Crítica das viagens de Lula, Júlia Zanatta foi à Rússia bancada por governo do MDB

Após pedir suspensão de voos da FAB para ministros de Lula e questionar despesas com comitivas, a deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC) mostra querer esquecer registros de sua biografia presentes em dados oficias. Em 2009, ela, que também é crítica de Vladimir Putin e da Rússia, integrou uma comitiva que excursionou por 17 dias no país, além da Polônia, Áustria, França. A viagem foi bancada com dinheiro público.
A comitiva ocorreu de 10 a 26 de outubro de 2009, sob o mandato do governador Luiz Henrique da Silveira (MDB). Hoje, Júlia Zanatta também é uma das maiores críticas do MDB em Santa Catarina, que tem no ex-governador, já falecido, um dos seus maiores quadros. À época, a parlamentar era cargo comissionado da Secretária de Comunicação, sob chefia de Derly Anunciação, que também esteve na comitiva.
A liberação para a sua viagem ao exterior está registrada no Diário Oficial e em processo da Secretaria de Administração, mas os dados dos recursos envolvidos não estão mais disponíveis no Portal da Transparência. A parlamentar foi comissionada em governos do centrão catarinense e também na Assembleia Legislativa do Estado antes de aderir ao bolsonarismo e tornar-se coordenadora regional da Empresa Brasileira de Turismo (Embratur).
Luiz Henrique da Silveira tinha forte conexão com a Rússia, de onde conseguiu trazer o Balé Bolshoi quando era prefeito de Joinville. A comitiva, entretanto, não produziu grandes manchetes à época, já que o então governador se preparava para a despedida do segundo mandato. Além de uma equipe com oficiais da Polícia Militar, Júlia era a única integrante da comitiva que não tinha cargo de alto escalão.
Em maio de 2025 ela chegou a criticar a visita oficial de Lula ao país: “Lula posa de defensor da democracia, mas vai à Rússia comemorar a vitória soviética ao lado de ditadores”, disse. Já sobre o MDB, cujo governo patrocinou sua viagem com dinheiro público, a deputada faz críticas locais e também a políticos próximos do governo Lula. O governo que patrocinou a comitiva se elegeu com apoio de Lula no segundo turno, em 2002.
Na mensagem do então governador a Assembleia, a justificativa da viagem era “visibilidade internacional do Estado e atração de investimentos”. O maior trecho da viagem foi justamente em Moscou, onde a comitiva da qual Júlia fez parte participou de apresentações de ballet, jantares oficiais, visita a conservatórios de música e ao Kremelin. Além de encontros com embaixadores e autoridades locais, a excursão europeia também teve concertos em homenagem a Chopin, coquetéis e períodos livres.
Mais comitivas
“Voos executivos, hotéis de luxo, lençóis egípcios, iate na COP 30… Entende por que o desgoverno Lula precisa aumentar impostos a cada 37 dias?”, questionou a deputada ao criticar o governo pelas viagens internacionais. Recentemente, entretanto, ela recebeu R$ 14.571,50 em diárias para ir a CPAC USA 2026, convenção dos extremistas radicais de direita.
Já em 2024, ela esteve em reunião de grupo de parlamentares europeus e latino-americanos, viagem organizada por bolsonaristas na cruzada para livrar Jair Bolsonaro da prisão que ocorreria no ano seguinte. Foram R$ 11.719,66 em passagens e R$ 9.938,16 em diárias pagas com dinheiro público. Ambas as agendas foram ideológicas, sem resultados diretos para os cidadãos
Amanda Miranda


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