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Por Grande Santa Rosa Notícias. Publicado em 26/10/2026 as 00:48:30

Israel: o general enlutado vs. o dinossauro político

Sondagens apontam para um empate entre o bloco liderado pelo ex-chefe das IDF Gadi Eisenkot e o encabeçado pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que já passou quase 19 anos no poder.


Os eleitores israelitas vão às urnas esta terça-feira (27 de outubro) para eleger os 120 membros do Knesset - e consequentemente o próximo primeiro-ministro de Israel. Apesar de haver mais de três dezenas de listas eleitorais em jogo, a luta parece resumir-se a duas pessoas: o atual chefe de governo, Benjamin Netanyahu, o dinossauro político que já passou quase 19 anos no poder; ou Gadi Eisenkot, o general que esteve à frente das Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês) e que perdeu um filho (e dois sobrinhos) na guerra em Gaza.

As sondagens dão um empate técnico entre os dois campos: o dos partidos que fazem parte da atual coligação de governo, liderada pelo Likud de Netanyahu, e o bloco da oposição, encabeçada pelo Yashar (que Eisenkot criou há pouco mais de um ano). Ambos podem eleger 51 deputados, ficando aquém da maioria absoluta de 61.

Os partidos árabes, que não estão alinhados com nenhum dos campos, podem eleger 14, enquanto a aliança entre Os Reservistas e o Novo Partido Económico podem chegar aos quatro (se conseguirem ultrapassar os 3,25% de votos para garantir a entrada no Knesset). O verdadeiro desafio vai começar depois de serem contados os votos, quando for preciso negociar uma nova coligação de governo. Mas quem a vai liderar?

Aos 77 anos, Netanyahu é um sobrevivente político. Depois de quatro anos como embaixador de Israel nas Nações Unidas, foi eleito deputado pela primeira vez em 1988. Líder do Likud desde 1993, Bibi (como é conhecido) chegou a primeiro-ministro em 1996. Três anos depois, caiu num voto de confiança e perdeu as eleições.

Pensava-se que a sua carreira tinha acabado, mas regressou ao poder uma década depois, em 2009. Passou por várias crises governativas e longos períodos de impasse político, incluindo um acordo para “alternar” no poder com Benny Gantz (que nunca se concretizou para este último).

Netanyahu, que voltou à oposição entre junho de 2021 e dezembro de 2022, sobreviveu a tudo e chega a este novo desafio eleitoral ainda a responder em tribunal por corrupção, fraude e abuso de confiança. Se conseguir ser eleito primeiro-ministro irá continuar a somar tempo ao recorde de mais tempo no poder, tendo em 2019 ultrapassado o que era de David Ben-Gurion, o pai fundador de Israel.

Um general de 66 anos descendente de judeus marroquinos (e não da elite asquenaze de origem europeia que tem dominado a política israelita) poderá contudo estragar-lhe os planos.

Eisenkot chegou à política em 2022, juntando-se à coligação centrista Unidade Nacional de Gantz e Gideon Sa’ar, três anos depois de deixar as IDF. Era militar há quatro décadas, tendo-se alistado em 1978 na Brigada Golani, de infantaria, e ascendido até se tornar general de quatro estrelas e chefe do Estado-maior das IDF (cargo que ocupou entre 2015 e 2019).

Eleito deputado em 2022, acabaria por fazer parte junto com Gantz do governo de unidade nacional de Netanyahu, criado após os ataques do Hamas de 7 de outubro de 2023 (nos quais 1200 pessoas morreram e que desencadearam a guerra na Faixa de Gaza).

Eisenkot integrou o gabinete de guerra como observador, saindo em junho de 2024 depois de divergências sobre a estratégia política para o pós-guerra. Isto num conflito que se tornou pessoal para o próprio Eisenkot.

Gal Eisenkot, o filho mais novo do general, era reservista e foi morto em combate no norte da Faixa de Gaza a 7 de dezembro de 2023. Tinha 25 anos. A tragédia não ficou por aí: no dia seguinte, um dos seus sobrinhos, Maor Cohen Eisenkot, de 19 anos, foi morto em Khan Yunis. Outro sobrinho, Yogev Pazy, comandante de pelotão na Brigada Kfir, também foi morto em Gaza, em novembro de 2024. Tinha 22 anos.

Eisenkot explicou que a perda do filho alimentou a sua determinação em trabalhar para reparar o país. “Quero canalizar esta perda para algo positivo, para um lugar de dignidade, para dar continuidade ao seu legado”, disse na cerimónia que assinalou os dois anos da morte do filho, segundo o jornal Jerusalem Post.

Outros protagonistas

Itamar Ben-Gvir:

O líder do Poder Judaico, de extrema-direita, é ministro da Segurança Nacional desde 2022. Agora quer a pasta da Defesa, mas o primeiro-ministro já rejeitou, com Ben-Gvir a acusá-lo de estar a planear afastá-lo e chegar a acordo com Gadi Eisenkot.

Bezalel Smotrich:

O ministro das Finanças, do Partido Sionista Religioso (extrema-direita), concorre aliado com os libertários do Zehur, para evitar maior desperdício de votos à direita. Smotrich também quer a Defesa ou maior poder na Segurança ou colonatos.

Ultra-ortodoxos:

Netanyahu está no poder porque teve o apoio dos partidos ultra-ortodoxos Shas, de Aryeh Deri, e o Judaísmo Unido da Torá, de Ya’akov Asher. Ambos deixaram entretanto o governo, em desacordo com a questão do serviço militar obrigatório passar a incluir os ultra-ortodoxos. Mas o Shas manteve o apoio no Knesset.

Naftali Bennett:

Foi primeiro-ministro entre 2021 e 2022 e espera voltar a derrubar Netanyahu com a lista Juntos, que inclui Yair Lapid - o líder da oposição, do partido Yesh Atid (Há Futuro), que chegou a liderar o governo interino em 2022.

Yair Golan:

Como Eisenkot é um antigo militar. Lidera o partido Os Democratas (da esquerda sionista, uma fusão do Partido Trabalhista com o Meretz) 

 

Avigdor Lieberman:

Já foi chefe da diplomacia, ministro da Defesa e ministro das Finanças. Lidera o partido Yisrael Beytenu (Israel é a Nossa Casa).

Mansour Abbas:

O líder do partido árabe Ra’am (não confundir com a Lista Conjunta, de Yousef Jabareen) chegou a ser ministro sem pasta no governo de Bennett. O próximo governo poderá precisar da abstenção dos deputados que eleger. 

Susana Salvador 


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