Kim confirma política suicida dos seus soldados na Ucrânia

O líder da Coreia do Norte, Kim Jong Un, confirmou, esta terça-feira, que os soldados do país seguem uma política de suicídio em combate para evitarem serem capturados na guerra entre a Ucrânia e a Rússia. A revelação foi feita no domingo, durante a inauguração de um memorial em Pyongyang dedicado aos militares norte-coreanos mortos no conflito.
De acordo com o The Independent, que cita a agência estatal KCNA, Kim elogiou o que descreveu como “heroísmo extraordinário” das tropas que “optaram sem hesitação por autoexplosões e ataques suicidas”.
Kim confirmou os relatos que circulavam na imprensa internacional sobre práticas extremas adotadas por estas tropas. Desde que a presença norte-coreana no conflito foi tornada pública, em outubro de 2024, apenas dois soldados terão sido capturados com vida pelas forças ucranianas. O líder norte-coreano referiu por duas vezes, no seu discurso, que os soldados que se suicidaram em combate fizeram-no para defender a honra do país, sublinhando que não esperavam qualquer recompensa pelo “autosacrifício”.
A Coreia do Norte é, até ao momento, o único país a enviar tropas diretamente para o terreno na guerra entre a Rússia e a Ucrânia, consolidando o acordo de defesa mútua celebrado com o Presidente russo, Vladimir Putin. De acordo com os Serviços de Informações sul-coreanos, cerca de 15 mil soldados terão sido destacados para apoiar operações militares russas, incluindo tentativas de recuperar zonas da região de Kursk
No discurso proferido durante a inauguração, Kim Jong-un afirmou que as relações com a Rússia devem ser reforçadas até se tornarem um “baluarte poderoso e unificado“. O governante elogiou as forças norte-coreanas e russas por frustrarem o que chamou de “plano hegemónico e aventureirismo militar” ocidental, liderado pelos Estados Unidos na Ucrânia.
A Coreia do Norte tem intensificado os testes de armamento. Este ano, realizou pelo menos sete lançamentos de mísseis balísticos, incluindo o sistema Hwasong-11, que, segundo Kiev, terá sido fornecido à Rússia para ser utiliazado no conflito.
A Coreia do Norte considera o programa de armas nucleares e mísseis balísticos como um seguro de vida face às intenções de invasão que atribui à Coreia do Sul e aos Estados Unidos. Recentemente, o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atómica, Rafael Grossi, alertou para um “aumento muito preocupante” da capacidade de Pyongyang produzir armas nucleares, o que agrava as preocupações internacionais sobre o programa atómico do regime.
Manuel Nobre Monteiro


.png)






.jpg)
 2-1-26.png)
.png)