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Por Donato Heinen. Publicado em 09/05/2026 as 19:32:42

Queda de produtividade leva empresário gaúcho a encerrar teste da escala 5×2 em restaurantes

Chef Marcos Livi testou a escala 5×2 em restaurantes e hotel do Grupo Bah, mas abandonou o modelo após queda de produtividade e gorjetas


Teste realizado no primeiro trimestre de 2024 trouxe resultados negativos para o Grupo Bah, que emprega mais de 150 pessoas

A experiência com a escala 5×2 em cinco restaurantes e um hotel do Grupo Bah chegou ao fim após resultados considerados insatisfatórios pelo chef e empresário gaúcho Marcos Livi. O modelo alternativo de jornada foi testado durante o primeiro trimestre deste ano nos estabelecimentos Brique, Quintana Bar, Veríssimo Bar, Vistta, Cozinha Ana Terra e no Hotel Parador Hampel — cada unidade com aproximadamente 25 funcionários.

Jornada diária mais longa gerou impacto direto nos trabalhadores

De acordo com Livi, o principal obstáculo enfrentado durante o teste foi a necessidade de manter a jornada semanal de 44 horas dentro do formato 5×2. Na prática, isso significou um aumento expressivo no tempo diário de trabalho. O efeito foi particularmente sentido por funcionários com filhos ou que mantinham rotina de estudos paralela ao emprego.

Os problemas identificados pelo empresário durante a experiência incluíram:

  • Queda na produtividade das equipes;
  • Redução no valor das gorjetas recebidas pelos funcionários;
  • Necessidade crescente de novas contratações para cobrir as folgas adicionais.

“É óbvio que buscamos construir um convívio melhor para todos. Mas, com o momento atual brasileiro, com perda de poder econômico das pessoas e endividamento, isso gerou um efeito negativo, por isso recuei”, conta ele.

Grupo administra oito negócios e voltou ao modelo tradicional

Atualmente, o Grupo Bah é responsável pela gestão de oito negócios e emprega mais de 150 pessoas. Após constatar os impactos negativos, Marcos Livi optou por encerrar o experimento e retomar a jornada convencional. Segundo o empresário, a decisão foi bem recebida internamente. “Tomamos a estratégia de voltar ao modelo tradicional, o que deixou a equipe aliviada”, diz Livi.

Ele explicou que decidiu testar o sistema por iniciativa própria, antecipando-se a uma eventual alteração na legislação trabalhista brasileira. Livi defende que o empresariado tenha a “liberdade de escolha” sobre o regime de trabalho adotado e classifica a medida endossada pelo governo Lula como “eleitoreira”.

Debate sobre o fim da escala 6×1 segue aceso no Congresso

O tema das jornadas de trabalho ganhou destaque no Congresso Nacional, onde tramitam discussões sobre o possível fim da escala 6×1 e reformulações no modelo de trabalho vigente. O cenário divide opiniões: enquanto algumas empresas relatam vantagens no formato 5×2 — como maior capacidade de atrair candidatos e redução na rotatividade de pessoal —, outros empresários destacam desafios operacionais significativos e elevação de custos. Com informações da Folha de S. Paulo.

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