20 mil marinheiros retidos pelo fecho do Estreito de Ormuz

Presos, com pouca comida e “consumidos pelos nervos”. É assim que estão neste momento cerca de 20 mil marinheiros que ficaram retidos no Golfo Pérsico, graças ao fecho do Estreito de Ormuz, e que estão a sofrer com as consequências mais inesperadas e perigosas da decisão que o Irão mantém — a somar aos efeitos económicos que afetam todo o mundo, sobretudo por via do aumento do preço do petróleo.
“Hoje, mais do que nunca, os marinheiros pedem e precisam de proteção. Deve dar-se prioridade às suas necessidades básicas de comida, água, atenção médica e combustível náutico”, explica ao El País Mohamed Arrachedi, coordenador para o mundo árabe e o Irão da Federação Internacional dos Trabalhadores do Transporte
O mesmo responsável conta que está sempre a receber chamadas e mensagens de marinheiros, que “a qualquer hora” aproveitam as oportunidades possíveis para comunicar. “Ligam quando têm acesso à internet porque alguém partilhou a ligação, ou porque de repente têm rede”. Essas mensagens, explica ao jornal espanhol, têm “essa carga emocional de pânico, medo, incerteza. Enviam-me fotografias e vídeos das bombas a cair durante a noite e dizem: ‘A minha vida está em perigo. Por favor, tira-nos daqui’“.
Estes marinheiros estão fechados em embarcações ancoradas longe da costa, enquanto vão assistindo à queda de mísseis e drones à sua volta e, como conta o mesmo jornal, estão “consumidos pelos nervos” — tanto pelas notícias de abertura ou de fecho do estreito (aconteceu esta sexta-feira e sábado) como pela comida que, nalguns casos, está “à beira de acabar”.
O The Guardian também dava conta da situação há dias, citando um marinheiro sob anonimato que descrevia assim a sua situação: “Podes tentar minimizar o impacto que esta situação tem na tua saúde mental, mas está a tornar-se impossível”. Um dos tripulantes, contava, já tinha tido um “esgotamento” a bordo do seu navio. E 90% da tripulação recusava-se, por razões de segurança, a atravessar o Estreito de Ormuz se entretanto este fosse aberto. A abertura durante o período de cessar-fogo chegou a ser anunciada pelo Irão na sexta-feira passada, mas durou poucas horas e apenas um número muito reduzido de embarcações conseguiu sair.
Alguns destes marinheiros já levam assim um mês e meio, desde que o bloqueio começou, depois do ataque de Estados Unidos e Israel ao Irão. Entretanto, a Organização Marítima Internacional confirmou que já houve pelo menos 20 ataques contra navios comerciais, provocando a morte de pelo menos 10 marinheiros. Haverá uns dois mil barcos retidos na zona, segundo a ONU.
O “El País” acrescenta que o secretário-geral da Organização Marítima Internacional, Arsenio Domínguez, exigiu numa reunião virtual com os ministros dos Negócios Estrangeiros de mais de 40 países, no início de abril, que redobrassem os esforços diplomáticos para que se pudessem evacuar estes barcos e permitir que os marinheiros transitassem de forma segura passando pelos países que rodeiam o estreito
Entre os marinheiros retidos há nacionalidades variadas, incluindo Índia, Birmânia, Egito, Geórgia e Ucrânia, mas cerca de um quarto serão de nacionalidade filipina.
Observador


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