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Por Donato Heinen. Publicado em 17/04/2026 as 15:16:31

Governo Lula admite que dívida pública vai explodir: pico de 87,8% do PIB até 2029

A equipe econômica de Lula elevou a previsão da dívida bruta e empurrou o pico para 2029 — enquanto finge que tudo está sob controle


A equipe econômica do governo Lula atualizou as projeções da dívida pública brasileira na nova proposta da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). O número é brutal: a dívida bruta deve atingir 87,8% do PIB em 2029. A estimativa anterior falava em 84,2% em 2028. Ou seja, a dívida ficou maior e o pico foi empurrado para mais longe.

Não é um ajuste técnico. É uma deterioração assumida.

Desde o início do governo Lula, a relação dívida/PIB saltou de 71,7% para 79,2%, segundo o Banco Central. Em números absolutos, a dívida bruta cresceu R$ 2,95 trilhões. Trilhões. No plural.

Agora compare: o discurso de campanha prometia responsabilidade fiscal. A prática entrega um Estado que gasta mais do que arrecada, paga juros que já ultrapassam R$ 1 trilhão por ano e não consegue sequer manter suas próprias projeções de pé por mais de um ciclo orçamentário.

O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, atribuiu o avanço da dívida ao aumento dos juros, ao crescimento dos gastos públicos e aos déficits persistentes. Traduzindo: o governo gasta demais, arrecada de menos e culpa a taxa de juros — como se a Selic fosse um fenômeno climático, e não uma resposta direta ao descontrole fiscal que ele mesmo alimenta.

Mas há um detalhe que merece atenção especial.

A proposta do governo prevê retirar R$ 347 bilhões em precatórios do cálculo da meta fiscal até 2035. É a velha engenharia contábil: se o número não cabe na meta, mude a meta. Ou, melhor ainda, mude o que entra no cálculo. Assim, o governo pode bater no peito e dizer que cumpriu o arcabouço fiscal — desde que ninguém olhe o que ficou de fora da conta.

E é aí que a história complica.

O Fundo Monetário Internacional não compra essa maquiagem. O FMI projeta que a dívida brasileira pode chegar a 106,5% do PIB em 2031, utilizando metodologia diferente da adotada pelo governo. A diferença entre as duas projeções não é um detalhe técnico — é um abismo de credibilidade.

Enquanto isso, o Ministério da Fazenda emitiu uma nota afirmando que “mantém compromisso com a estabilidade fiscal e com a redução da trajetória da dívida ao longo do tempo”. Uma frase que poderia ter sido escrita por qualquer governo, em qualquer época, diante de qualquer desastre fiscal. É o tipo de declaração que não compromete, não explica e não convence.

A pergunta que ninguém faz é simples: se o governo está comprometido com a responsabilidade fiscal, por que cada nova revisão é pior que a anterior?

Não é coincidência. É padrão. O Estado brasileiro segue sua vocação histórica: crescer, gastar, endividar — e mandar a conta para o contribuinte que trabalha, empreende e paga impostos. Cada trilhão a mais na dívida pública é um trilhão a menos de futuro para quem produz riqueza neste país. E nenhuma nota oficial muda isso.

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