Mieth MadeirasBlumen Platz Center - Outubro de 2015
Por Donato Heinen. Publicado em 29/04/2021

Notas e Apartes nº 1.403

Coluna publicada no jornal Gazeta Regional de 28-4-21


Interesses – Os interesses dos grandes laboratórios são conhecidos. A venda de imunizantes ou remédios de baixo custo não lhes interessa. Eles têm uma cadeia de defensores no meio médico e na velha imprensa. Em entrevista ao Terça Livre, o médico Victor Sorrentino disse que conhece muito bem esse lobby das grandes indústrias do ramo. Têm muitos médicos que não querem perder viagens para Miami, Cancun e outros destinos turísticos, com tudo pago, em retribuição pela defesa dos interesses desses laboratórios, segundo o médico.

Tratamento precoce - Conforme Sorrentino, existe uma grande narrativa por trás dos ataques ao tratamento precoce contra o coronavírus. “Há ideais políticos nessa história, médicos que infelizmente não sentaram para estudar e ficam esperando que as suas sociedades corruptas médicas, que são financiadas pela indústria farmacêutica, digam o que fazer, quando na realidade é o médico que precisa avaliar esse caso”, critica.

Independência – Na segunda-feira, durante solenidade de inauguração de uma obra na Bahia, o presidente Jair Bolsonaro disse que “está chegando a hora de o Brasil dar um novo grito de independência. O suplício está chegando ao fim e brevemente voltaremos à normalidade”. Ele ainda declarou que o governo federal tratou a questão do vírus com “muita responsabilidade” e que o Brasil “não pode e não vai parar”. Resta saber como o presidente vai proceder, já que o STF decidiu que governadores e prefeitos têm plena autonomia para estabelecer as medidas que bem entenderem. Segundo Bolsonaro, governadores estão usando a pandemia para subjugar o povo.

Surreal – No Brasil atual, vivemos uma situação surreal. O governo federal distribuiu bilhões de reais para estados e municípios destinarem ao enfrentamento da pandemia. Muitos bilhões foram desperdiçados ou desviados. Hospitais de campanha construídos e depois desativados. E depois de tudo isso é instalada uma CPI no Senado para investigar quem?  O governo federal, em vez de apurar as falcatruas de quem se apropriou de dinheiro público. 

Moral – Apoiado por seus asseclas, Renan Calheiros insistiu em ser indicado relator da CPI. Seu filho é governador de Alagoas, um dos estados envolvidos em falcatruas. Jader Barbalho é suplente da CPI. Ele é pai do governador do Pará, também acusado de irregularidades. Que moral têm esses senadores, com dezenas de acusações contra si por corrupção, para investigar quem quer que seja? E que isenção têm para eventualmente investigarem os próprios filhos?

Decisão judicial – Há poucas semanas, o STF interferiu no Senado e determinou a instalação da CPI do Covid. Seu presidente, Rodrigo Pacheco, acatou a determinação e a instalou.  Na segunda-feira, um juiz de Brasília, em ação popular, determinou que Renan Calheiros não deve ser indicado relator da CPI.  “A escolha de um relator cabe ao presidente da CPI, por seus próprios critérios. A preservação da competência do Senado é essencial ao estado de direito”, reagiu Pacheco, sinalizando que não pretende acatar a decisão judicial. Uma atitude incoerente. Quando lhe convinha, usou a decisão do STF como muleta para abrir a CPI. Agora, quando a Justiça manda que o Senado se abstenha de indicar o suspeitíssimo e sem moral Renan Calheiros como relator, ele diz que é ingerência indevida de outro poder no Legislativo. A liminar foi derrubada ontem pelo TRF-1 e Renan indicado relator.

Doria – Nem a turma do Antagonista suporta mais João Doria, mesmo depois de ter recebido R$ 8 milhões de dinheiro do governo paulista. Os “antas” agora apóiam Ciro e Tasso. Doria ainda sonha em ser candidato a presidente. Seria bom. Assim ele veria todo prestígio que tem, depois de causar a falência de dezenas de milhares de pequenas empresas.

Donato Heinen

 
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