Como Flávio Bolsonaro se uniu a Alexandre de Moraes no acordão de Alcolumbre por “anistia” e barrar CPI do Master

Oabjeto acordo costurado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que enterrou a CPI do Master e derrubou o veto de Lula ao PL da Dosimetria, provocou uma união imprevista entre o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do processo que condenou Jair Bolsonaro (PL) a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado, e Flávio Bolsonaro (PL), ungido pelo pai como pré-candidato à Presidência, que busca se adequar ao manto de “moderado”, requisito para conquistar o apoio da chamada terceira via, que une centro-direita, mídia liberal e Faria Lima em torno de interesses próprios.
Alcolumbre e Moraes nutrem uma relação próxima desde 2016, quando Michel Temer (MDB) assumiu o poder após o golpe contra Dilma Rousseff (PL). Atuando ainda hoje nas sombras da política, Temer levou Moraes ao comando do Ministério da Justiça, antes de indicar o jovem jurista paulistano, forjado nas hostes das burguesia paulista, ao STF, em 2017
Na mesma época, o bonachão Davi Alcolumbre, eleito senador nas eleições de 2014 após uma rasteira no padrinho político José Sarney, viu a chance de deixar o baixo clero para se tornar vice-líder do governo golpista pelas mãos de Romero Jucá (MDB-RR). Em 2018, o astuto político amapaense costurou com o amigo Onyx Lorenzoni, futuro ministro da Casa Civil, o apoio do presidente eleito Jair Bolsonaro para ser alçado à Presidência do Senado no ano seguinte, onde cunhou – juntamente com Arthur Lira (PP-AL), na Câmara – o chamado Orçamento Secreto, garantindo o controle entre seus pares com recursos públicos da União.
Messias, Flávio Bolsonaro e a “anistia”
Alcolumbre rompeu e se irritou com Lula quando o presidente resolveu indicar o Advogado-Geral (AGU) da União Jorge Messias para a vaga deixada por Luís Roberto Barroso no STF. Seu nome para o posto era de Rodrigo Pacheco (PSB-MG), político mineiro que contou com sua imprescindível ajuda para sucedê-lo na Presidência do Senado em 2021.
No início do ano legislativo, após Lula vetar o PL da Dosimetria em ato simbólico no 8 de Janeiro, Alcolumbre se aproximou de Flávio Bolsonaro (PL) e iniciou as negociações que, em princípio, trocariam os votos necessários para barrar Messias no Senado pela retomada da “anistia” a Bolsonaro, que já se encontrava devidamente preso.
O escândalo financeiro no Caso Master, no entanto, ampliou a negociata. A ampla rede de relacionamentos de Daniel Vorcaro, que vai do “amigo da vida” Ciro Nogueira (PP-PI) à contratação do escritório de Viviane Barci de Moraes, passando pela rede de influência do próprio presidente do Senado e do financiamento da campanha eleitoral de Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas (Republicanos), capitalizou o poder de barganha.
(E aqui cabe parênteses: líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA) protagonizou um caso isolado no campo progressista, usado pela mídia liberal para generalizar a cobertura e incluir até mesmo Lula, no safado PowerPoint da Globonews. A empresa da nora de Wagner manteve contrato com o Master entre 2022 e 2025 após o senador baiano, como secretário de Desenvolvimento Econômico, se desfazer de uma rede estatal de supermercados, comprada por Augusto Lima, sócio de Vorcaro).
O avanço das investigações sobre a Faria Lima – que se estende a facções criminosas já conhecidas, como o Primeiro Comando da Capital, o PCC – causou pânico em Brasília. E foi ai que Alcolumbre resolveu ampliar o acordão com Flávio Bolsonaro, colocando no pacote o travamento da CPI do Master, que colocaria o escândalo financeiro em evidência em plena campanha eleitoral.
Na última semana, Alcolumbre se encontrou duas vezes com Moraes, uma delas em um jantar oferecido pelo próprio ministro em sua casa na terça-feira (28), véspera sabatina de Messias.
Assim como Flávio Bolsonaro e Alcolumbre, Moraes não tem interesse que o caso Master, que começa a sumir das manchetes, voltasse à tona com uma CPMI no Congresso.
Foi, então, que o presidente do Senado selou a imprevista união, distribuindo favores e promessas, típicos de sua postura, tanto a Moraes, quanto a Flávio Bolsonaro
Alexandre de Moraes e o Caso Master
Alvo de pedidos de impeachments, que se avolumaram após a revelação do elo com Daniel Vorcaro, Alexandre de Moraes também estaria incomodado com a relatoria do caso no STF nas mãos de André Mendonça, o “terrivelmente evangélico” ministro de Bolsonaro, que se tornou o fiador de Messias junto ao Supremo em razão da afinidade religiosa.
Ao assumir a relatoria do caso Master e iniciar a blindagem de quadros bolsonaristas – e do próprio Vorcaro, que foi desobrigado a comparecer a comissões no Congresso -, Mendonça prometeu não poupar os pares, em recado a Dias Toffoli e a Moraes, algoz do clã Bolsonaro.
Ao aderir ao acordão de Alcolumbre, Moraes afastaria a possibilidade de ser alvo de um impeachment, já que o amigo firmou comprometimento de não colocar – ao menos, por enquanto – os pedidos em pauta.
Moraes ainda evitaria surpresas na corte com Messias, que já se alinhara ao desafeto André Mendonça, o primeiro ministro a lamentar publicamente a negativa do Senado ao nome do indicado por Lula.
Com Flávio Bolsonaro, Alcolumbre manteve o acordo sobre a derrubada do veto da dosimetria, em troca dos votos para barrar Messias. E ampliou a tratativa, oferecendo uma ponte com Moraes e o STF, que será agora o responsável por “dosar” a pena, como relator do caso – ou seja, para calcular em quanto tempo a sentença de 27 anos e 3 meses de Bolsonaro será reduzida.
A adesão ao acordo também beneficia a fantasia de “moderado” de Flávio Bolsonaro, que vai usar a aproximação com o próprio Moraes para se mostrar como “o pacificador” à Faria Lima e à mídia liberal, além dos quadros do Centrão e da burguesia paulista, onde Michel Temer ainda tem influência.
Em troca, Flávio Bolsonaro teria se comprometido a atuar em prol de um novo mandato de Alcolumbre na Presidência do Senado, caso vença Lula e assuma o Planalto em 2027.
Alcolumbre ainda conta com a anuência da mídia liberal para encobrir o acordo, já que a própria Globo e outros grupos, como o Metrópoles, têm interesse em abafar a cobertura do caso Master diante dos vultosos recursos recebidos de Daniel Vorcaro em publicidade e patrocínio de eventos.
O cálculo final é eleitoral. Diferentemente do que o bolsonarismo sempre tentou pregar, Moraes nunca foi “lulista”. O ministro, que se mostra submisso ao padrinho Temer, é adepto da mesma pauta neoliberal e entreguista da terceira via.
Por medo do avanço das investigações do caso Master, os mesmos grupos que golpearam Dilma Rousseff em 2016 voltam a se aglutinar, em um novo grande acordo, como diria Jucá, “com o Supremo, com tudo”
Por: Plinio Teodoro


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