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Por Donato Heinen. Publicado em 17/08/2026 as 18:32:59

R$ 278 bilhões do seu bolso: a máquina eleitoral de Lula não tem freio

Governo Lula desembolsa R$ 278 bilhões em benesses eleitorais com dinheiro público e presidente ataca legislação eleitoral chamando-a de papagaiada desgraçada


Existe um número que deveria tirar o sono de qualquer contribuinte brasileiro: R$ 278,3 bilhões. É o que o governo Lula já despejou em ações com inequívoco apelo eleitoral, segundo levantamento do jornal O Estado de S. Paulo. Não se trata de estratégico. Não se trata de política de Estado. Trata-se de uma operação massiva de conquista de votos com dinheiro alheio.

A lista de bondades é tão extensa que parece catálogo de campanha — porque, na prática, é.

Financiamentos habitacionais. Linhas de crédito facilitadas. Subsídios para caminhoneiros. Subsídios para motoristas de aplicativo. Programa Pé-de-Meia. Gás do Povo. Isenção do Imposto de Renda para rendimentos de até R$ 7 mil. Tudo isso bancado pelo caixa da União, às vésperas de uma eleição em que Lula busca a reeleição. 

Mas há um detalhe. 

O pacote não se limita ao que está dentro do Orçamento Federal. A gestão petista recorreu a manobras extraorçamentárias para ampliar o alcance da distribuição. Usou fundos públicos para turbinar o Desenrola e, num lance de criatividade fiscal, transferiu o custo da gratuidade do programa Luz do Povo para a conta de energia das famílias de maior renda. Ou seja: quem não é beneficiário paga a conta — literalmente. 

E é aí que a história complica.

A legislação eleitoral existe por uma razão muito simples: impedir que o ocupante do Palácio do Planalto transforme o Tesouro Nacional em plataforma de campanha. A norma proíbe doações, repasses de emendas e presença de autoridades em inaugurações de obras durante o período eleitoral. São regras básicas de civilidade democrática. 

A reação de Lula? Chamou a lei de “papagaiada desgraçada” durante uma agenda no Rio Grande do Norte em julho.

Releia com calma. 

O presidente da República — aquele que jura cumprir a Constituição — atacou publicamente a legislação que limita o uso da máquina pública para fins eleitorais. Não questionou um artigo específico. Não propôs uma reforma. Xingou a lei porque ela atrapalha seus planos.

Agora compare. 

Quando a legislação serve aos interesses do governo, ela é sagrada. Quando atrapalha, vira “papagaiada”. A coerência institucional morre toda vez que o calendário eleitoral se aproxima.

O álibi da equipe econômica

A defesa oficial é previsível. O ministro do Planejamento, Bruno Moretti, afirmou que as verbas foram aprovadas pelo Nacional. “Ainda que o implícito remeta à ideia de algum custo, é importante discutir também o retorno”, declarou.

A pergunta que ninguém faz é simples: desde quando aprovação pelo Congresso garante que um gasto é responsável? O Congresso aprova o que a articulação política empurra goela abaixo. Em um governo que distribui cargos e emendas como moeda de troca, a chancela parlamentar é tão confiável quanto a promessa de campanha que a precedeu.

Os números apresentados pelo Ministério do Planejamento são igualmente convenientes. Segundo a pasta, os incentivos geram R$ 110,9 bilhões no PIB, abrem 1,9 milhão de postos de trabalho e resultam em R$ 45,4 bilhões em arrecadação. São projeções do próprio governo justificando os gastos do próprio governo. É o apresentando seu próprio laudo de inocência.

Não é coincidência que esses números apareçam agora.

A conta que sobra

A desaprovação de Lula bate 48% e supera sua aprovação, segundo pesquisa BTG/Nexus. A resposta do governo não é ajustar o rumo, cortar desperdícios ou reconhecer erros. A resposta é abrir ainda mais a torneira do dinheiro público.

É um padrão antigo. Quando a popularidade cai, o Estado incha. Quando o eleitor resiste, a distribuição aumenta. O que nunca muda é quem paga: o contribuinte que acorda cedo, trabalha, produz e vê seu dinheiro ser convertido em programa social com nome bonito e função eleitoral transparente.

R$ 278,3 bilhões. É o preço provisório da reeleição. Provisório porque faltam meses para o pleito — e a máquina não mostra sinais de desacelerar.

Quando um governo precisa comprar seu eleitorado, já confessou que não consegue convencê-lo. 


Contra Fatos


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