal da Mancha, desafiando a ameaça britânica de apreender navios sancionados. Um navio britânico acompanhou a operação à distância, sem intervir.

O primeiro-ministro Keir Starmer autorizara forças especiais a capturar embarcações sancionadas que entrassem em águas britânicas e prometera endurecer a resposta. Contudo, até ao momento, nenhuma foi apreendida. Desde janeiro, mais de 300 navios ligados a esta rede transitaram pela zona sem serem intercetados, alimentando críticas sobre a discrepância entre discurso político e capacidade operacional.

Debate interno sobre defesa no Reino Unido

A oposição conservadora, liderada por Kemi Badenoch, tem criticado o atraso no plano de investimento em defesa. Paralelamente, a Royal Navy enfrenta limitações logísticas, evidenciadas pelo envio do HMS Dragon para o Médio Oriente, que demorou semanas a chegar e regressou devido a problemas técnicos.

George Robertson, antigo ministro da Defesa trabalhista e ex-secretário-geral da NATO, advertiu que a segurança do Reino Unido está “em perigo” e denunciou uma “autocomplacência corrosiva” em matéria de defesa. “Não estamos preparados. Não temos seguros suficientes. Estamos sob ataque. Não estamos seguros… A segurança nacional da Grã-Bretanha está em perigo”, afirmou num discurso em Salisbury.

Embora o Governo sustente que a estratégia é apoiada pelo maior aumento sustentado do investimento em defesa desde a Guerra Fria — mais de 270 mil milhões de libras ao longo da legislatura — o financiamento plurianual continua atrasado, num contexto de défice estimado em 28 mil milhões de libras.

No último ano, o Reino Unido destinou 2,3% do PIB à defesa, cerca de 66 mil milhões de libras. O objetivo é atingir 3% no final da próxima legislatura e 3,5% até 2035. Em contraste, a despesa com prestações sociais aproxima-se dos 10,6% do PIB, equivalente a 322,6 mil milhões de libras entre 2025 e 2026 


 Pedro Gonçalves


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