Governo do Estado assina contrato para estudo sobre ferrovias do Sul

Foi assinado nesta segunda-feira (21), no Palácio Piratini, em Porto Alegre, o contrato com o consórcio que será responsável por elaborar um estudo para um sistema integrado de ferrovia da Malha Sul. A expectativa é de que o material sirva de contraponto à proposta do governo federal de fatiar a concessão da ferrovia em três lotes.
O primeiro diagnóstico do estudo está previsto para o final do ano. O estudo completo deve ser finalizado em até 10 meses
— É um tema fundamental para o desenvolvimento econômico do Estado, sobretudo em função dos custos logísticos — disse o governador Eduardo Leite, na abertura da coletiva
O consórcio vencedor da licitação é liderado pela Alvarez & Marsal Consultoria em Engenharia e será executado junto com as empresas Eagle Consultoria Econômica e de Engenharia e o escritório Machado, Meyer, Sendacz, Opice e Andrade – Advogados. O estudo foi contratado pelo valor de R$ 5,49 milhões.
Representantes gaúchos e catarinenses são contrários ao fatiamento da nova concessão em três lotes, como sugere a Agência Nacional dos Transportes Terrestres (ANTT). O principal argumento é de que a divisão da ferrovia em lotes possa afastar investidores, concentrando investimentos somente no trecho do Paraná, onde a malha ferroviária é mais atrativa.
Um leilão marcado para 2027 definirá a nova concessão de ferrovias no sul do Brasil. A atual concessão, com a empresa Rumo, vence em fevereiro, mas será prorrogada em até dois anos até que uma nova empresa possa assumir.
Secretário de Transportes e Logística do Rio Grande do Sul, Clóvis Magalhães ressaltou que o modelo apresentado pelo governo federal deixa brechas ao desconsiderar setores e regiões importantes na conexão da malha ferroviária. O secretário diz que a consultoria técnica dará suporte para o diálogo.
Diretor de Planejamento do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), Leonardo Busatto destacou a investida do Estado de sinalizar que o modelo proposto não atende a às reais necessidade do setor produtivo gaúcho. Uma das principais críticas apresentadas é o isolamento da região de Passo Fundo, estratégica economicamente ao Estado, que ficaria de fora do trecho da malha ferroviária
A situação das ferrovias no Rio Grande do Sul
Malha ferroviária gaúcha perdeu 75% em 30 anos
Trecho da concessão
3.823 km
Trecho operacional (antes da enchente)
1.680 km
Após a enchente de 2024
921 km
Movimentação de cargas
Velocidade média
dos trens
Perda de competitividade
Transporte de cargas nas ferrovias gaúchas sofreu redução de quase 50%
Em 18 anos, o modal ferroviário perdeu metade da sua velocidade operacional. Atualmente, tem a quarta menor velocidade média do Brasil: 12km/h
Grãos
Desembarque ferroviário de grãos (GSA) no Porto do Rio Grande encontra-se estagnado, com tendência de queda.
Fertilizantes
Apenas
2% são transportados por ferrovia,
mesmo sendo carga de retorno para o frete de grãos.
Houve redução de
13% do embarque férreo
desse tipo de produto.
Transporte de
líquidos combustíveis
Não é mais feito desde a enchente de 2024
Contêineres e
produtos
siderúrgicos
Enxurrada destruiu trechos ferroviários, como entre Passo Fundo, Roca Sales e Vacaria
Não são mais movimentados.
Em 2013, representavam 12% da carga. O fluxo era sobretudo concentrado em Uruguaiana. A estação e o trecho que a conecta com o restante da rede, em Alegrete, estão desativados.
Turismo
O Trem dos Vales está interrompido desde a enchente.
Fonte: Câmara temática de Infraestrutura do governo do RS
— Há tempo hábil, sim, de mostrar e adaptar a concessão para um modelo econômico que se sustente — disse Busatto sobre a contratação do estudo
Durante a coletiva de imprensa, também foram anunciadas a criação de dois fundos focados no desenvolvimento econômico do Estado.
Modal esquecido
O processo de precarização das ferrovias gaúchas é histórico e nos últimos anos passou por redução significativa. Reportagem de Zero Hora levantou que, desde a privatização em 1997 e o estabelecimento da Malha Sul, a extensão utilizada no RS diminuiu 75%, passando de 3,8 mil para os atuais 921 quilômetros.
Atualmente, o único trajeto em operação no Estado parte de Cruz Alta e percorre 464 quilômetros até o porto de Rio Grande
Os lotes propostos pelo governo federal
- Corredor Paraná–Santa Catarina: com 1.502 quilômetros concentrados nestes Estados
- Corredor Mercosul: com 1.865 quilômetros, e que ligaria São Paulo até a fronteira com a Argentina, passando por Paraná, Santa Catarina e parte do território do Rio Grande do Sul
- Corredor Rio Grande: com 880 quilômetros, que ligaria o noroeste gaúcho ao porto de Rio Grande
Bruna Oliveira


.png)






.jpg)
 2-1-26.png)
.png)