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Por Donato Heinen. Publicado em 01/05/2026 as 18:15:31

Deputada de Portugal acusa Lula de levar crime organizado para a Europa e gera polêmica

Deputada Rita Matias, do partido Chega, acusa Lula de importar crime organizado para Europa, mas não há provas oficiais das alegações


Deputada Rita Matias, do Partido Chega, de Portugal

Uma declaração contundente da deputada portuguesa Rita Matias, filiada ao partido de direita radical Chega, reacendeu o debate sobre as relações entre Brasil e Portugal. A parlamentar afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria sido responsável por trazer o crime organizado para o continente europeu, classificando a visita oficial do líder brasileiro a terras portuguesas, ocorrida em abril de 2023, como uma verdadeira “importação de criminalidade”.

Acusações envolvem Foro de São Paulo e redes criminosas

No curso do debate parlamentar, Rita Matias foi além e sustentou que Portugal tem funcionado como porta de entrada para essa criminalidade por conta de Lula. De acordo com a deputada, o presidente brasileiro possuiria “várias ligações a estas redes de crime organizado“, e essas conexões seriam comprovadas por meio do Foro de São Paulo e de grupos criminosos que atuam no país. A postura reflete a linha crítica adotada pela legenda em relação ao governo brasileiro.

Críticas à soberania portuguesa e à posição geopolítica de Lula

As acusações da parlamentar não se restringiram à área de segurança. Matias também alegou que Lula teria insultado a soberania de Portugal ao descrever a nação como o “país mais pequeno da União Europeia”. Em resposta, a deputada afirmou que “nunca fomos os mais pequenos em nada”.

No plano geopolítico, a parlamentar atacou o posicionamento internacional do presidente brasileiro, declarando que “ele está alinhado com a Rússia na crise ucraniana” e que manteria parcerias capazes de enfraquecer as sanções europeias. Para Rita Matias, o propósito central de suas manifestações era garantir que Lula “tenha sempre a certeza que não é bem-vindo ao nosso país”.

Não há provas oficiais que sustentem as acusações

Cabe ressaltar, no entanto, que todas essas afirmações partem de posições políticas do partido de oposição e carecem de amparo em investigações oficiais ou acusações formais por parte do Estado português. Embora existam estudos que apontem a expansão de facções criminosas brasileiras pela Europa, nenhum registro legal ou prova concreta vincula o presidente Lula a esse fenômeno.

Ainda durante o mesmo debate, a deputada Joana Mortágua contestou diretamente as declarações, afirmando ser falso que existam ligações provadas de Lula com grupos criminosos. Mortágua também destacou que o Foro de São Paulo era apenas um grupo político, sem qualquer relação com atividades ilícitas.

Visita oficial transcorreu dentro dos protocolos diplomáticos

Durante sua estada oficial em Portugal, o presidente Lula cumpriu agenda protocolar, participando de cerimônias de boas-vindas e encontros com as principais lideranças do país. Não houve qualquer registro oficial de insultos à nação portuguesa ou ao seu povo durante a visita.

Especialistas em comunicação e política alertam que a propagação desse tipo de declaração em formatos que simulam notícias de TV constitui uma estratégia recorrente para conferir falsa credibilidade a ataques políticos e disseminar desinformação. O uso dessa técnica potencializa o alcance de narrativas sem base factual, dificultando a distinção entre opinião partidária e informação jornalística verificada.

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