David Morens, ex-assessor de Fauci, admite culpa por ocultar registros sobre Covid-19 nos EUA
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David Morens, ex-assessor do infectologista Anthony Fauci. (Heather Diehl/Getty Images)
Um ex-integrante do alto escalão do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas (NIAID) dos Estados Unidos reconheceu em tribunal federal que atuou para ocultar registros governamentais vinculados à pandemia de Covid-19 e a pesquisas bancadas com dinheiro público. David Morens, de 78 anos, formalizou sua confissão nesta terça-feira, 18, durante audiência realizada em Greenbelt, no estado de Maryland.
Esquema com e-mails pessoais para driblar a Lei de Liberdade de Informação
Segundo os promotores responsáveis pelo caso, Morens integrou uma articulação iniciada em abril de 2020 com o objetivo de dificultar pedidos de acesso a documentos públicos submetidos ao NIAID — sobretudo aqueles que diziam respeito a pesquisas relacionadas ao coronavírus. A estratégia consistia em utilizar contas pessoais de e-mail para tratar de assuntos oficiais, evitando assim que as comunicações pudessem ser rastreadas por meio da Lei de Liberdade de Informação dos Estados Unidos (FOIA).
Um e-mail obtido pela Justiça revela a extensão do esquema. Nele, Morens escreveu: “Aprendi com a nossa funcionária do FOIA aqui como fazer os e-mails desaparecerem depois de eu ser alvo do FOIA, mas antes do início da busca, então acho que estamos todos seguros. Além disso, apaguei a maior parte daqueles e-mails anteriores depois de enviá-los para o gmail”.
Conexão com pesquisa sobre coronavírus e morcegos
O caso tem ramificações que vão além da ocultação de documentos. Uma verba destinada a pesquisas sobre a relação entre o coronavírus e morcegos havia sido cancelada pelo Instituto Nacional de Saúde (NIH). Esse cancelamento ocorreu em meio a alegações de que a Covid-19 poderia ter surgido de um laboratório em Wuhan, na China. De acordo com a acusação, Morens se comprometeu a ajudar na restauração desse financiamento e a combater a narrativa de vazamento laboratorial.
Indiciamento, confissão e possível pena de até cinco anos
O ex-assessor de Anthony Fauci havia sido indiciado em abril. Ao admitir culpa pela acusação de conspiração, ele passou a responder formalmente pelo crime. A pena máxima prevista é de cinco anos de prisão, e a sentença está agendada para 12 de novembro.
O advogado de Morens, Timothy Belevetz, se pronunciou após a audiência: “Ao se declarar culpado hoje, o Dr. Morens assumiu a responsabilidade pelo que fez e continuará a fazê-lo”.
Contexto: depoimento de Fauci e tensões políticas
A confissão de Morens acontece em um momento delicado. No mês passado, Anthony Fauci, ex-diretor do NIAID e chefe de Morens durante a pandemia, depôs perante um painel do Senado americano. Na ocasião, Fauci recorreu repetidamente ao direito de não produzir provas contra si mesmo e acusou o senador republicano Rand Paul, seu antigo adversário político, de conduzir uma campanha para levá-lo à prisão.


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