“TRUMP ESTÁ CONVENCIDO DE QUE O BRASIL NÃO É MAIS UMA DEMOCRACIA PLENA”, DIZ FLÁVIO AO WASHINGTON POST

Em entrevista concedida ao jornal americano The Washington Post e publicada em 7 de novembro de 2026, Flávio Bolsonaro afirmou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está convencido de que o Brasil não é mais uma democracia plena. A declaração foi feita enquanto o senador se encontrava em Aventura, na Flórida, cerca de 11 dias após perder o segundo turno das eleições presidenciais para Luiz Inácio Lula da Silva e oito dias depois de chegar aos Estados Unidos de forma discreta.
Flávio Bolsonaro contrastou as instituições dos dois países. Segundo ele, “as instituições americanas ainda funcionam”, enquanto no Brasil “elas já não funcionam mais”. O senador apresentou os Estados Unidos como um refúgio onde ainda existe segurança jurídica e liberdade de expressão, justificando sua permanência no país com a alegação de que não teria condições de receber um julgamento justo no sistema judiciário brasileiro.
O ex-candidato à Presidência vinculou diretamente a visão de Trump à sua própria avaliação. Ele lembrou que o presidente americano classificou a eleição brasileira de “vergonha” e “fraudada”. De acordo com Flávio, essa percepção de Trump sobre o estado da democracia no Brasil reforça o entendimento de que as instituições nacionais teriam deixado de operar de forma plena e imparcial.
A saída de Flávio do Brasil ocorreu poucos dias após a derrota eleitoral, em meio a investigações e medidas judiciais, incluindo a apreensão de passaportes determinada pelo Supremo Tribunal Federal. O senador alega perseguição política e afirma que sua decisão de deixar o país não se trata de fuga, mas de uma forma de preservar a capacidade de atuar como oposição sem se submeter ao que considera um processo arbitrário.
A entrevista ao Washington Post ocorre em um momento de tensão nas relações entre Brasil e Estados Unidos. Embora o governo Trump tenha permitido a entrada de Flávio e de sua família, autoridades americanas têm evitado endossar publicamente as alegações mais extremas do senador, como a de ser o legítimo líder do Brasil. A declaração, no entanto, coloca novamente em evidência o alinhamento político entre os bolsonaristas e o presidente americano.
A frase de Flávio Bolsonaro tende a reacender o debate interno sobre a qualidade da democracia brasileira. Enquanto o senador e seus aliados apontam para o excesso de poder do Judiciário e restrições à liberdade de expressão, índices internacionais e a maioria dos analistas continuam classificando o Brasil como uma democracia, ainda que com desafios institucionais relevantes. A repercussão da entrevista deve influenciar tanto o discurso da oposição quanto as próximas movimentações diplomáticas entre os dois países.
Texto: @fabiianobraga


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