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Por Donato Heinen. Publicado em 10/09/2026 as 11:25:59

Às vésperas da extinção por lei, restam 15% dos cobradores de ônibus em Porto Alegre

Legislação de 2021 estabeleceu este ano como prazo final para estes profissionais; 90% das viagens do transporte coletivo já são feitas sem a presença deles


A extinção dos cobradores de ônibus deve ocorrer este ano em Porto Alegre Foto : Camila Cunha

Em um passado não muito distante, os cobradores eram patrimônios do transporte público de Porto Alegre, mas esta realidade mudou em 2021 com a aprovação de uma lei municipal, criada pelo próprio prefeito Sebastião Melo em seu primeiro mandato, que previa a extinção da categoria, de maneira gradativa, com prazo final em 1º de janeiro deste ano. Ainda, a legislação proibiu a contratação de novos profissionais para repor vagas decorrentes de demissões, aposentadorias e falecimentos.

Com a chegada de 2026, segundo a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (SMMU), 90% das viagens de ônibus na capital já são feitas sem a presença destes profissionais, enquanto somente 12% dos passageiros ainda pagam a tarifa em dinheiro. A Associação dos Transportadores de Passageiros (ATP) estima que menos de 15% do quadro original ainda esteja na ativa. “Algumas linhas seguem necessitando dos cobradores nesta adaptação”, afirmou Alceu Machado, advogado da ATP.

Há o consenso da existência de três fatores principais para esta permanência. A primeira é relacionada às linhas com alto movimento ou com embarque pelo lado esquerdo em plataformas, em que a demanda veio dos próprios motoristas em horários de pico. A segunda é financeira: operadoras do sistema têm compromisso de retirar os cobradores restantes até dezembro; caso não consigam, deverão arcar com o custo destes profissionais sem que o valor seja incluído no cálculo da tarifa.

E a terceira é a estabilidade de emprego, vigente para alguns colaboradores, especialmente dirigentes sindicais, e que resistem a deixar seus postos. “Este é um enfrentamento que a Prefeitura terá junto aos empresários. O sindicato, como sempre, foi contra a extinção dos cobradores, então este problema não é nosso, mas das empresas e da Prefeitura”, disse o vice-presidente do Sindicato dos Rodoviários de Porto Alegre (Stetpoa), Sandro Abbáde.

Ele sinalizou que a categoria somente aceitará a saída dos remanescentes caso as negociações para o próximo acordo coletivo, com data-base em 1º de fevereiro, avançarem com propostas melhores. De qualquer maneira, muitos ex-cobradores foram reaproveitados dentro dos consórcios de empresas de ônibus, salientou Abbáde.

Na Nortran, por exemplo, citou Abbáde, dos 200 originais, restam 50 ativos. Outros 80 se tornaram motoristas, 25 foram promovidos a outras funções na empresa e houve quem optou por rescisões, acompanhadas de cursos gratuitos em parceria com o Sest/Senat. Na Carris, são 28. Na Auto Viação Presidente Vargas, há apenas um atuando na função, que é justamente diretor sindical, ou seja, tem estabilidade. Nas demais oito atuando no atuando no transporte coletivo de Porto Alegre, o número gira em torno de dez a 15 em cada.

A Prefeitura justifica que a retirada dos cobradores foi uma das medidas que conteve os custos do sistema, assim como a redução das isenções tarifárias, de 14 para sete perfis. Sem elas, a tarifa técnica, que considera os custos de transporte, poderia chegar a R$ 8,50; hoje, o passageiro normal paga R$ 5,30 na passagem. Opções digitais foram também disponibilizadas, como o Cartão TRI de Passagem Antecipada, emitido gratuitamente e recargas pelo TRI App, com compras de passagens avulsas por QR Code.

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