Entenda como será a investigação do acidente que matou 11 pessoas na BR-116

Acidente matou 11 pessoas na BR-116 - Divulgação Ecovias Sul
A Polícia Civil deve investigar, inicialmente, como homicídio culposo, quando não há a intenção de matar, o acidente entre uma carreta e um ônibus que matou 11 pessoas no quilômetro 491 da BR-116, em Pelotas, na manhã de sexta-feira (2).
Conforme o delegado César Nogueira, responsável pelo caso, um inquérito foi instaurado para reunir informações técnicas e depoimentos que ajudem a compreender a dinâmica do acidente. O condutor da carreta, um homem de 25 anos, natural de Pelotas, já foi interrogado.
— O inquérito policial já foi instaurado. O motorista da carreta foi formalmente interrogado no início dessa madrugada. Nesse primeiro momento, ele ainda está muito abalado, então provavelmente a gente faça uma reiteração dele. Agora, é aguardar os outros elementos que ainda estão pendentes, como os laudos da Polícia Rodoviária Federal e do Instituto Geral de Perícias — comenta.
Segundo o delegado, apesar da circulação de imagens nas redes sociais sobre o momento da colisão, apenas a união de todos os elementos permitirá uma conclusão segura para a investigação.
O prazo para conclusão do inquérito é de até 30 dias, conforme prevê a legislação, já que não há réu preso. Após esse período, o procedimento será encaminhado ao Poder Judiciário.
Sobre a tipificação do crime, Nogueira ressalta que a investigação parte, em princípio, da hipótese de homicídio culposo, mas que a definição de culpa e eventual responsabilização criminal dependerá da análise completa de todos os elementos reunidos.
— Embora existam imagens que estão sendo reproduzidas nas redes sociais, só com a união desses elementos que a gente vai poder, de forma técnica, entender a dinâmica real do acidente. A princípio, será homicídio culposo, se é o que a gente acredita que aconteceu, mas a gente precisa de todos os elementos para poder delimitar alguma culpa e entender se terá alguma responsabilização criminal — declara o delegado.
Quanto às vítimas, o Instituto-Geral de Perícias realizou, durante a madrugada deste sábado (3), o trabalho de identificação dos corpos.
De acordo com a Polícia Civil, todos os procedimentos estão sendo realizados em Pelotas, onde os corpos permanecem.
Como foi o acidente?
O ônibus da linha intermunicipal saiu do box oito da rodoviária de Pelotas às 10h30min com destino a São Lourenço do Sul. De acordo com o relato de um dos sobreviventes, o veículo fez quatro paradas ao longo do trajeto, três de subidas e uma com a descida de duas mulheres. Ele afirma também que a viagem estava normal até o momento do acidente.
Conforme apurado pela reportagem, o acidente aconteceu porque um primeiro caminhão teve uma parada por satélite, bloqueando uma das pistas. Por conta disso, o fluxo passou a ser controlado pela concessionária no sistema "pare e siga".
Na sequência, a carreta envolvida no acidente trafegava no sentido Interior–Capital e, ao se deparar com a fila de veículos parados, invadiu a pista contrária e colidiu frontalmente com o ônibus, que seguia no sentido Capital–Interior. Com o impacto, a carga de areia caiu sobre o coletivo, atingindo os passageiros.
O acidente ocorreu em um trecho duplicado, que vinha operando em pista simples há alguns meses devido às obras na ponte do arroio Corrientes. No momento da colisão, o local estava devidamente sinalizado, segundo a Ecovias Sul, que administra o trecho.
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