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Por Donato Heinen. Publicado em 16/04/2026 as 18:51:14

Delação de Vorcaro avança sob pressão de mais prisões e possível devolução de R$ 40 bilhões

Pressa por delação também está ligada ao risco de perda de patrimônio


As negociações para a delação premiada do ex-banqueiro Daniel Vorcaro devem dar um passo importante nos próximos dias com a definição de um roteiro para o processo. A reportagem apurou que prisões realizadas nesta quinta-feira (16) já indicariam parte desse andamento.

Os alvos da Polícia Federal desta vez foram Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB) e um advogado próximo de Vorcaro.

Fontes ligadas à investigação disseram à reportagem que informações que surgiram das negociações da delação com Vorcaro já ajudaram a fundamentar as prisões.

Além disso, a quarta fase da Operação Compliance Zero foi deflagrada, novamente, sem incluir entre os alvos de medidas judiciais autoridades de alto escalão dos Três Poderes. A reportagem apurou que uma possível explicação para isso é que os investigadores estejam esperando a delação se concretizar para só depois focar nas autoridades mais importantes.

A expectativa, segundo investigadores a par das apurações, é de que um eventual acordo de colaboração, acompanhado de provas robustas, possa alterar o alcance da operação, ampliando o foco para agentes políticos e integrantes do Judiciário nas próximas fases.

Os advogados do ex-banqueiro devem entregar à PF e a procuradores uma espécie de roteiro da delação nesta semana ou na próxima. Apesar da movimentação intensa da defesa de Vorcaro, investigadores indicam que o processo à delação deve ser mais longo do que o esperado. Isso porque Vorcaro terá que apresentar provas para sustentar o que tem a dizer, além do que já foi levantado pela PF.

Fontes a par das apurações reforçam que a defesa de Daniel Vorcaro sinalizou a possibilidade de devolução de até R$ 40 bilhões, com pagamento ao longo de um período de até dez anos. Embora significativa, a proposta vem sendo recebida com cautela por investigadores e pelo relator no Supremo, André Mendonça, que indicou preferência por acordos com ressarcimento mais imediato.

As autoridades também avaliam que o valor a ser restituído deve ser compatível com os prejuízos causados, incluindo impactos ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que arcou com pelo menos R$ 51 bilhões após a quebra de instituições ligadas ao grupo.

Além disso, há dúvidas sobre a real disponibilidade desses recursos, que estariam espalhados em contas secretas.

“Ele teria de apontar onde esses recursos estão ou de onde pretende tirá-los. Acho pouco provável que a delação do Vorcaro seja fechada fora desses termos”, avalia o advogado constitucionalista André Marsiglia.

“Outro entrave é se esses recursos estiverem em paraísos fiscais ou em nome de terceiros, o que pode comprometer mais pessoas no esquema”, lembra o criminalista Márcio Nunes.

Na prática, os investigadores consideram que o conteúdo já apreendido pela PF pode representar o ponto de partida da delação, mas resta saber se o ex-banqueiro teria provas e materiais comprobatórios para ampliar o que se encontrou no escopo inicial.

“A expectativa é que o ex-banqueiro revele novos fatos, apresente documentos adicionais e conecte informações que ampliem o alcance das apurações, mas mesmo entre investigadores, há certo ceticismo com relação a isso, principalmente porque ele teria de envolver nomes do próprio Supremo, políticos e autoridades”, alerta André Marsiglia.

No caso da apresentação das provas, elas ainda precisam ser efetivamente validadas pelo STF. “Há um corporativismo [dentro da Corte] então a delação ainda é incerta ao que depender do STF e ao atingir autoridades com influência nos Três Poderes”, descreve o professor de Direito Constitucional, Alessandro Chiarottino.

Defesa corre contra o tempo para estruturar proposta de delação

Desde que assinou o termo de confidencialidade, em 19 de março, Vorcaro iniciou formalmente o processo de negociação para uma delação. A partir daí, sua defesa passou a elaborar os chamados “anexos da delação”, que funcionam como um roteiro detalhado dos temas e fatos que serão abordados.

Uma equipe de advogados tem trabalhado quase diariamente com Vorcaro para organizar relatos, reunir documentos e estruturar a proposta, que pode ser entregue ainda nesta ou na próxima semana, mas fontes ligadas às investigações consideram o prazo otimista demais, para não dizer inviável.

A tendência é que o processo se estenda por meses, ultrapassando inclusive o período eleitoral, já que as autoridades não estariam demonstrando pressa e tenham dito que preferem priorizar a consistência das informações.

Pressa por delação também está ligada ao risco de perda de patrimônio 

A tentativa de acelerar a delação de Vorcaro também estaria associada ao receio de dissipação de recursos investidos ou aplicados pelo ex-banqueiro. Parte da fortuna ligada a Vorcaro estaria distribuída em fundos e estruturas financeiras complexas, no Brasil e fora dele, segundo apurações preliminares das investigações.

Sem controle direto sobre esses ativos, Vorcaro temeria que valores sejam reduzidos ou desviados por terceiros antes da formalização do acordo. “Isso poderia enfraquecer a capacidade de Vorcaro de oferecer compensações financeiras, um dos principais trunfos na negociação”, afirma Nunes.

Para Marsiglia, a delação surge como estratégia jurídica e também como forma de preservar recursos que poderiam ser usados para viabilizar benefícios penais. O acordo, quando e se for finalizado, ainda precisará ser analisado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, relator do caso. Ele já indicou a interlocutores que não há garantia automática de homologação da delação.

A tendência é que o ministro faça uma avaliação, comparando o conteúdo da delação com o que já foi apurado ao longo das investigações da operação Compliance Zero.

“O acordo só deve avançar se ficar comprovado que há efetiva contribuição às investigações, provas que contribuam com o que foi apreendido. Há também uma preocupação em evitar problemas semelhantes aos verificados em operações anteriores, como acordos questionados judicialmente ou anulados sob a justificativa de não haver provas consistentes”, segue Nunes.

Embora a defesa sustente que Vorcaro pretende fazer uma colaboração ampla, inclusive com menções a figuras relevantes alcançando, inclusive, ministros do STF, a expectativa entre investigadores é contida. A avaliação é que o acordo só terá impacto se trouxer provas robustas, verificáveis e não houver manobras na Corte para impedir a delação.

Nova etapa mira corrupção passiva e lavagem de dinheiro

A etapa mais recente da Compliance Zero mirou o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa. Ele é suspeito de envolvimento em um esquema de corrupção passiva e lavagem de dinheiro ligado ao Banco Master, que teria sido reforçado em um relatório da auditoria feita pelo próprio BRB e que foi encaminhado à Polícia Federal (leia mais sobre o relatório abaixo).

As investigações teriam indicado que o ex-presidente do BRB recebeu supostas vantagens indevidas para viabilizar a aprovação de operações consideradas irregulares com o Master. Entre elas estava a aquisição de carteiras de crédito apontadas como fraudulentas pelo BRB para gerar recursos financeiros e liquidez para o Master.

Segundo o inquérito, para viabilizar essas operações, Costa teria recebido pagamentos por meio da transferência de imóveis de alto padrão, avaliados em mais de R$ 140 milhões.

Ao todo foram identificadas seis propriedades em São Paulo e Brasília, que teriam sido usadas para ocultar valores vindos do esquema. Segundo investigadores, há indícios de que os bens estavam sendo negociados após o avanço das apurações.

A defesa do ex-presidente do BRB disse à CNN que a prisão não se justifica, que teve um caráter de exagero e que vai tomar conhecimento da íntegra do inquérito antes de se pronunciar. A defesa acompanhou as buscas da PF na casa do ex-presidente do BRB.

Segundo o ministro André Mendonça, o envolvimento de Paulo Henrique Costa “não se limita a uma negligência administrativa ou deficiência de governança, mas alcança, em tese, a adesão consciente ao arranjo de crimes”, indicando atuação deliberada para favorecer a liquidez do Banco Master em troca de vantagens indevidas.

Na avaliação do magistrado, medidas cautelares alternativas seriam insuficientes diante do nível de articulação dos investigados, da complexidade do esquema e da continuidade das práticas de lavagem de dinheiro. Após determinar as prisões, o relator também solicitou a inclusão do caso na pauta da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal para referendo da decisão em sessão virtual.

A operação também mirou um advogado ligado ao empresário Daniel Vorcaro, apontado, segundo a PF, como responsável por administrar recursos e estruturas utilizadas no suposto desvio de dinheiro.  A Gazeta do Povo não localizou a defesa do advogado até o fechamento dessa reportagem. O espaço segue aberto.

BRB enviou auditoria interna à PF

A auditoria interna conduzida pelo BRB sobre suas operações com o Banco Master, concluída e encaminhada à Polícia Federal no início do mês, teria identificado uma série de inconsistências que podem ter contribuído para as prisões realizadas nesta quinta-feira (16). O relatório foi elaborado após o avanço da Compliance Zero e aponta indícios de irregularidades relevantes nas transações entre as instituições.

O trabalho foi dividido em três frentes: a análise da entrada de Daniel Vorcaro e outros investigados na estrutura acionária do banco BRB; a avaliação da governança e da compra de carteiras de crédito; e, por fim, a tentativa de aquisição do Master, posteriormente barrada pelo Banco Central. Entre os principais achados, está a compra de carteiras sem adequada análise de risco, além de fragilidades nos mecanismos de controle interno.

A auditoria também revelou que o BRB adquiriu cerca de R$ 12,2 bilhões em ativos com suspeitas de fraude, parte dos quais precisou ser substituída, gerando a necessidade de provisionamento superior a R$ 6 bilhões para cobrir possíveis perdas. Esses elementos reforçariam, segundo investigadores, as evidências que embasam as investigações.

 Gazeta do Povo

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