Dez pontos que pesaram na derrota de Flávio Bolsonaro

Dez pontos explicam a derrota de Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pela Presidência, após ficar a frente no primeiro turno. Com pouco menos de 60 milhões de votos, o senador perdeu para Lula (PT), que foi reeleito para o quarto mandato com uma votação história de 64 milhões de votos. Foi a primeira virada de um candidato entre o primeiro e segundo turnos desde a redemocratização.
A relação com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, a ligação com as milícias e o fato de ter advogado para o policial acusado de matar Ana Clara, de cinco anos, pesaram para o candidato do PL. A campanha de Lula soube explorar bem os pontos negativos do adversário, que não deu explicação convincente ao eleitor. Pesou ainda a lembrança do governo de Jair Bolsonaro e a má condução da pandemia
A arrogância de Flávio nos debates deixou em evidência o salto alto da campanha do senador, que após a vitória em primeiro turno começou a projetar a transição para o novo governo em clima de "já ganhou"
Entenda a derrota:
Salto alto
Com mais de 2 milhões à frente de Lula no primeiro turno e uma vitória arrasadora nas eleições para os governos estaduais, Câmara e Senado, aliados de Flávio começaram a campanha de segundo turno no espírito do "já ganhou".
Arrogância
No debate da Globo, Flávio se mostrou mais ágil, mas perdeu pontos com os indecisos ao debochar da deficiência de Lula, falando em “nove dedos”. Deu a deixa ao adversário para chamá-lo de vagabundo e dizer que Flávio nunca trabalhou.
Ana Clara
O fato de ter advogado para o policial acusado de matar Ana Clara, de cinco anos, pesou contra o candidato, que não deu explicação convincente.
Ligação com milícias
A condecoração a um assassino de aluguel e o fato de ter dito que não se pode criminalizar as milícias tiveram peso importante.
Desprezo pela cultura
O apoio maciço dos artistas a Lula foi consequência do desprezo do governo Bolsonaro pela cultura.
Escala 6x1
O voto a favor da escala 6x1, depois de ter feito discursos contra, mostrou contradição e soou como oportunismo.
Efeito Trump
Colou em Flávio a imagem de submissão do presidente Donald Trump, que impôs tarifas a produtos brasileiros e tem interesse nas terras raras.
Falta de experiência
Flávio nunca administrou nada, à exceção da polêmica franquia de chocolates.
Rejeição ao pai
Apesar de vacinado, Flávio teve o ônus pelos erros do governo Jair Bolsonaro na pandemia.
Relação com Vorcaro
O pedido de dinheiro para financiamento do filme “Dark Horse” empurrou Flávio para o escândalo do Banco Master.
Rosane de Oliveira


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