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Por Donato Heinen. Publicado em 17/04/2026 as 20:13:10

Morre Oscar Schmidt, lenda do basquete, aos 68 anos

Ex-jogador tinha sido internado nesta sexta-feira


Oscar Schmidt morreu nesta sexta-feira (17), em São Paulo, aos 68 anos. Maior jogador e cestinha da história do basquete brasileiro, ele teve um mal-estar e foi internado no Hospital e Maternidade Municipal Santa Ana (HMSA), em Santana do Parnaíba, interior paulista.

A equipe da Equipe 14 Eventos, empresa administrada por Oscar, anunciou em nota o falecimento do ídolo: "É com profundo pesar que comunicamos o falecimento de Oscar Schmidt, um dos maiores nomes da história do basquete mundial e uma figura de imenso significado humano e esportivo".

O astro é o maior pontuador da história das Olimpíadas. Ele deixa a mulher, Maria Cristina, e dois filhos, Filipe e Stephanie. É irmão do apresentador da TV Globo Tadeu Schmidt. 

Em 2011, Oscar descobriu um câncer no cérebro, mas em 2022 anunciou que estava curado após cirurgias e sessões de quimioterapia.

Confira a entrevista de Oscar ao Timeline da Gaúcha em 2022:

Trajetória de Oscar

O "Mão Santa", como ficou conhecido, anotou os 49.737 pontos em 1.615 partidas, com média de 30,7 pontos por jogo. Pela seleção brasileira, Oscar fez 7.963 pontos e teve como principal título o Pan-Americano de 1987 contra os Estados Unidos.

Era 1984 e um dos drafts mais aguardados da badalada liga de basquete norte-americana teve início. Na relação de "amadores", universitários e atletas que atuavam em equipes profissionais fora da NBA, estavam Jordan, Charles Barkley, John Stockton (três futuros integrantes do Dream Team, a equipe de basquete dos Estados Unidos, campeã olímpica nos Jogos de Barcelona), Hakeem Olajuwon e, ele, Oscar. 

O brasileiro foi escolhido pelo New Jersey Nets. Enfim, estaria no Olimpo do basquete. Mas, o potiguar de Natal, dono de 2,05m de altura e então com 26 anos, desistiu do contrato nos Estados Unidos. Para muitos, poderia ser um motivo simplório. Para Oscar, era parte da sua vida. O ala não quis jogar no Nets porque, como profissional, ele perderia a condição de jogador da seleção brasileira, e não poderia ir mais aos Jogos Olímpicos (foi a cinco: 1980, 1984, 1988, 1992 e 1996). 

Pan-Americano de Indianápolis

Oscar então voltou ao Caserta, o clube italiano no qual atuou por oito temporadas. Seguiu a carreira e, três anos depois, de volta aos Estados Unidos, impôs aos donos do basquete a sua primeira grande derrota na história. Indianápolis, 23 de agosto de 1987. Final dos jogos Pan-Americanos, no Market Square Arena, a casa do Indiana Pacers, um dos mais tradicionais times da NBA. 

O Brasil terminou o primeiro tempo 14 pontos atrás dos donos da casa. As mais de 16 mil pessoas presentes ao ginásio já contavam com a orgulhosa medalha de ouro no peito e, uma vez mais, a bandeira dos 50 Estados sendo hasteada. Mas, vestindo a camisa amarela e verde, estava Oscar e seus 46 pontos na partida. Em quadra, os futuros astros da NBA David Robinson, Danny Manning e Rex Chapman assistiram quase impávidos à virada no segundo tempo e a vitória dos comandados de Ary Vidal: Oscar, Pipoka, Marcel e companhia por 120 a 115. O Market Square se calou. E a imagem de Oscar com a rede de uma das cestas no pescoço, atirado ao chão, aos prantos, foi eternizada. 

Hall da Fama do Basquete

O enorme respeito dos norte-americanos a Oscar o levou a Springfield, cidade próxima a Boston, em 2013. É lá que está o Hall da Fama do Basquete. E o camisa 14 do Brasil, com a boina negra para esconder a falta de cabelos, devido à agressividade da quimioterapia, foi um dos homenageados. Ingressou no panteão do basquete, ao lado de todos os grandes nomes da história. Nesse ponto, o basquete foi cruel com Oscar. Com a seleção brasileira enfraquecida pela falta de investimentos no esporte, não conseguiu um grande título, com o glamour que merecia. Foi campeão mundial com o Sírio, de São Paulo, em 1979, quando o basquete ainda era um esporte sem o destaque e a mídia de hoje. Conquistou campeonatos italianos, pelo Caserta e pelo Pavia, campeonatos brasileiros, paulistas e o Sul-Americano. Mas o Mão Santa — apelido que merecidamente ganhou pelas suas cestas —, jamais recebeu em títulos tudo o que deu ao jogo. Uma injustiça divina, compensada em parte com o ingresso no Hall da Fama.

Ao todo, foram 29 anos de carreira no basquete. Com pai militar, os Schmidt deixaram Natal e foram morar em Brasília. Oscar começou a jogar basquete no Distrito Federal, aos 13 anos. Fenômeno, na temporada seguinte estava nos juvenis do Palmeiras. Chegou à seleção brasileira da categoria. Aos 19 anos, seleção principal. Não parou mais. Um mito passou a ser construído. Aos 40 anos, após uma carreira construída no basquete italiano, onde se tornou ídolo do então pequeno Kobe Bryant, estrela do Los Angeles Lakers, e filho de Joe Bryant, seu adversário na liga daquele país , Oscar atuava pelo Banco Bandeirantes quando estabeleceu um novo marco para o ascendente basquete profissional brasileiro: sozinho, ele fez 74 pontos na vitória sobre o seu ex-time, o Corinthians, pelo Campeonato Paulista, quando a sua média por partida foi de incríveis 41,5 pontos. 

Oscar parou de jogar em 2003. Ainda em 1998, um ano depois de ter sido campeão nacional com o Corinthians e já no Bandeirantes, aceitou o convite do Partido Progressista (PP) e saiu candidato a senador por São Paulo. A concorrência foi com o peso-pesado do PT Eduardo Suplicy. Perdeu, mas durante boa parte da campanha chegou a liderar a disputa. Depois disso, desistiu da política e passou a se dedicar a palestras motivacionais. 

Em 2011, com o surgimento de um câncer no cérebro, passou a curtir mais a vida, deixou de comprar imóveis para viajar com a família. A jornada de Oscar chegou ao fim nesta sexta-feira. Uma derrota dura do basquete.

Recordes de Oscar

  • Foi o atleta de basquete que disputou o maior número de olimpíadas: 5
  • Maior pontuador em olimpíadas: 1.093
  • Mais vezes cestinha em olimpíadas: 3
  • Maior número de pontos em um jogo de olimpíadas: 55, contra a Espanha, em Seul/1988
  • Maior número de pontos pela seleção brasileira: 7.693
  • Maior número de pontos na carreira: 49.737

Confira a nota da Equipe 14 Eventos

É com profundo pesar que comunicamos o falecimento de Oscar Schmidt, um dos maiores nomes da história do basquete mundial e uma figura de imenso significado humano e esportivo.

Ao longo de mais de 15 anos, Oscar enfrentou com coragem, dignidade e resiliência a sua batalha contra um tumor cerebral, mantendo-se como exemplo de determinação, generosidade e amor à vida.

Reconhecido por sua trajetória brilhante dentro das quadras e por sua personalidade marcante fora delas, Oscar deixa um legado que transcende o esporte e inspira gerações de atletas e admiradores no Brasil e no mundo.

A despedida se dará de forma reservada, restrita aos familiares, em respeito ao desejo da família por um momento íntimo de recolhimento.

Os familiares agradecem, sensibilizados, todas as manifestações de carinho, respeito e solidariedade recebidas, e solicitam a compreensão de todos quanto à necessidade de privacidade neste momento de luto.

Seu legado permanecerá vivo na memória coletiva e na história do esporte, assim como no coração de todos que foram tocados por sua trajetória.

GZH


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