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Por Donato Heinen. Publicado em 29/04/2026 as 15:28:47

Bolsa Família infla para 19 milhões em ano eleitoral: o governo escolheu dependência em vez de emprego

Bolsa Família cresce para 19 milhões de famílias em ano eleitoral, mesmo com desemprego em queda, revelando fraudes e dependência crônica no programa


Existe um teste simples para saber se um programa social está funcionando: quando a economia melhora, a fila diminui. Se a economia melhora e a fila aumenta, algo está profundamente errado.

Bolsa Família acaba de reprovar nesse teste.

Em abril de 2026, o número de pagamentos mensais voltou a se aproximar dos 19 milhões de famílias. A alta é de 269 mil beneficiários desde o fim de 2025 — um crescimento de 1,4% em poucos meses. Cada família recebe, em média, R$ 678,22 por mês. O custo mensal do programa se estabilizou em R$ 12,8 bilhões. O gasto anual previsto para 2026: R$ 158 bilhões.

Agora, o detalhe que ninguém no governo quer comentar: 2025 registrou queda do desemprego para a mínima histórica. A economia se recuperou. As vagas aumentaram.

E o Bolsa Família? Cresceu.

Não é coincidência. É 2026. Ano eleitoral.

O pente-fino que durou pouco

Para quem tem memória curta, vale lembrar: no segundo semestre de 2025, o governo foi obrigado a fazer um “pente-fino” no programa. Mais de 2 milhões de beneficiários foram cortados — por aumento de renda ou por irregularidades puras e simples. O número de famílias atendidas caiu para 18,66 milhões em novembro, o menor patamar desde julho de 2022.

O discurso oficial, à época, era de responsabilidade fiscal. De compromisso com o dinheiro público. De gestão eficiente.

Bastou virar o calendário para 2026 — e com novo orçamento aprovado — para a torneira reabrir.

A pergunta que ninguém faz é simples: o governo fez o pente-fino porque acreditava nele, ou porque precisava caber no orçamento de 2025?

Os números que o discurso oficial esconde

O problema não é apenas o tamanho do programa. É o que acontece dentro dele.

  • 1,4 milhão de pessoas omitem a existência de cônjuge para se qualificarem como família monoparental e receberem valores maiores.
  • 895 mil famílias recebem mais em benefícios sociais do que ganhariam trabalhando formalmente com carteira assinada.
  • 7 milhões de brasileiros recebem o Bolsa Família há pelo menos dez anos — numa política que nasceu como medida temporária.
  • Em algumas cidades, o número de inscritos no programa supera o total de domicílios existentes.

Leia de novo o último item. O número de beneficiários é maior que o número de casas. E o Cadastro Único segue operando como se nada estivesse errado.

Antes da pandemia, o programa atendia 13 milhões de famílias. No pico de 2023, ultrapassou 21 milhões. Hoje atende cerca de 49 milhões de pessoas — quase um quarto da população brasileira.

Isso não é rede de proteção. É estrutura permanente de dependência.

O paradoxo que deveria envergonhar Brasília

Desde 2004, as despesas com benefícios sociais dessa natureza cresceram quase 500% em termos reais, segundo a Instituição Fiscal Independente do Senado. O peso dessas despesas obrigatórias engessa o Orçamento, limita investimentos em infraestrutura e educação de qualidade, e empurra o país para mais impostos ou mais endividamento.

Mas há algo mais grave que o custo fiscal: é a mensagem que o governo envia.

Quando 895 mil famílias ganham mais recebendo auxílio do que trabalhando, o incentivo é claro: não trabalhe. Quando fraudes documentadas convivem com expansão do programa, a mensagem é: não importa. Quando a economia melhora e o número de beneficiários sobe, a conclusão é inevitável: o objetivo não é tirar ninguém da pobreza.

É mantê-los exatamente onde estão. Gratos. Dependentes. Votantes.

Inclusão ou clientelismo?

Ninguém de boa-fé nega que o Bolsa Família cumpre papel relevante ao mitigar a miséria extrema. A questão não é se o programa deve existir. A questão é se ele deve crescer indefinidamente, sem condicionalidades reais, sem fiscalização efetiva e sem meta de redução.

Um programa que foi criado como ponte virou moradia permanente. E em ano eleitoral, o governo decidiu ampliar o condomínio.

Onde estão as políticas de capacitação profissional? De estímulo à formalização? De criação de condições para que essas famílias deixem o programa por escolha, não por corte orçamentário?

O discurso oficial fala em “inclusão” e “proteção social”. Os números contam outra história: a de um governo que, diante da escolha entre investir em autonomia ou expandir a dependência, optou pelo caminho eleitoralmente mais rentável.

Os 19 milhões de hoje podem virar 20 amanhã. Depois 22. E a conta, como sempre, será paga por quem acorda cedo, trabalha, recolhe impostos e não aparece em nenhum cadastro — a não ser o da Receita Federal.

 Folha Destra

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