"Padre sexy" mais famoso do calendário romano afinal nunca foi padre (e não é caso único)

Rita Rogado
Há mais de 20 anos que o calendário anual do Vaticano, ou calendário Romano, é um dos 'souverniers' preferidos dos turistas. Conhecido também como "Hot Priests Calendar”, calendário dos padres sexys em português, conta com fotografias de 12 padres. Mas, na verdade, a maioria nunca o foi. É o caso de Giovanni Galizia, um dos rostos mais conhecidos.
O projeto foi criado pelo fotógrafo italiano Piero Pazzi que, no início dos anos 2000, começou a publicar um calendário destinado aos turistas interessados por Roma e pelo Vaticano. Como? Com fotografias a preto e branco de 12 padres, um para cada mês do ano, e algumas curiosidades e informações sobre o Vaticano. Muitas imagens são repetidas ano após ano.
Giovanni Galizia, agora com 39 anos, comissário de bordo numa companhia aérea espanhola, é um dos rostos mais conhecidos do "Hot Priests Calendar”.
Foi aos 17 anos que participou numa sessão fotográfica vestido com uma batina preta, junto a uma igreja em Palermo, Itália, de onde é natural. E foi essa fotografia do rapaz de sorriso "envergonhado" que foi usada ao longo dos anos, em muitas das 23 edições, tornando-o num dos 'souveniers' mais procurados por turistas.
Até aqui tudo bem. O 'verniz estalou' quando o jornal italiano “La Repubblica” revelou que, afinal, o "calendário dos padres sexys" é o “calendário dos padres falsos”, uma vez que poucos dos que apareceram no projeto são, realmente, membros do clero. É o caso de Giovanni Galizia.
“A verdade é que aquele sorriso, que parece um pouco enigmático, era o sorriso de um rapaz envergonhado (...) porque vi todos os meus amigos a rir muito porque eu estava vestido de padre”, conta o italiano em entrevista à agência de notícias Associated Press (AP).
Na altura com 17 anos, Giovanni Galizia assinou uma autorização para a fotografia ser publicada, mas garante que nunca exigiu qualquer pagamento.
Foi uma brincadeira para mim. Diverti-me e isso é mais valioso do que o dinheiro", afirma.
Giovanni Galizia conta que nunca foi reconhecido na rua, apesar de os primos terem oferecido o calendário à avó, um episódio que lhes valeu 'umas belas risadas'.
Tanto o comissário de bordo como o autor das fotografias garantem, diz o The Independent, que o projeto foi pensado como arte e não para enganar.
Apesar da polémica e sem adiantar mais detalhes, o fotógrafo italiano Piero Pazzi, criador do projeto, garante que pelo menos um terço dos homens que aparecem no calendário de 2027 são mesmo padres.
O calendário, que custa 8 euros, está à venda em quiosques e lojas de lembranças em Roma e no Vaticano
A produção do calendário Romano é independente do Vaticano que, segundo a AP, recusa comentar a polémica.


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