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Por Donato Heinen. Publicado em 30/01/2026 as 19:10:57

Índice de mortalidade do vírus Nipah pode alcançar até 75%

Registros de infecção humana, porém, têm se concentrado apenas no sul e no sudeste da Ásia


Aeroporto na Tailândia em alerta contra o vírus Nipah Foto: EFE/EPA/AIRPORTS OF THAILAND

Considerado uma ameaça relevante à saúde pública internacional, o vírus Nipah permanece sob vigilância da Organização Mundial da Saúde (OMS) devido ao seu alto potencial de letalidade e à ausência de tratamentos específicos. Em casos confirmados, a taxa de mortalida

Os registros de infecção humana se concentram no sul e no sudeste da Ásia, especialmente em Bangladesh e na Índia, onde surtos continuam sendo relatados de forma recorrente. Apesar de o vírus já ter sido detectado em morcegos em outras regiões da Ásia e também na África, não há confirmação de transmissão humana fora do eixo asiático até o momento.

A preocupação das autoridades sanitárias se intensifica porque o Nipah não possui vacina nem antiviral específico. O atendimento médico limita-se ao suporte intensivo, voltado ao controle de complicações respiratórias e neurológicas, o que aumenta o risco de desfechos graves.

O Nipah foi identificado pela primeira vez em 1999, após um surto envolvendo criadores de suínos na Malásia. Desde então, pesquisas apontaram os morcegos frugívoros (que se alimentam de frutas), principalmente do gênero Pteropus, como hospedeiros naturais do vírus, capazes de transmiti-lo direta ou indiretamente aos seres humanos.

A infecção pode ocorrer por diferentes caminhos. O contato com animais infectados ou com suas secreções é uma das principais formas de transmissão. Também há risco no consumo de alimentos contaminados. Além disso, o vírus pode ser transmitido entre pessoas por meio do contato com fluidos corporais.

Um dos fatores que dificultam o controle da doença é o longo e variável período de incubação, que geralmente vai de quatro a 21 dias, mas pode se estender por até 45 dias em situações raras.

Nos estágios iniciais, os sintomas costumam ser inespecíficos e semelhantes aos de uma virose comum, com febre, dores no corpo e vômitos. Em parte dos pacientes, porém, o quadro evolui de forma agressiva, levando a insuficiência respiratória e encefalite aguda.

Quando há comprometimento neurológico, surgem sinais como sonolência, tontura, confusão mental e convulsões, podendo ocorrer coma em menos de dois dias. Entre os sobreviventes, cerca de 20% ainda enfrentam sequelas neurológicas permanentes ou recaídas tardias meses após a infecção inicial.

Sem medicamentos específicos disponíveis, a prevenção segue como a estratégia mais eficaz contra o vírus. As recomendações incluem evitar o consumo de suco de tâmara cru, lavar e descascar frutas antes do consumo e descartar alimentos que apresentem marcas de mordidas de animais. 

Pleno News


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