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Por Donato Heinen. Publicado em 30/04/2026 as 11:58:59

1.335 dias depois: a picanha de Lula ficou 12% mais cara e a cervejinha, 25%

O presidente prometeu churrasco ao povo em 2022. Entregou inflação, carne mais cara e um silêncio ensurdecedor sobre o assunto


Lula - Ricardo Stuckert/PR/Divulgação

Esse é o tempo que separa a promessa da realidade. Em 24 de agosto de 2022, sentado diante das câmeras do Jornal Nacional, o então candidato Lula olhou para o Brasil e disse aquilo que todo mundo queria ouvir: “O povo tem que voltar a comer um churrasquinho, a comer uma picanha e tomar uma cervejinha.”

A frase virou mantra. Virou jingle. Virou palanque.

Passados quase 44 meses, a picanha acumulou 12% de alta. O contrafilé subiu 26%. O acém, 31,8%. O músculo, 25,7%. A cerveja — aquela cervejinha — ficou 25% mais cara em mercados e bares. Só a inflação acumulada desde janeiro de 2023 empurrou todos os produtos para cima em pelo menos 17%.

A pergunta que ninguém faz é simples: quem prometeu o churrasco vai explicar por que a conta ficou mais salgada?

Não vai. Em 2026, Lula não disse nada sobre o assunto. O silêncio é a confissão mais eloquente da política brasileira.

O boi também não perdoa

O preço nominal da arroba do bezerro ultrapassou os R$500 pela primeira vez na história, em abril. A última vez que algo parecido aconteceu foi em 2021, no auge da pandemia — quando havia, ao menos, uma justificativa global para a escalada de preços. Agora, a justificativa é outra: descontrole fiscal, câmbio pressionado e um governo que prefere gastar a ajustar.

Mas há um detalhe que torna tudo mais revelador.

Quando Lula fez aquela promessa em 2022, a narrativa era clara: o brasileiro passava fome por culpa do governo anterior. A carne cara era culpa de Bolsonaro. A cerveja cara era culpa de Bolsonaro. O gás caro era culpa de Bolsonaro. Bastava trocar o presidente e o churrasco voltaria.

Trocou. O churrasco não voltou. E a culpa agora é de quem?

Sucessão à vista — e o PT já olha para o espelho retrovisor

Enquanto a picanha sobe, o prestígio político de Lula desce. A hipótese de o presidente desistir da reeleição já não é tabu dentro do próprio partido. Alas do PT começaram a defender abertamente o nome de Camilo Santana, ex-governador do Ceará e ex-ministro da Educação, como substituto natural.

A lógica é pragmática: Santana dialoga com o eleitor jovem, tem reconhecimento no Nordeste — a fortaleza eleitoral petista — e já desbancou Fernando Haddad na preferência interna. Se a disputa no Ceará apertar com o lançamento de Ciro Gomes pelo PSDB, Santana pode até voltar ao estado para enfrentar o tucano.

E se tudo der errado? Camilo ainda tem quatro anos de mandato no Senado. Não fica na chuva.

A mensagem é cristalina: o PT já está montando o plano B antes mesmo de admitir publicamente que o plano A pode ter falhado.

CPMI do INSS: 4 mil páginas para a gaveta

Outro fato que merece mais do que uma nota de rodapé: o relatório final da CPMI do INSS — quatro mil páginas, 218 nomes indicados para indiciamento pelo roubo sistemático de aposentados — foi entregue ao ministro André Mendonça no STF. Tudo muito bonito, não fosse um detalhe incômodo: o relatório havia sido rejeitado por manobra articulada pelo próprio governo Lula.

Leia de novo: o governo manobrou para enterrar um relatório que pedia a punição de quem roubou aposentados.

Se fosse o governo anterior fazendo isso, quantas capas de jornal teriam sido dedicadas ao escândalo? Quantos editoriais inflamados? Quantas hashtags?

O silêncio seletivo da imprensa é tão revelador quanto o silêncio de Lula sobre a picanha.

Fachin e a “não-crise” institucional

O presidente do STF, Edson Fachin, negou que exista crise institucional entre os Poderes. O deputado Carlos Jordy respondeu com precisão cirúrgica: “Já passou há muito tempo do que seria uma crise; hoje há uma guerra.”

Difícil discordar. O inquérito das fake news caminha para sua quarta eleição. Um processo que nasceu provisório virou permanente. Uma apuração que deveria ser pontual se transformou numa estrutura de poder paralela, sem prazo, sem controle externo e sem constrangimento.

Chamar isso de “normalidade institucional” é o tipo de eufemismo que só funciona para quem exerce o poder — nunca para quem sofre seus efeitos.

Turismo ministerial

O ex-senador Arthur Virgílio Neto registrou espanto com os 14 ministros que acompanharam Lula à Europa. “Presidência existe para governar o Brasil e não para fazer as vezes de agência de turismo”, disse.

Quatorze ministros. Numa viagem internacional. Enquanto o acém sobe 31%, a cerveja sobe 25% e o povo se pergunta para onde foi a picanha prometida.

Talvez a resposta esteja nos cardápios europeus.

Em 2022, Lula prometeu que o povo voltaria a comer bem. Em 2026, quem come bem são os 14 ministros em tour pela Europa. O povo ficou com a conta — e sem o churrasco.

A promessa mais repetida da campanha de 2022 envelheceu como carne fora da geladeira: rápido, mal, e com um cheiro que ninguém consegue ignorar.

 Folha Destra

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