Como fica a economia do Brasil com cenário de guerra de ao menos um mês

Pressionada pela taxa de juro de 15% ao ano, a economia do Brasil desacelerou em 2025, como esperado. O último trimestre do ano passado repetiu o do período anterior de três meses, de 0,1%. Está no terreno positivo, mas na prática significa estagnação. O ano teve alta de 2,3% graças ao crescimento acumulado no primeiro semestre. E este ano, que já tinha suas complexidades, tornou-se ainda muito mais incerto com a guerra aberta por Estados Unidos e Israel contra o Irã.
Uma das premissas com que 2026 começou – inflação relativamente controlada – já não está garantida. Além dos cerca de 7% de alta na véspera, nesta terça-feira (3), o petróleo salta mais 8,5%. Com a perspectiva de que o conflito se estenda por "quatro ou cinco semanas", como afirmou o presidente dos EUA, Donald Trump, é inevitável que essa elevação seja repassada, não apenas aos combustíveis, mas para milhares de produtos que usam a matéria-prima em sua composição.
Por outro lado, nos últimos anos o Brasil se tornou exportador de petróleo. No ano passado, as vendas ao Exterior superaram as compras em US$ 29,6 bilhões, o que equivale a quase metade (43%) de todo o saldo comercial do período. A alta de preços e a indisponibilidade de instalações petroleiras no Oriente Médio projetam venda ao Exterior maior e mais rentável. É uma possibilidade de entrada de mais dólares no Brasil. Caso o conflito não evolua para uma situação ainda mais caótica, em tese haveria possibilidade de conter uma parte da alta na inflação.
Na segunda-feira (2), o secretário do Tesouro, Rogério Ceron, afirmou que a flutuação do petróleo entre US$ 75 e US$ 85 não geraria pressões inflacionárias. No entanto, no quarto dia dos ataques, o barril do tipo brent, referência internacional, já é cotado a US$ 84.
Ceron também afirmou que o conflito não teria impacto no início do ciclo de corte de juro, mas poderia reduzir seu alcance. Traduzindo, haveria risco de que a Selic não chegasse a cair sequer aos 12% que estava na mira dos investidores antes do conflito. O índice DXY, que compara a moeda americana às de países desenvolvidos, avança 0,87% nesta terça. A libra cai 0,86% e o euro recua 0,84%. Esse pode não ser apenas um "efeito colateral" da ofensiva
Marta Sfredo


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