Para PF, Toffoli tem dinheiro de Vorcaro em paraíso fiscal

Dias Toffoli Foto: Gustavo Moreno/STF
Um relatório da Polícia Federal (PF) indica a suspeita de que o ministro Dias Toffoli seja o “beneficiário final” ou “proprietário de fato” do fundo de investimento Arleen, que recebeu repasse de R$ 35 milhões de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. O documento da PF foi mantido em sigilo há sete meses sob a relatoria do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça e revelado pela revista Piauí nesta sexta-feira (10).
Segundo o relatório, o repasse de R$ 35 milhões, revelado ainda em fevereiro pelo Estadão, teria ido parar nas Ilhas Virgens Britânicas, paraíso fiscal do Caribe, por meio de uma transação com a holding Egide I. O ministro já negou ter amizade com o banqueiro ou ter recebido valores dele. Procurado pelo Estadão na manhã desta sexta, ainda não se manifestou sobre a posse de recursos no exterior.
Segundo o relatório, o fundo Arleen era sócio do resort Tayayá, no interior do Paraná, ligado à família de Toffoli e pertencia a Vorcaro, mas mudou de proprietário, sendo assumido por um empresário amigo do ministro do STF. Meses depois, transferiu seus ativos para o paraíse fiscal no Caribe.
– Foram identificados diversos elementos de informação que, analisados de forma conjunta, apontam no sentido de que o ministro José Antonio Dias Toffoli possa ter figurado como beneficiário final ou proprietário de fato do FIP Arleen, bem como de seus ativos – afirma o relatório revelado pela revista.
Como mostrado pelo Estadão, o ministro é sócio da empresa Maridt, que tinha participação societária em dois resorts da rede Tayayá. A empresa vendeu parte de sua participação a fundos de investimento que tinham Fabiano Zettel, o cunhado de Vorcaro, como acionista.
Em maio de 2024, Vorcaro perguntou por mensagem de WhatsApp a Zettel sobre a situação dos repasses ao resort do ministro.
– Você não resolveu o aporte do fundo Tayayá? Estou em situação ruim = escreveu o banqueiro.
O cunhado respondeu:
– Te perguntei se poderia ser semana que vem e você disse que sim.
Meses depois, em agosto de 2024, Vorcaro novamente relatou ao cunhado as cobranças de pagamentos.
– Aquele negócio do Tayayá não foi feito? – perguntou o banqueiro.
Zettel respondeu que já tinha transferido para o intermediário responsável por efetivar o pagamento, mas que o aporte final dependeria dessa pessoa.
Por causa disso, Vorcaro se irritou.
– Cara, me deu um p*** problema. Onde tá a grana? – afirmou ao cunhado.
Zettel respondeu:
– No fundo dono do Tayayá. Transfiro as cotas dele.
Para prestar contas diante das cobranças, Vorcaro pediu a Zettel que levantasse todos os aportes realizados no Tayayá.
– Me fala tudo que já foi feito até hoje – disse.
– Pagamos 20 milhões lá atrás. Agora mais 15 milhões – respondeu Zettel.
*AE


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