14 de dezembro de 1975, o dia que mudou a história do Inter e do futebol gaúcho

O futebol do Rio Grande do Sul nunca mais foi o mesmo depois de 14 de dezembro de 1975. Foi nessa data, há 50 anos, que o Sport Club Internacional chegou ao topo do Brasil ao superar o Cruzeiro por 1 a 0, no Beira-Rio, e conquistar o primeiro título brasileiro.
Passadas décadas depois, o Inter já ganhou a América e o mundo. Mas o marco inicial foi o gol iluminado, marcado de cabeça pelo zagueiro Elias Figueroa aos 11 minutos do segundo tempo daquela decisão histórica.
Prestígio no centro do país
Além de colocar a taça no armário, o time então comandado por Rubens Minelli conquistou o coração de todos os colorados, o respeito do principal rival e a admiração dos torcedores e da imprensa do centro do país.
O jornalista Juca Kfouri, que acompanhou aquele Inter, define o Colorado campeão de 1975 como uma equipe espetacular:
— Era um time que tinha um goleiro como Manga, o “Dom” Elias Figueroa como zagueiro e xerife, e contava com Carpegiani e Falcão no meio-campo. Sim, claro, além do Caçapava. Com jogadores dessa qualidade, só podia ser um timaço e fazer história.
Kfouri lembra que, na época, não se via tantos jogos na televisão como hoje, evidentemente. Então, quando havia oportunidade de assistir àquele time, era obrigatório ir ao estádio:
— Repito: o meio-campo do Inter com Caçapava, Carpegiani e Falcão, foi um dos melhores que eu vi na minha vida.
Era obrigatório a ir no estádio
JUCA KFOURI
Jornalista
Outro jornalista do centro do país, PC Vasconcellos, diz não ter dúvida alguma de que aquele Inter foi um dos maiores times do futebol brasileiro.
— Era um prazer ver o Inter jogar. Alguns jogadores, como Carpegiani e Falcão, hoje seriam titulares do meio de campo da Seleção Brasileira.
Quem tinha condições de acompanhar o Colorado de perto, como o Guerrinha, colunista de Zero Hora, também exalta a qualidade da equipe.
— Dificilmente, o Inter terá um time parecido com aquele. Todos sabiam jogar futebol. E além disso, era um time que tinha vergonha na cara. Você torcia para terminar o primeiro tempo perdendo de 2 a 0 para ter graça no segundo — comenta.
Dificilmente, o Inter terá um time parecido com aquele
GUERRINHA
Guerrinha, colunista de Zero Hora
Porto Alegre, a torcida e o jogo final

Porto Alegre amanheceu mobilizada para a grande final, a primeira em solo gaúcho. Colorados chegavam de todos os cantos para ajudar o Inter a conquistar o título contra o Cruzeiro. Mais de 82 mil pessoas lotaram o estádio e, entre elas, estava Fernando Carvalho — que seria o presidente campeão do mundo pelo Inter — que, na época, tinha 22 anos.
— Eu lembro que, pela ansiedade, acabei acordando muito cedo. Ia sempre aos jogos do Inter com alguns amigos, meu irmão Roberto e meu pai. Nós íamos para uma churrascaria chamada Dois Maninhos, ali pela Felipe de Oliveira. E esse ritual, que guiava todas as nossas ações nos pré-jogos, foi feito.
Saímos felizes da vida e comemoramos até a madrugada um título inesquecível
FERNANDO CARVALHO
Presidente do Inter, campeão do mundo de 2006
O Cruzeiro era um adversário perigoso e tinha craques como Raul, Nelinho, Piazza, Palhinha e Joãozinho. Mas o Inter conseguiu se impor e chegou ao gol da vitória aos 11 minutos da segunda etapa, com gol de cabeça de Elias Figueroa após cobrança de falta de Valdomiro.
— Foi o gol iluminado, com aquela cruzada do Valdomiro e o gol do Figueiroa. Saímos felizes da vida e comemoramos até a madrugada um título inesquecível — completa Carvalho.
O time revolucionário de Rubens Minelli

Embora contasse com jogadores de alta qualidade, o Inter também se destacava pelo coletivo. Paulo César Carpegiani, meio-campista daquele time e que anos depois se tornou treinador, sendo campeão do mundo pelo Flamengo em 1981, lembra como o Inter aliava técnica com eficiência.
— Nós tínhamos um grupo muito competitivo. E além do competitivo, que é uma característica do nosso Estado, nós conseguíamos aliar naquele tempo, um futebol técnico com jogadores que estavam surgindo e despontando.
O analista tático de GZH, Cristiano Munari, ressalta as inovações que Minelli fazia.
— O meio-campo do Inter tinha uma variação durante os jogos em relação ao que os principais times do Brasil faziam na época. Minelli tinha uma movimentação que fazia o primeiro volante ter ao lado um dos meias, que recuava, para o outro ficar adiantada.
Quem deveria ter treinado o Brasil na Copa do Mundo de 1978 era o Rubens Minelli
PC VASCONCELLOS
Por isso, Minelli é considerado um injustiçado por não ter sido técnico da Seleção Brasileira.
— Quem deveria ter treinado o Brasil na Copa do Mundo de 1978 era o Rubens Minelli. Era o técnico com mais mais capacidade à época, mas estávamos sob uma ditadura militar e o almirante Heleno Nunes, presidente da CBD, após a saída do Oswaldo Brandão, escolheu um militar, Cláudio Coutinho, brilhante, técnico, moderníssimo, à frente do seu tempo. Mas por uma questão lógica, quem deveria ter treinado era o Minelli — comenta PC Vasconcellos.
Inter 1x0 Cruzeiro — Final do Brasileirão — 14/12/1975
Inter (1)
Manga; Valdir, Figueroa, Hermínio, Chico Fraga; Caçapava, Falcão, Carpegiani; Valdomiro (Jair), Flávio e Lula. Técnico: Rubens Minelli.
Cruzeiro (0)
Raul; Nelinho, Darci Menezes, Morais, Isidoro; Piazza, Zé Carlos, Eduardo; Roberto Batata, Palhinha e Joãozinho. Técnico: Zezé Moreira.
Gol: Figueroa, aos 11 minutos do segundo tempo.
Estádio: Beira-Rio (Porto Alegre)
Público: 82.568
Documentário de GZH
Esse momento histórico é relembrado por Zero Hora no documentário Brasileirão de 1975 - Iluminado há 50 anos, que reúne três gerações de colorados. De um lado, o ídolo Valdomiro, 79 anos, autor do cruzamento certeiro para Figueroa. Do outro, o comunicador colorado do Grupo RBS Vaguinha, 45 anos, e o filho Théo, cinco anos. Assista:
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