PF DESCOBRE MENSAGENS DE EX-CHEFE DE GABINETE DE LULA ATUANDO COMO CANAL DO BANCO MASTER NO PLANALTO

A divulgação de relatórios sigilosos da Polícia Federal (PF) inseriu o Palácio do Planalto no centro de um novo escândalo de trânsito de influência. Mensagens extraídas do celular do banqueiro Daniel Vorcaro revelam que o ex-chefe de gabinete da Presidência da República, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como “Marcola”, foi acionado para intermediar interesses do Banco Master junto ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O diálogo ocorreu em julho de 2025 em um grupo de WhatsApp chamado “Amigos”. Nas mensagens, o advogado Walfrido Warde, que defendia os interesses de Vorcaro, cobrou textualmente que o assessor presidencial levasse reclamações ao chefe do Executivo para emparedar o Banco Central (BC). O órgão regulador vinha impondo barreiras técnicas à bilionária e polêmica venda do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB), uma instituição pública.
“@Marco Aurélio Marcola teremos de ir pra cima do Bacen. Peço pra avisar o presidente. Sinto muito. Mas não dá mais. O Gabriel [Galípolo], não tem estofo pro cargo”, disparou o advogado no grupo. Diante da forte pressão para que o presidente fosse avisado, Marcola respondeu prontamente na plataforma: “Vixe. Blz. Avisarei aqui. Dou notícias”.
O surgimento dessas mensagens agrava de forma contundente a crise em torno de Marco Aurélio Santana Ribeiro. O influente assessor já havia sido demitido do coração do governo após vir à tona o seu envolvimento no chamado “Escândalo do INSS”. Ele é investigado pela PF por receber um empréstimo suspeito de R$ 249 mil de Roberta Luchsinger, empresária apontada como operadora de um esquema de fraudes previdenciárias que também cita repasses financeiros a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
Apesar das investidas políticas capturadas nos celulares, a pressão contra o Banco Central não surtiu o efeito desejado pelos envolvidos. Em setembro de 2025, a diretoria da autoridade monetária exerceu sua autonomia técnica e rejeitou em definitivo a fusão entre o Master e o BRB, após auditorias apontarem graves inconsistências nos balanços e indícios de gestão fraudulenta na instituição de Vorcaro.
Procurada, a defesa de Marco Aurélio Santana Ribeiro admitiu a existência das mensagens, mas alegou que as respostas do ex-assessor configuravam apenas “respostas educadas e encaminhamentos protocolares”, sem qualquer interferência indevida. O Palácio do Planalto informou que o presidente Lula não tinha conhecimento das conversas de seu ex-auxiliar e reiterou seu respeito às decisões institucionais do Banco Central.
Por: 360


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