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Por Donato Heinen. Publicado em 10/05/2026 as 18:58:02

Charge da Folha após morte de juíza gaúcha gera revolta e é acusada de deboche cruel

Diversos tribunais brasileiros criticaram charge da Folha de S.Paulo interpretada como referência desrespeitosa à morte da juíza Mariana Francisco Ferreira


Charge da Folha e a juíza que morreu após complicações Foto: Reprodução/Folha de S.Paulo // Reprodução/Arquivo Pessoal

Cortes estaduais e federais manifestam indignação diante de publicação considerada desrespeitosa à memória da magistrada Mariana Francisco Ferreira

Uma charge veiculada pelo jornal Folha de S.Paulo na edição de sábado (9) provocou uma onda de repúdio entre tribunais de diferentes regiões do Brasil. A ilustração, assinada pela cartunista Marília Marz, trazia a imagem de uma lápide acompanhada da frase “Vidinha mais ou menos, até perdê-la junto dos penduricalhos”.

Órgãos do Judiciário interpretaram o conteúdo como uma alusão insensível à morte da juíza Mariana Francisco Ferreira, que faleceu em decorrência de complicações ligadas a um procedimento médico relacionado à fertilização in vitro.

TJRS lidera as manifestações de repúdio

Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS), onde a magistrada atuava, emitiu nota assinada pelo desembargador Eduardo Uhlein, presidente da Corte. O documento repudia “com total veemência e indignação a charge publicada pela cartunista Marília Marz no jornal Folha de S. Paulo na edição deste sábado”.

O comunicado reconhece que “a imprensa tem usado de sua liberdade para noticiar e criticar o que considera excessos no Poder Judiciário brasileiro, em seu papel de fiscalizar o ente público, porém revela total falta de sensibilidade ao possibilitar que o tema seja relacionado à recente morte da Juíza Mariana Francisco Ferreira”.

Na avaliação do tribunal gaúcho, as questões não deveriam ter sido misturadas: “São duas dimensões distintas – a crítica generalizada contra supostos excessos atribuídos à magistratura e a trágica perda de uma vida jovem – que, com um mínimo de humanidade e empatia, nunca poderiam ser associadas no atual contexto”.

A nota classificou a atitude do jornal como “tamanha maldade”, afirmando que a publicação “provoca dor ainda maior em uma família enlutada e enche de indignação a magistratura do Rio Grande do Sul”.

Tribunal de Santa Catarina condena “ataques generalizados à magistratura”

O Tribunal de Justiça de Santa Catarina também se posicionou publicamente. Em nota divulgada nas redes sociais, a Corte catarinense expressou repúdio ao conteúdo e acusou a Folha de S.Paulo de promover “ataques generalizados à magistratura”.

O tribunal ponderou: “A liberdade de imprensa e de expressão são pilares do Estado Democrático de Direito, que este Tribunal defende de forma intransigente. Contudo, tais liberdades não se confundem com ofensas gratuitas a instituições e a seus membros, sobretudo em momento de luto e dor”.

Além disso, a Corte declarou solidariedade à família da juíza, ao TJRS e a toda a magistratura brasileira, reafirmando seu “compromisso com a independência judicial, com o diálogo respeitoso e com a defesa intransigente da dignidade da função jurisdicional”.

TJPA e TRF-1 engrossam o coro de críticas

Na região Norte, o Tribunal de Justiça do Pará (TJPA) adotou tom semelhante ao se manifestar sobre o episódio. A Corte paraense destacou seu compromisso “com a defesa da dignidade humana, do respeito institucional e da valorização da magistratura, repudiando qualquer manifestação que banalize a dor, o luto e a memória de uma vida precocemente interrompida”.

No âmbito federal, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), cuja jurisdição abrange 12 estados e o Distrito Federal, também criticou a postura do jornal. Segundo a nota do TRF-1, a charge “ultrapassou os limites da crítica institucional legítima ao recorrer a representação simbólica que, no contexto em que divulgada, produziu compreensível indignação e sofrimento”.

O tribunal federal ainda destacou que “a liberdade de expressão não se enfraquece pela observância da civilidade; ao contrário, fortalece-se quando exercida com prudência, humanidade e consciência de suas repercussões sociais”.Charge da Folha e a juíza que morreu após complicações.

Judiciário reage contra charge da Folha de S.Paulo publicada após morte de juíza gaúcha 

 Foto: Reprodução/Folha de S.Paulo // Reprodução/Arquivo Pessoal

Por fim, o TRF-1 reiterou “sua solidariedade à família da magistrada Mariana Francisco Ferreira, ao Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul e a todas as magistradas e magistrados que se sentiram atingidos pela publicação”.

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